terça-feira, 30 de novembro de 2010

75 anos sem Pessoa

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Mishima em Lisboa

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Os ilusionistas da política

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«Tudo, no sistema parlamentar, é burla: tudo. Desde primeiro instante de campanha eleitoral até à votação dum projecto de lei. Os Parlamentos mais brilhantes servem talvez a Literatura dum país, porque revelam oradores admiráveis mas desservem estrondosamente a Nação que os contém, porque à frente da Nação requerem-se estadistas, e um parlamento não revela estadistas.
Os verdadeiros homens de Estado naufragam nos Parlamentos, onde só vencem os tribunos, os ilusionistas da Política.
(...) Na política não se anda, e a política não se fez, para cantos de sereias. A política fez-se para conduzir os povos, através das dificuldades da existência. E os povos não se conduzem com discursos, como com discursos se não salvam doentes.
O Parlamento, tenho-o afirmado dezenas de vezes, é a consagração estúpida do Número estúpido.»

Alfredo Pimenta
in «A Época», 1926.

Dia d'O Diabo

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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Menos blá-blá-blá

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Tradição

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"A tradição de um povo é a sua paternidade, a substância da sua personalidade, e esta constitui-se na consciência que cada povo tem de si próprio e que é sempre consciência histórica. Pois todo o povo, como todo o indivíduo, é, em cada momento da sua existência, mais ou menos original e criador, mas é também continuador de um processo histórico que é o desenvolvimento íntimo da sua consistência espiritual... É-se tanto mais original quanto mais se é verdadeiramente capaz de entesourar o passado."

Giovanni Gentile

domingo, 28 de novembro de 2010

O crime compensa

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«Diz-nos a publicidade a “Inside Job” – título perfeito, mas infelizmente intraduzível – que este filme custou mais de 20 triliões de dólares a fazer. O pior é que esse dinheiro é de todos nós, melhor dizendo, de todos os afectados pela profunda crise económico-financeira que estoirou em 2008. Milhões de pessoas perderam os seus empregos, as suas casas e as suas poupanças. Como foi possível essa tragédia? Quais as suas origens? Quais os seus culpados? Algo foi feito para resolvê-la?

Este é um documentário corajoso que responde a estas questões de uma forma clara e acessível e incisiva, com o recurso a entrevistas, gráficos, títulos de jornais e imagens de arquivo. Tudo muito bem montado, em sequências bem ritmadas que nunca se tornam maçadoras e prendem a atenção do espectador e com a narração do actor Matt Damon.

O responsável por este trabalho de verdadeiro serviço público, isento e bem documentado, é Charles Ferguson que o realiza, produz e escreve. Ferguson é formado em Matemática e doutorado em Ciência Política. Profissionalmente foi empresário na área das novas tecnologias e entretanto passou ao cinema, onde se notabilizou com o documentário sobre a guerra do Iraque “No End in Sight” (2007). Para fazer este filme viajou pelo mundo questionando especialistas, políticos e alguns dos responsáveis pelo desastre financeiro, a quem não teve qualquer problema em colocar as perguntas mais difíceis. Alguns recusaram dar entrevistas e essa atitude é referida, outros ficam sem palavras, incomodados, enervados e há até quem peça para desligar a câmara.

Traçando um percurso desde que se abandonou o modelo financeiro tradicional americano, concretamente com a administração Reagan, mostra-nos como a alta finança começou a ser cada vez mais concentrada e poderosa, de tal forma que começou a dominar a política, independentemente de ser republicana ou democrata. Como é dito a determinada altura, o que existe é um “governo de Wall Street”.

Mas o que mais revolta é a impunidade generalizada que verificamos ao ver que os principais responsáveis continuam a fazer uma vida milionária, coleccionando mansões e jactos privados, ao mesmo tempo que recorrem a serviços de prostituição de luxo e ao consumo de cocaína. Tudo vale neste jogo de ganhar dinheiro à custa da miséria alheia.

A parte final do filme é bastante reveladora do que nos guarda o futuro. Apesar das boas intenções anunciadas pelo recém-eleito presidente Obama, a triste realidade é que nada, ou quase nada, se alterou. Aquele que se apresentava como apóstolo da “mudança”, afinal reconduziu ou colocou em lugares de topo vários responsáveis directos por um ‘meltdown’ nunca antes visto. Para reflectir e agir.»

Duarte Branquinho
in «O Diabo».

Méridien Zéro e os centros de poder

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A edição de hoje do programa Méridien Zéro tem o título «Mais ou se trouve le pouvoir?» («Mas onde se encontra o poder?») e aborda as questões dos centros de poder em França. O convidado desta emissão, que começa como habitualmente às 22 horas, é o jornalista Emmanuel Ratier. O programa Méridien Zéro é uma emissão da Radio Bandiera Nera.

sábado, 27 de novembro de 2010

Disperato Amore Tour em Catania

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O Sonho Americano

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«Na própria medida em que se sentem ameaçados por tudo o que difere deles, os Estados Unidos aspiram no fundo a um mundo sem inimigos, sem ameaças, o que equivale inevitavelmente a um mundo homogéneo. Pensam que não estarão verdadeiramente em segurança senão quando tudo o que arraigadamente diferente tiver sido eliminado, quer isto dizer assim que o mundo inteiro tiver sido americanizado. O seu unilateralismo, mais ainda que o seu intervencionismo, não se explica de outra forma.»

Alain de Benoist
in «Guerra Justa, Terrorismo, Estado de Urgência e Nomos da Terra - A actualidade de Carl Schmitt», Antagonista (2009).

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Entrevista com Riccardo Marchi (2/2)

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3. Existe realmente uma Direita em Portugal? Depois de 1974 passou a ser quase um crime ser de Direita e mesmo no hemiciclo o partido que se senta mais à direita diz pertencer ao Centro.

Atenção: também o Estado Novo nunca se definiu um regime de direita, pois achava perigoso e anti-nacional oficializar uma dicotomia que acabaria por dividir a unidade orgânica da nação que o regime tanto prezava. Certa hipocrisia da linguagem política é transversal a todos os regimes, qualquer seja a sua orientação e tipologia.
Em relação ao pós-25 de Abril, estava mesmo a comentar alguns dias atrás com um colega como seja engraçado o facto que todos os partidos portugueses à direita do espectro político tiveram a necessidade de incluir a denominação “democrático” no seu nome: Partido Social Democrata, Centro Democrático Português ao passo que nenhum partido de esquerda teve que fazer isso apesar de 2 em 3 (BE e PCP) estarem abertamente contra o modelo de “democracia ocidental” em vigor praticamente desde a fundação do regime democrático português. Há, como é óbvio, razões históricas sobejamente conhecidas que explicam este fenómeno, que, para além disso, não é uma exclusiva da relativamente jovem democracia portuguesa. A história da direita parlamentar do meu país (Itália) é feita de 50 anos de fuga ao rótulo “de direita” por parte das suas expressões moderadas (Partito Liberale) e de utilizo do termo “direita” por parte do partido herdeiro do Fascismo (Movimento Sociale Italiano) principalmente para evitar o rótulo oficial de “fascista”. Mais, o MSI, após ter representado por 50 anos, ininterruptamente e no parlamento, 2 milhões (4%) de eleitores fascistas, acabou com definir-se anti-fascista uma vez alcançado o poder em meados dos anos 90. Se é compreensível abandonar o rótulo de “fascista” uma vez que se passa a representar já não 4% mas 13% do eleitorado, definir-se “anti-fascista” apesar da própria história é pelo menos de mau gosto.
Esta comparação Itália-Portugal serve para sublinhar que organismos como os partidos, supostamente representantes máximos das liberdades políticas dos cidadãos, estejam há décadas reféns de condicionalismos históricos e de “ditaduras intelectuais” do politicamente correcto, contribuindo assim a desvirtuar aqueles mesmos princípios básicos que afirmam defender.
Felizmente a história das ideias (enfoque da conferência de 29-30 de Novembro) deve preocupar-se em descrever e explicar estes fenómenos sem procurar nenhum consenso eleitoral, razão pela qual posso deixar estas pruderie terminológicas aos competidores eleitorais.
Dito isto, a conferência não tem nenhum objectivo de legitimação do termo “direita”, pelo menos nas intenções do seu organizador…ou seja, eu. Francamente, do ponto de vista das ideias, nunca consegui raciocinar em termos de “legitimidade” ou “ilegitimidade”. Por outro lado, do ponto de vista da acção política, a legitimidade não a considero uma dádiva, mas uma conquista.

4. As diferenças entre Esquerda e Direita tenderão a diluir-se no futuro?

Depende do que entendem por “Esquerda” e “Direita”. Se falam dos partidos mainstream, sem dúvida as diferenças vão diluindo-se. Este é um processo já em curso há algumas décadas e acompanhou a agonia das ideologias. Para além disso, hoje em dia os decisores políticos nacionais estão cada vez mais dependentes de condicionalismos supranacionais de diferentes níveis (desde a União Europeia, à Aliança Atlântica, à ONU, etc.) em quase todas as áreas antigamente exclusivas da soberania nacional. Por essa razão os partidos que pretendam realisticamente aceder ao poder sabem a partida que têm que acatar com princípios, perspectivas, regras, normas, compartilhadas nestes patamares supranacionais. E fazem-no sem grandes dificuldades. São socializados politicamente nestes princípios e, nos cada vez mais raros casos em que não acedam à “alta política” já compartilhando estes princípios, a aproximação às esferas do poder habitua-os rapidamente a este esbatimento das diferenças.
Não se trata todavia de uma inevitabilidade finalística. Felizmente com o sistema demo-liberal não chegámos ao fim da história nem ao melhor dos mundos possíveis, razão pela qual o homem continuará a elaborar ideias políticas e a sonhar e realizar sistemas de convivência. Estas elaborações e realizações vivem amiúde acelerações repentinas devidas a momentos de crise ou oportunidades inesperadas, o que me leva a pensar que poder-se-ão criar novas dicotomias ou, melhor, novos cenários plurais refractários à convergência “catch-all” que caracteriza os nossos dias. Estes novos cenários possivelmente não se desenharão nas antigas dicotomias direita/esquerda, mas em novas sínteses, contaminações, encontros, definições: a história está cheia destas nascenças.

5. Há futuro para a Direita em Portugal?

Esta já não é pergunta da 1 milhão de dólares mas de cartomante de feira. Estou a brincar e aceito o vosso desafio. Bom, depende a que futuro e a que direita se referem. Se falam das direitas (centro) parlamentares nada leva a crer que nos próximos anos deixem de alimentar a alternância bipartidária de governo, consolidada em Portugal desde o 25 de Abril. Se se referem às direitas extra-parlamentares – partidos ou movimentos, liberais ou radicais – nada leva a crer que possam sair da marginalidade na qual sobrevivem desde a sua fundação. Se se referem às direitas intelectuais (em todas as suas vertentes) nada leva a crer que estejam, não digo empenhadas, mas nem sequer interessadas em experimentar novas sínteses nem em jogar batalhas culturais de uma qualquer envergadura. Limitam-se e limitar-se-ão a reproduzir ideias de respeitáveis mas antigas (ou velhas?) direitas sem desafiar substancialmente o status quo das ideias já há muito estabelecidas. Para parafrasear Nietzsche, não me parece que nas direitas haja muito caos interior que permita predizer o parir de uma estrela que dança. Mas, como disse antes, a história sofre acelerações repentinas geradoras de caos e estrelas. Até lá, deixo-vos a vós julgar se e quão radioso será o futuro da direita em Portugal: cada um com os seus gostos.

6. Muito obrigado pela entrevista e boa sorte na organização do seminário. Queres deixar alguma mensagem final?

Nenhuma “mensagem final”. Só um “convite inicial”: quem puder apareça nos dias 29 e 30 de Novembro. O debate animado pelo público é o que valoriza os resultados das conferências, principalmente em temas onde há ainda muito trabalho para fazer. E obrigado pela entrevista.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Entrevista com Riccardo Marchi (1/2)

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Em vésperas do Seminário "As raízes profundas não gelam? - Ideias e percursos das direitas portuguesas", entrevistámos o investigador italiano Riccardo Marchi, que teve a amabilidade de responder às nossas questões, cuja publicação será dividida em duas partes.



1. O que te levou a organizar este Seminário sobre as ideias e percursos das direitas portuguesas?

Quando há cinco anos atrás comecei a interessar-me de direitas portuguesas nas minhas investigações de doutoramento sobre as “direitas radicais”, procurei em primeiro lugar um instrumento bibliográfico que me proporcionasse uma panorâmica do tema geral na qual poder colocar, do ponto de vista histórico e ideológico, o tema específico das minhas investigações. Procurei e não encontrei. Ou seja, havia uma falha na bibliografia portuguesa. Essa ocupou-se (e ocupa-se) de períodos e acontecimentos históricos determinados ligados a esta ou aquela direita, mas nunca procurou (que eu saiba) desenhar uma genealogia de conjunto desta família política, pelo menos desde a formalização histórica das etiquetas de “direita” e “esquerda”. Desde então fiquei com a vontade de resolver este estímulo intelectual, mas ao longo dos anos de doutoramento e nos primeiros de pós-doutoramento nunca tive a oportunidade de o fazer. Finalmente decidi-me e fi-lo, por enquanto, em forma de conferência. Estou a trabalhar na organização pelo menos desde Fevereiro, pois quis reunir peritos de cada área específica das direitas que permitam desenhar um fil rouge desde o miguelismo contra-revolucionário até ao liberalismo dos nossos dias. Como é óbvio, não procuro uma lógica unívoca que conecte coerentemente tudo o que se moveu na direita em Portugal nos últimos 200 anos. Procuro sim identificar quais raízes afundam no terreno das ideias das direitas portuguesas e, a partir desta pluralidade, pretendo desvendar quais frutos produziram, se ainda são fecundas ou se, pelo contrário, secaram de vez. O intuito final dos dois dias será produzir uma colectânea com as contribuições dos oradores e de outros autores: uma fonte para os apaixonados de pensamento politico e principalmente um instrumento de orientação para jovens investigadores que se queiram debruçar sobre estes temas.

2. O que distingue actualmente uma pessoa de Direita?

Pergunta de um milhão de dólares! Digo já que não vou responder à tua pergunta, mas aproveito para fazer algumas considerações.
Não posso responder porque, em primeiro lugar, não existe “uma pessoa de direita” visto não existir “uma direita” mas “muitas direitas”. Faço-te apenas quatro exemplos retirados da actualidade para sublinhar a impossibilidade de definir de forma unívoca “uma pessoa de direita”.
Em relação ao Estado, há direitas que apelam à centralidade do Estado entendido como comunidade politicamente organizada, mas há também direitas que advogam o Estado mínimo em nome da defesa e primazia do indivíduo face à comunidade.
Em relação à cidadania, há direitas que defendem uma visão contratualista da sociedade e portanto a inclusão nela de todos os que trabalhem, paguem os impostos e respeitem as leis. Mas há também direitas que reclamam (consciente ou inconscientemente) uma visão imperial (não confundir com “imperialista”) e entendem que a nação é uma comunidade de destino na qual se devem poder integrar todos os que acreditam e se comprometem neste caminho comum independentemente das suas origens. Há finalmente direitas que consideram esta comunidade exclusiva dos que partilham determinadas origens étnicas e culturais e portanto excludentes dos elementos alógenos nos seus direitos de cidadania.
Em relação aos chamados “direitos civis”, há direitas que defendem o princípio da laicidade e do respeito e reconhecimento legal da livre escolha do indivíduo em matérias sensíveis como a orientação sexual e a bioética; e há direitas que, em defesa deste mesmo princípio de laicidade, apelam à restrição de comportamentos individuais que consideram ostensivos e ofensivos da mesma laicidade, como por exemplo certos hábitos religiosos. Há finalmente direitas que julgam certas expressões de laicismo como extremistas e atentatórias dos costumes, tradições, valores dominantes da comunidade, apelando, por exemplo, à defesa do modelo de família tradicional e ao direito à vida.
Em relação à geopolítica, há direitas que se sentem parte integrante de um modelo (o Ocidental) caracterizado por uma estrutura económica (liberal-capitalista) e por um sistema político (democracia) bem determinado, representado pelo eixo Estados Unidos–Europa-Israel, mas há também direitas que consideram o Ocidente não uma pátria comum ameaçada, mas sim uma área de dominação político-económico-militar norte-americana em fase de expansão contínua em detrimento de outros povos e civilizações (inclusive a europeia).
À luz destas rápidas considerações (muitas outras poderiam ser feitas), torna-se mais fácil perceber a impossibilidade de definir o que distingue actualmente uma pessoa de direita. Pode-se dizer que uma pessoa é de direita quando apresenta um pendor estatalista, anti-ocidentalista, integracionista. Mas também quando apresenta um cariz liberista, ocidentalista, laicista e assimilacionista. E também quando se demonstra anti-europeista, “welfare-chauvinist” e tradicionalista. Enfim, podemos teorizar (e encontrar na realidade do dia a dia) qualquer mistura destes “ismos”; misturas que afastam algumas “direitas” de outras “direitas” ao passo que as aproximam desta ou daquelas “esquerdas”. Por esta razão, o exercício melhor não é perguntar a uma pessoa “você é de direita?”, mas sim “você o que acha acerca de…?”. Exercício que, diga-se de passagem, ajuda a evitar companhias indesejadas e assumidas apressadamente em nome apenas de etiquetas banalizadoras.

Lou Bastioun, Nice

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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O Declínio da Coragem

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“Se me perguntarem se eu quero propôr ao meu país como modelo o Ocidente, tal como hoje se apresenta, devo responder com franqueza: não, não posso recomendar a vossa sociedade como ideal para a transformação da nossa (…) Uma sociedade não pode permanecer no fundo do abismo sem leis, como é o nosso caso, mas será irrisório manter-se à superfície lisa dum juridismo sem alma, como sucede convosco. Uma alma humana acabrunhada por muitas dezenas de anos de violência aspira a algo de mais elevado, mais quente e mais puro do que o que pode propôr-lhe a existência de massa no Ocidente, anunciada, como se fosse um cartão de visita, por uma pressão enjoativa de publicidade, pelo embrutecimento da televisão e por uma música insuportável. (…) O modo de vida ocidental tem cada vez menos probabilidades de vir a ser o modo de vida dominante”.

Alexander Soljenítsin
in "O Declínio da Coragem", Discursos de Harvard, Junho 1978, Lisboa, Ed. Rolim.

Fanzine

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Uma fanzine (contracção de fan magazine) é um periódico (ou aperiódico) independente, criado e realizado de forma desinteressada por apaixonados, para outros apaixonados. Uma fanzine é um «jornal livre», por vezes clandestino (a esmagadora maioria das fanzines não têm depósito legal), publicado sob a filosofia do it yourself («faça você mesmo», slogan de Jerry Rubin adoptado pelos punks em 1977) e frequentemente especializado em nichos culturais ou políticos.

Sem estar sujeito a qualquer imperativo de venda, as fanzines podem estar disponíveis em livrarias, lojas de discos especializadas, escolas, universidades, salas de concerto ou por encomenda. Adoptando geralmente uma perspectiva militante do campo cultural, o espírito das fanzines reflecte-se no slogan da rede alternativa Indymedia «não critiques os media, torna-te nos media». A sua difusão é reduzida comparada a uma revista; a sua periodicidade é frequentemente aleatória e a duração de vida relativamente curta. Existem excepções, como a Maximumrocknroll, veterana fanzine americana, publicada desde 1977 e ainda em actividade, ou a fanzine de rock francês Albus Dangereux que surge regularmente desde 1987. Algumas fanzines históricas, como a New Wave, reapareceram na década de 2000, enquanto outras entretanto desaparecidas ganharam uma segunda vida através da internet.

Uma fanzine torna-se uma revista quando deixa de ser a actividade de um amador apaixonado, para transformar-se no produto de um profissional. Ou seja, a fanzine distingue-se das revistas pela sua vocação não comercial, sendo vendida a um preço muito baixo ou distribuída gratuitamente. A publicidade representa sempre uma parte mínima das receitas e dos conteúdos. Quanto aos temas, as fanzines são geralmente consagradas à musica rock, ao cinema, ao universo político, à literatura popular (frequentemente banda-desenhada) e ao desporto (nomeadamente claques e grupos ultra).

V Jornadas de la Disidencia, Madrid 2010

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Mais comida regional, menos fast-food

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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Palavra brava e bela

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"Tradição: para uma estirpe dotada da vontade de voltar a situar a ênfase no âmbito do sangue, é palavra brava e bela. Que a pessoa singular não viva somente no espaço. Que seja, pelo contrário parte de uma comunidade pela qual deve viver e, sucedida a circunstância, sacrificar-se, esta é uma convicção que cada homem com sentimento de responsabilidade possui e que postula à sua maneira particular com os seus meios particulares. A pessoa singular não se encontra, no entanto, ligada a uma comunidade superior unicamente no espaço, mas, de uma forma mais significativa, ainda que invisível, também no tempo. O sangue dos antepassados está latente, fundido com o seu, ele vive dentro de reinos e vínculos que eles criaram, custearam e defenderam. Criar, custear e defender: esta é a obra que ele recebe das mãos daqueles e que deve transmitir com dignidade. O homem do presente representa o ardente ponto de apoio interposto entre o homem do passado e o homem do futuro. A vida relampeja como o rastilho incendiado que corre ao largo da mecha que ata, unidas, as gerações... queima-as, certamente, mas mantém-nas enlaçadas entre si, do princípio ao fim. Em breve também o homem presente será igualmente um homem do passado mas, para conferir-lhe calma e segurança, permanecerá a ideia de que as suas acções e gestos não desaparecerão com ele mas antes constituirão o terreno sobre o qual os vindouros, os herdeiros, se refugiarão com as suas armas e instrumentos."

Ernst Jünger
in "Die Tradition".

Dia d'O Diabo

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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Brava Lusitânia

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"Foi uma guerra como aquela geração jamais conhecera. Fiel à sua táctica, Bruto atacava e saqueava as cidades, destruía o que delas restava. Na verdade, destruía tudo ou quase tudo o que encontrava. Não que a sua marcha de conquista fosse fácil, bem pelo contrário. Cumpriram-se as palavras de Nábia: os povos pegaram em armas; guerreiros, velhos, mulheres e crianças deixavam-se retalhar nos campos de batalha. As mulheres que não escapavam matavam-se, mas antes degolavam os filhos, para que não vivessem como escravos. Os vencidos que não eram mortos ou não se suicidavam fugiam para os montes levando o pouco que conseguiam transportar.
Uma a uma, as cidades caíram, trinta cidades ao todo. A última foi Cinginnia — que os Companheiros de Bandua, retidos em combate junto ao rio Vacua, não puderam auxiliar. Bruto ofereceu aos habitantes a paz em troca de tributo; responderam-lhe que os seus antepassados tinham deixado ferro para defender a cidade, e não ouro para a vender a um general avaro. E Cinginnia foi tomada."

João Aguiar
in "Uma Deusa na Bruma", Asa Editores.

La Douce France

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domingo, 21 de novembro de 2010

Finis Mundi — A Última Cultura

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Realiza-se no próximo dia 9 de Dezembro, pelas 21:00, no Palácio da Independência em Lisboa, o lançamento do primeiro número da revista de cultura e pensamento Finis Mundi. Editada pela Antagonista, esta revista trimestral reúne uma série de artigos e ensaios subordinados a diversas áreas do conhecimento, procurando suscitar a atenção do leitor para a necessidade de repensar o estado da cultura portuguesa segundo uma perspectiva ou paradigma ocidental. Esta sessão de apresentação contará ainda com as comunicações de António Marques Bessa e Alain de Benoist. A entrada é livre.

Méridien Zéro com mais meia hora

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Hoje às 22 horas, o programa Méridien Zéro estreia um novo formato, com uma hora e meia de duração. Esta semana, a emissão francófona da Radio Bandiera Nera aborda a questão do enraizamento e da importância da acção local no combate contra a mundialização.

sábado, 20 de novembro de 2010

Presente!

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"O nosso movimento não é apenas uma maneira de pensar, é uma maneira de ser. Não devemos propor apenas a construção, a arquitectura política. Temos que adoptar, perante a vida, em cada um dos nossos actos, uma atitude humana, profunda e completa. Esta atitude é o espírito de serviço e sacrifício, o sentido ascético e militar da vida. Assim sendo, que ninguém pense que aqui recrutamos para oferecer recompensas; que ninguém pense que nos reunimos para defender privilégios."

José Antonio Primo de Rivera

O Sangue

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«Empregamos esta palavra como significando Herança.
Os rubros glóbulos sanguíneos trazem, dentro da sua microscópica esfera, antigos espectros que ressurgem e vão definindo o carácter dos indivíduos e dos Povos.
Gritam no sangue velhas tragédicas, murmuram velhos sonhos, velhos diálogos com Deus e com a terra, esperanças, desilusões, terrores, heroísmos, que desenham, em tintas vivas, o cenário e a acção das nossas almas.
O sangue é a memória, presença de fantasmas, que nos dominam e dirigem.
À voz do sange responde a voz da terra; e este diálogo misterioso mostra os caracteres da nossa íntima fisionomia portuguesa.»

Teixeira de Pascoaes
in «Arte de Ser Português», Assírio & Alvim (2007).

Serviço PÚBLICO

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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Dissidente todo o terreno

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Antagonista Editora

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A Antagonista Editora é uma editorial independente especializada em micro-edição para nichos de mercado, com destaque para os campos da Ciência Política, Relações Internacionais, Ficção Científica, História Alternativa, Terror Fantástico, Ovniologia e Teoria da Conspiração.

Pensada para ser uma editora militante para leitores militantes, foi fundada por leitores habituados a "bater" todas as livrarias e alfarrabistas, infrutiferamente, à procura de livros cujas temáticas e autores parecem arredadas das grandes superfícies.

Por considerar que num mercado competitivo, como o é o português, fundar uma editora igual a todas as outras seria mera perda de tempo, a Antagonista aposta em grandes nomes da literatura alternativa internacional bem como na descoberta de talentos lusófonos e portugueses, prezando uma relação de proximidade com os seus autores e a concepção de novos formatos.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Homo-economicus

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«Nenhum sistema — liberal ou socialista — fundado sobre a autonomia integral e a primazia do económico, procura a satisfação geral. O homo-economicus existe, mas não é um homem feliz. A satisfação das suas necessidades materiais, das suas necessidades centradas sobre apenas uma esfera, não apazigua o seu desejo. Pelo contrário, reforça-o, torna-o tão insaciável como frustrado. Toda a concepção da sociedade fundada sobre o bem-estar, sobre o welfare, não pode senão fracassar na sua ambição de suscitar a felicidade. Esta resulta da apropriação pelo homem do seu ser próprio, da apropriação pelo homem de uma personalidade específica no interior de uma identidade colectiva — enquanto a sociedade mercantil, massificada, desculturalizante, despersonalizante, não se constrói se não pela aglomeração de homens-massa, ou seja, sobre a ruínas das diferenças e das personalidades.»

Roberte de Herte

Une Autre Jeunesse: Uma Outra Juventude

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Somos essa juventude que hoje escolhe: levantar-se, revelar-se e estar na primeira linha.
Somos essa juventude que escolhe as Termópilas em vez da deterioração e da renúncia.
Somos essa juventude dos campos de Verão, das longas subidas à montanha, das artes marciais e dos golpes trocados. A juventude do esforço, do suor e da superação de si própria.
Somos essa juventude da cultura alternativa e enraizada. Dos grupos de rock com clarinetes e gaitas, da música electrónica ou industrial aos refrães medidos em latim, ao mesmo tempo a juventude do mosh e dos bailes tradicionais.
Somos essa juventude que nega o suicídio como escapatória pessoal, como futuro de uma geração, como horizonte da nossa civilização.
Somos essa juventude que coloca a transcendência e a fé acima dos bens materiais. Essa juventude que coloca o dom de si mesma acima do êxito pessoal, que prefere a dimensão heróica da vida à realização económica.
Somos essa juventude que renega todo o tipo de drogas, moles, doces ou duras, químicas ou naturais. Queremos enfrentar-nos com plena consciência dos desafios desta sociedade e olhar nos olhos o nosso destino.
Somos essa juventude que escolhe a via da comunidade e que decide forjar unida o futuro da nossa pátria.
Somos essa juventude que propõe devolver a nobreza à política e abordar todos os campos de acção com uma ideia clara: o futuro não se fará sem nós.
Somos a outra juventude. Somos como tu, torna-te como nós!

Fonte: Une Autre Jeunesse 

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Seminário - Direitas Portuguesas

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O investigador italiano Riccardo Marchi, autor dos livros Folhas Ultras - As ideias da direita radical Portuguesa (1939-1950) e Império, Nação, Revolução - As Direitas Radicais Portuguesas no Fim do Estado Novo (1959-1974), em parceria com o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, organiza nos próximos dias 29 e 30 de Novembro um seminário dedicado ao estudo histórico e político das direitas portuguesas. Intitulado As raízes profundas não gelam? - Ideias e percursos das direitas portuguesas, este seminário decorrerá durante os dois dias nas instalações do ICS-UL. Os painéis realizar-se-ão da parte da manhã entre as 10:00 e as 13:00, da parte da tarde entre as 14:30 e as 17:30. Para mais informações poderá contactar a organização deste seminário através do email riccardo.marchi@ics.ul.pt.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Marsz Niepodległości

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Instituição par(a)lamentar

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«Não são os incompetentes quem está apto a escolher os competentes. Isso é a subversão da ordem, nos seus mais fundamentais elementos. E essa situação ilógica, só a instituição parlamentar podia consagrá-la. Não são aqueles que precisam de quem os dirija que estão em condições de escolher quem melhor possa executar essas funções dirigentes. Isto é óbvio. A interferência dos cidadãos na vida pública do seu país deve, pois, efectuar-se no exercício da vida municipal, deixando as superiores funções de direcção central e geral a uma restrita e fechada categoria de cidadãos, isto é aos elementos representativos das corporações espirituais, morais e activas. Tudo quanto seja contribuir para uma mais perfeita hierarquização — é contribuir para o progresso social, para o progresso da civilização. Nivelar, confundir, é estagnar. E se há prova concludente das consequências nefastas da pantanização (deixem passar o tempo!) do meio social — é a instituição parlamentar. A corrupção dos costumes políticos deve-se principalmente, às exigências das necessidades eleitorais. Só é forte um governo que não precise de andar a transigir com as flutuações da opinião, isto é um governo que em vez de governado, tenha por missão governar, isto é canalizar, aproveitar, dominar. A opinião é instável. Governos instáveis são governos estéreis. A opinião parlamentar, quando não é uma mentirosa aparência, é a imagem da opinião das ruas. Instável, estéril, anárquica como ela.»

Alfredo Pimenta
in «Nação Portuguesa», n.º 3, p. 71, 1914.

Notícias da Frente

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domingo, 14 de novembro de 2010

Méridien Zéro com Docteur Merlin

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Hoje às 22 horas, o programa Méridien Zéro recebe Docteur Merlin, poeta, bardo e militante, para evocar os seus trinta anos de combate musical. O programa Méridien Zéro é a emissão francófona da Radio Bandiera Nera.
 
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