domingo, 26 de dezembro de 2010

Metafísica da Memória

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"«Memória» é uma palavra que sofreu usos excessivos. Mas, sob o pretexto de que a palavra «amor» é usada gratuitamente, deveríamos não mais a utilizar no seu sentido pleno? O mesmo vale para a «memória». É pelo vigor da sua memória, transmitida no seio das famílias, que uma comunidade pode atravessar os tempos, apesar das ameaças que tendem a dissolvê-la. É à sua muito longa memória que os chineses, os japoneses, os judeus e tantos outros povos devem o facto de terem superado perigos e perseguições sem jamais terem desaparecido. Para sua infelicidade, por causa de uma história rompida, os europeus estão dela privados.

Pensava nesta carência da memória europeia quando alguns estudantes me convidaram para falar do futuro da Europa e do «Século de 1914». A partir do momento em que a palavra Europa é pronunciada surgem os equívocos. Alguns pensam na União Europeia para a aprovar ou criticar, lamentando, por exemplo, que ela não seja uma «potência». Para dissipar toda a confusão, gosto de precisar sempre que deixo de lado a parte política. Reportando-me ao princípio de Epicteto, «o que depende de nós e o que não depende», sei que depende de mim fundar a minha vida sobre os valores originais dos Europeus, enquanto mudar a política não depende de mim. Também sei que, sem uma ideia que a anime não há acção coerente.

Essa ideia enraíza-se na consciência de Europa-civilização que anula a oposição entre região, nação, Europa. Podemos ser ao mesmo tempo Bretão ou Provençal, Francês e Europeu, filho de uma mesma civilização que atravessou os tempos depois da primeira cristalização perfeita que foram os poemas homéricos. «Uma civilização — dizia excelentemente Fernand Braudel — é uma continuidade que, quando muda, mesmo se tão profundamente que possa implicar uma nova religião, incorpora valores ancestrais que sobrevivem através dela e permanecem a sua substância». Nesta continuidade, devemos de ser o que somos.

Na sua diversidade, os homens não existem senão pelo que os distingue: clãs, povos, nações, culturas, civilizações, e não pela sua animalidade, que é universal. A sexualidade é comum a toda a humanidade, tanto quanto a necessidade de comer. Em contrapartida, o amor, como a gastronomia, são próprios de uma civilização, isto é, de um esforço consciente sobre o longo prazo. E o amor como o concebem os europeus está já presente nos poemas homéricos pelas personagens contrastantes de Helena, Nausícaa, Heitor, Andrómaca, Ulisses ou Penélope. O que se revela através das personagens é totalmente diferente do que mostram as grandes civilizações da Ásia, cujo refinamento e beleza não estão em causa.

A ideia que fazemos do amor não é menos importante do que o sentimento trágico da história e do destino que caracteriza o espírito europeu. Define uma civilização, a sua espiritualidade imanente e o sentido da vida de cada um, como a ideia que fazemos do trabalho. Este tem por único fim «fazer dinheiro», como se pensa do outro lado do Atlântico, ou tem por fim, ainda que assegurando uma justa retribuição, a realização pessoal visando a excelência, mesmo em tarefas na aparência tão triviais como os cuidados da casa? Esta percepção conduziu os nossos antepassados a criar sempre mais beleza nas tarefas mais humildes como nas mais altas. Ter consciência disso significa dar um sentido metafísico à «memória».

Cultivar a nossa «memória», transmiti-la viva aos nossos filhos, meditar também sobre as provas que a história nos impôs, esse é o prelúdio de todo o renascimento. Face aos desafios inéditos que nos foram impostos pelas catástrofes do «século de 1914» e a sua mortal desmoralização, encontraremos na reconquista da nossa «memória» étnica respostas que eram desconhecidas daqueles que viveram num mundo estável, forte e protegido."

Dominique Venner
in La Nouvelle Revue d’Histoire n°40, Janeiro-Fevereiro 2009.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Nuno Álvares Pereira, o Galaaz de Portugal

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Nuno Álvares Pereira, o Galaaz de Portugal
J. Pinharanda Gomes
112 páginas

Dom Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável, artífice, juntamente com el-Rei Dom João I, da vitória de Aljubarrota, foi canonizado pelo Papa Bento XVI no dia 26 de Abril de 2009.
J. Pinharanda Gomes, figura destacada do movimento da «Filosofia Portuguesa», desenvolve nesta obra uma série de reflexões em torno da vida laica, militar e religiosa do herói da guerra contra Castela, essenciais para bem situar a figura de Nuno Álvares Pereira no espírito, nos conflitos e nas aspirações da sua época.
Nuno Álvares Pereira, o Galaaz de Portugal, cuja publicação marca o início da actividade da editora Pegada do Yeti, é um contributo importante para a compreensão de uma das mais marcantes personalidades da história portuguesa.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A Chama

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"Este fogo resume uma tradição viva. Não uma imagem vaga, mas uma realidade. Uma realidade tão tangível como a dureza desta pedra ou o sopro do vento. O símbolo do Solstício é que a vida não pode morrer. Os nossos antepassados acreditavam que o Sol não abandona os homens e que volta todos os anos ao encontro da Primavera. Cremos, como eles, que a vida não morre e que, para lá da morte dos indivíduos, a vida colectiva continua. Que importa o que será amanhã. É levantando-nos hoje, afirmando que queremos permanecer como somos, que o amanhã pode vir.
Levamos em nós a chama. A chama pura deste fogo de fé. Não um fogo de lembrança. Não um fogo de piedade filial. Um fogo de alegria e de intensidade que temos que acender sobre a nossa terra. Lá queremos viver e cumprir o nosso dever como homens, sem renegar nenhuma das particularidades do nosso sangue, da nossa história, da nossa fé, amalgamadas nas nossas recordações e nas nossas veias...
Tudo isto não é a ressurreição de um rito abolido. É a continuação de uma grande tradição. De uma tradição que mergulha as suas raízes no mais profundo das idades e que não quer desaparecer. Uma tradição em que, cada modificação, só deve reforçar o sentido simbólico. Uma tradição que a pouco e pouco revive."

Jean Mabire

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Diário do Cárcere

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Diário do Cárcere
Corneliu Zelea Codreanu
72 Páginas

Páginas escritas pelo Capitão da Guarda de Ferro durante a sua estadia na Prisão de Jilava. Esta não é uma obra sobre política, é antes o manifesto de um Chefe que, sentido que o fim se aproximava, aceitou voluntariamente o martírio para que o seu exemplo conduzisse à redenção da sua amada Roménia.
Esta obra inclui também alguns textos de outros autores sobre Codreanu, incluindo o importantíssimo prefácio escrito por Alberto Ezcurra para a edição Argentina, imprescindível para a compreensão da vida e obra de Corneliu Zelea Codreanu.

Dia d'O Diabo

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Nivelamento por baixo

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"A conclusão que se deduz nitidamente de tudo isto, é que a uniformidade, para ser possível, suporia seres desprovidos de todas as qualidades e reduzidos a simples «unidades» numéricas; é por isso que uma tal uniformidade nunca é realizável de facto, e todos os esforços feitos para a realizar, nomeadamente no domínio do humano, só podem ter como consequência o desprover mais ou menos completamente os seres das suas qualidades próprias, e desse modo, fazer deles qualquer coisa parecida com simples máquinas, porque a máquina, produto típico do mundo moderno, é bem aquilo que representa, ao mais alto grau jamais atingido, a predominância da quantidade sobre a qualidade. É para isso que tendem, do ponto de vista social, as concepções «democráticas» e «igualitárias», para as quais todos os indivíduos são equivalentes entre si, o que leva à suposição absurda de que todos devem estar igualmente aptos para tudo; esta «igualdade» é algo de que a natureza não oferece nenhum exemplo, pelas razões que acabámos de indicar, já que se assim fosse, ela não seria mais do que uma completa semelhança entre os indivíduos; mas é evidente que, em nome desta pretensa «igualdade», um dos «ideais» ao invés mais caros ao mundo moderno, fazem os indivíduos o mais semelhantes que a natureza permite, e para isso, primeiro que tudo, pretendendo impor a todos uma educação uniforme. É claro que, como não se pode suprimir inteiramente a diferença das aptidões, essa educação não dá em todos os mesmos resultados; mas também é verdade que, se é incapaz de dar a certos indivíduos as qualidades que eles não têm, pelo contrário, é capaz de abafar noutros todas as possibilidades que ultrapassam o nível comum; é assim que o «nivelamento» se faz sempre por baixo."

René Guénon
in "O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos", Publicações Dom Quixote, 1989.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Méridien Zéro e o cinema

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Mais uma edição do programa Méridien Zéro, como sempre às 22 horas portuguesas. A emissão de hoje é dedicada à sétima arte, e aos filmes indispensáveis da cinemateca militante. Como sempre, o programa pode ser escutado através da Radio Bandiera Nera.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O Último Homem

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"Ai! Aproxima-se o tempo em que o homem se tornará incapaz de gerar uma estrela dançante. Ai! o que se aproxima, é a época do homem mais desprezível, do que nem se poderá desprezar a si mesmo.
Olhai! Vou-vos mostrar o Último Homem:
«O que é amar? O que é criar? O que é desejar? O que é uma estrela?» Assim falará o Último Homem, piscando o olho.
A terra ter-se-á então tornado exígua, nela se verá saltitar o Último Homem, que apouca todas as coisas. A sua espécie é tão indestrutível como a do pulgão; o Último Homem será o que viver mais tempo.
«Descobrimos a felicidade», dirão os Últimos Homens, piscando o olho.
Terão abandonado as regiões onde a vida é dura; pois precisam de calor. Ainda armarão o próximo e se roçarão por ele, porque é necessário calor.
A doença, a desconfiança hão-de parecer-lhe outros tantos pecados; é só preciso ver onde se põem os pés! Insensato é aquele que ainda tropeça nas pedras e nos homens!
Algum veneno de vez em quando coisa que proporciona sonhos agradáveis. E muito veneno para acabar, a fim de ter uma morte agradável.
Trabalhar-se-á ainda, porque o trabalho distrai. Mas ter-se-á cuidado para que esta distracção nunca se torne cansativa.
Uma pessoa deixará de se tornar rica ou pobre, são duas coisas demasiado penosas. Quem quererá ainda governar? Quem quererá ainda obedecer? São duas coisas demasiado penosas.
Nenhum pastor e um só rebanho! Todos quererão a mesma coisa, todos serão iguais; quem quer que tiver um sentimento diferente entrará voluntariamente no manicómio.
«Noutro tempo toda a gente era doida», dirão os mais sagazes, piscando o olho.
Ser-se-á sagaz, saber-se-á tudo o que se passou antigamente; desta maneira se terá com que zombar sem cessar. Ainda haverá querelas, mas depressa surgirá a reconciliação, com medo de estragar a digestão.
Ter-se-á um poucochinho de prazer durante o dia e um poucochinho de prazer durante a noite; mas reverenciar-se-á a saúde.
«Descobrimos a felicidade», dirão os Últimos Homens, piscando o olho."

Friedrich Nietzsche
in "Assim Falava Zaratustra", Guimarães Editores (2004).

Mais ou menos

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Boletim Evoliano #11

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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A Orquestra do Titanic

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«Essas modestas páginas culturais que sobrevivem, opinei, servem para não nos resignarmos. Para fazer com que, pelo menos, aos imbecis e aos ignorantes lhes sangre o nariz. Para nos recordar que ainda é possível pensar como gregos, lutar como troianos e morrer como romanos. Para aceitar, por fim, o ocaso de um mundo e o começo de outro no qual não estaremos; e fazê-lo serenos, jogando às cartas no salão cada vez mais inclinado do barco que se afunda, enquanto pelas escotilhas abertas, entre os gritos dos que pensavam ser possível escapar ao seu destino — "O barco era insubmergível", reclamam os imbecis —, soam os compassos da velha orquestra que nos justifica e nos consola.»

Arturo Pérez-Reverte

Go East

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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Honra e fidelidade

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«Interessei-me — com uma sombria paixão — pelos soldados perdidos e pelos profetas solitários. Admirava os que resistem quando todos abandonam, os que recusam quando todos aceitam, os que permanecem fiéis quando todos atraiçoam. Admirava os que surgiam nas derrotas e as enfrentavam serenamente. Admirava aqueles que se retiram quando se anuncia a vitória e desaparecem na sombra, antes de ver transfigurado o seu sonho no preciso momento em que, como dizia Peguy, "a mística se transforma em política".»

Jean Mabire
in "Thule — Le Soleil retrouvé des Hiperboréens".

Quem lê o Dissidente?

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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sidónio Pais

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Nascido a 1 de Maio de 1872, Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais tornou-se um fenómeno relâmpago que, em apenas um ano e seis dias, conseguiu reunir os mais antagónicos apoios, liderar um golpe de Estado, congregar o apoio de toda a população, reformar o regime, reprimir rebeliões, escapar a um atentado e ser assassinado num outro.

Nascido em Caminha, a 1 de Maio de 1872, órfão de pai e irmão de 5, Sidónio divide a sua formação entre o Exército e a Universidade, onde acaba por se tornar catedrático como lente de Matemática, em Coimbra. Chega a vice-reitor dessa universidade no próprio ano da revolução de 1910. Tendo a sua actividade política começado entre grupos de conspiração republicana, apenas daria um contributo verdadeiramente activo na sequência da implantação da República.

Em 1912 é enviado como embaixador para Berlim. Aí permanecerá por 4 anos, no decorrer dos quais o seu pensamento e visão política se transforma, degenerando da sua prévia formação republicana. Com o advento da I Guerra Mundial e com o posicionamento português ao lado dos Aliados, Sidónio regressa a Lisboa, em 1916, onde é feito major. Não está contente com o rumo dado às relações externas portuguesas. Sidónio crê firmemente que, finda a guerra, a vitória será alemã e logo, considera que Portugal está no lado errado das trincheiras. Aprendera a admirar a eficácia do sistema presidencialista alemão, a disciplina daquele povo e de suas instituições. É isso que sonha para Portugal, e, no envio de tropas portuguesas para a frente de guerra vê o desbaratar de vidas por uma causa em que já não se revê.

Nos 10 meses que se seguem, Sidónio prepara um golpe militar que visa a destituição do Governo e a imposição de uma nova ordem. Não lhe foi difícil fazê-lo, na verdade, desde a Direita mais conservadora às esquerdas mais radicais, os apoios multiplicavam-se em torno do seu carisma. Reuniu monárquicos e socialistas, militares e clérigos, patrões e proletários, e na tarde de 5 de Dezembro de 1917, inicia um movimento que se conclui em 3 dias com o derrube do governo e a instituição de uma Junta Militar. “Dar estabilidade e prestígio à República e engrandecer e honrar o país”, é o ponto-chave do seu programa de Governo, que apresenta no dia 12 de Dezembro, para além da instituição do regime presidencialista. Começa então uma série de viagens por todo o país e, de Norte a Sul, Sidónio é aclamado por multidões em histeria. Note-se que 1918 foi um ano particularmente dramático, aliando-se à instabilidade económica (resultante da guerra) uma forte epidemia e mortandade, a população pedia ordem, trabalho, comida, justiça e nada disto encontrava com os sucessivos governos dos partidos instalados no poder, os quais Sidónio apelidava de “demagogos”.

A acção social por ele promovida logrou um apoio ainda maior da população, instituindo a “sopa dos pobres”, visitando hospitais e orfanatos, etc. A sua política de proximidade criou um verdadeiro coro de apoio àquele que Fernando Pessoa imortalizaria como o “Presidente-Rei”. Contudo, a sua tendência ditatorial, bebida na disciplina da hierarquia militar, cedo lhe valeu grandes inimizades. A proximidade que veio a estabelecer com os sectores mais conservadores e monárquicos, afastou o apoio socialista e sindical. Por outro lado, o ostracismo a que votou os tradicionais partidos republicanos, valeu-lhe a oposição da Maçonaria.

Dando-se por concluída a acção do seu governo provisório e convocando-se eleições, com sufrágio pela primeira vez universal, é a 28 de Abril de 1918 que Sidónio Pais será eleito Presidente da República. De Maio a Dezembro desse ano, sucedem-se os focos de rebelião e de contra ofensivas governamentais que aumentam a instabilidade do novo regime. O restabelecimento da censura prévia, a prisão política de dezenas de conspiradores, a proibição de manifestações sindicais, etc., move contra Sidónio todo um imenso leque de interesses económicos, sociais e políticos que ele procurou contrariar frontalmente. O regime assentava num só homem e morto o homem, acabava-se com a sua obra. Não obstante, permaneceu sempre ovacionado e querido pelo povo, que lhe reconhecia a delicadeza no trato, a honestidade no olhar e a força na acção.

Na noite de 14 de Dezembro, ele está decidido a embarcar no comboio rumo ao Porto, onde o aguardam tumultos populares. Todos lhe pedem para que fique, garantem-lhe não ser segura a viagem e que o aguardam os conspiradores. Sidónio responde-lhes: “Ou eles, ou eu!” e ruma ao Rossio. É então que, por entre um grande aparato policial e uma imensa multidão de aplausos e vivas, uma arma fura o cordão policial, e quando o major transpõe a entrada do grande átrio da estação, são disparados 2 tiros que o deitam por terra. Disseram, os que o agarraram, que antes de falecer suspirara a frase: “Morro, mas morro bem. Salvem a Pátria”.

Sardinha com espinha

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"Não há dúvida que nos achamos em frente de uma demorada e dolorosa crise. As reivindicações das camadas operárias crescem ameaçadoras, enegrecendo de apreensões o horizonte já carregado das incertezas mais sombrias. Apregoa-se, vai em século e meio, a soberania do povo e só descobrimos ocupando-lhe o lugar o capitalismo mais desaforado e mais omnipotente. É o oiro quem manda desbragadamente. Manda a agiotagem como nunca. Reina a bancocracia. Um feudalismo pior que o outro, visto não conhecer nenhuma limitação de natureza espiritual nem resultar das necessidades históricas de sociedade, — um feudalismo, pior que o outro, escraviza a produção nas suas tenazes de ferro, ao mesmo tempo que entoa a ária estafada dos chamados Direitos do Homem."

António Sardinha
in "Durante a Fogueira", 1927.

Dia d'O Diabo

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Alain de Benoist e António Marques Bessa na apresentação da revista Finis Mundi

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The Pipe, uma história de resistência

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Freikorps

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«Os homens dos corpos-francos são filhos da guerra, da derrota e da revolução de Novembro. São parentes próximos dos arditi de Fiume e dos esquadristas que surgem um pouco mais tarde em Itália, constituindo um tipo de homem muito específico que não se voltará a ver. Foram moldados em primeiro lugar pelo combate de trincheiras na guerra. Esta fez a triagem entre os homens que a prova esmagou do ponto de vista nervoso ou moral e aqueles que dela saíram mais fortes e mais duros do que antes. Jünger compará-los-á aos lansquenetes, soldados mercenários de outrora cuja única pátria era a sua bandeira. São homens entre os quais a guerra aboliu qualquer espécie de diferença social, nivelando-os por um padrão sem qualquer relação com a vida civil. Substituíram as distinções de classe pelas da audácia e da coragem. E foi essa nova escala de valores que eles quiseram mais tarde transpor para a sociedade civil do pós-guerra. À sua maneira, são socialistas. Mas o seu socialismo é militar, sem nada a ver com a busca da segurança e da felicidade material. Não reconhecem outra hierarquia que não seja a do mérito. Todos partilham a mesma fé no poder da vontade e um gosto evidente pelos métodos expeditos.»

Dominique Venner
in "O Século de 1914. Utopias, Guerras e Revoluções na Europa do Século XX", Civilização Editora (2009).

domingo, 12 de dezembro de 2010

Solstício de Inverno Terra e Povo

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Como habitualmente, a Associação Terra e Povo assinalará a mudança de ciclo no próximo Solstício de Inverno. A cerimónia terá lugar no próximo dia 18 de Dezembro. Os interessados podem contactar através do endereço de correio electrónico terraepovo@gmail.com.

Fonte: Terra e Povo.

Méridien Zéro contra a polícia do pensamento

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A edição de hoje do programa Méridien Zéro tem como convidado o advogado e ensaísta Éric Delcroix, numa emissão dedicada às questões da polícia do pensamento, das leis liberticidas e da deriva do Direito. Como habitualmente, o programa francês da Radio Bandiera Nera tem início às 22 horas portuguesas.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Marafonas

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Tradicionalmente produzidas em terras beirãs, as marafonas constituem uma parte do imaginário cultural popular português raiano, sendo hoje um objecto bastante apreciado pelos muitos turistas que nos visitam. Contudo, na sua origem, a sua finalidade residia em algo mais do que um mero objecto decorativo.
Construídas sobre um corpo de madeira cru em forma de cruz, estas bonecas são, ainda hoje, feitas à base de pedaços de pano e tecidos coloridos, contrastando com os trajes, predominantemente negros, usados tradicionalmente naquela zona de Portugal.
Inicialmente, as marafonas eram usadas como uma espécie de amuleto, um totem destinado a proteger os jovens casais do mau olhado, acreditando-se de igual modo nas particularidades mágicas destas curiosas bonecas, associadas à fertilidade e fecundidade. Colocadas no leito dos casais na noite de núpcias, as marafonas não possuem nem olhos para ver, nem boca para falar, deste modo, os segredos amorosos de quem protegem ficam para sempre a salvo. Neste ponto, podemos ainda remeter as marafonas para uma analogia com a tradição das Maias e dos Maios.
A sua origem perde-se na infinita profundidade da espiral dos tempos, sendo apontadas várias origens etimológicas para o seu nome. A mais famosa recai sobre a origem árabe do nome, derivado da palavra mara haina, ou seja, mulher enganadora. Não obstante, há também quem associe este nome à palavra mãe, partindo do latim matre ou do celtibero matrubos. A segunda parte do vocábulo, fona, sinónimo de faúlha, é apontado como sendo um vocábulo com origem no germânico fon, fogo. Ligando estas três perspectivas sobre a possível génese da palavra marafona, encontramos sem grande dificuldade, uma clara alusão a uma reminiscência ancestral pré-cristã, patente no carácter protector de uma suposta deusa Mãe, representada pela figura da boneca, aliada à metáfora do fogo como sinónimo de amor e paixão.
Apesar da tradição das marafonas ser essencialmente beirã, muito ligada à histórica aldeia de Monsanto, no concelho de Idanha-a-Nova, podemos encontrar variações deste traço folclórico português um pouco mais a Norte, ligado às Festas de Inverno de Trás-os-Montes, bem como a Sul, no Alentejo, onde são igualmente conhecidas por matrafonas.

Fonte: Nova Casa Portuguesa.

Estudantes romanos marcham pela escola pública

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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A beleza da acção

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«Quanto mais cresce o conformismo dos intelectuais, mais me interrogo se um intelectual não tem o dever de submeter à crítica este conformismo e escolher uma existência mais aventureira. Como se isto fosse pouco, difunde-se hoje estupidamente, entre outras coisas, o denominado "socialismo de salão" da elite intelectual, cuja influência social é notória. As mães gritam que não é lícito por nas mãos dos seus filhos armas de brinquedo, e que na escola a obrigação de organizá-los por filas e lhes atribuir um número são reminiscências do militarismo. Por isso, agora, os estudantes reúnem-se numa desordem ociosa, como se fossem parlamentares.»

Yukio Mishima
in "Tate no Kai", 1968.

«Portugal é uma Raça constituindo uma Pátria»

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"A ideia de Pátria inclui a de Raça, conforme o significado que demos a esta palavra. Todavia, esta ideia pode sobreviver àquela, na qual se contém a ideia de independência política. A raça polaca sobreviveu à pátria polaca.
Uma Raça independente, sob o ponto de vista político, é uma Pátria.
Há muitos povos independentes que constituem reinos, Nações, Impérios, mas não uma Pátria. A Áustria, por exemplo, é uma Administração, conforme lhe chamava Mazzini. Queria ele dizer que lhe faltavam as qualidades próprias que definem uma Raça.
Os Estados americanos representam Pátrias ainda em formação. É natural que, sob a influência dos séculos e do meio, comecem a criar e a fixar um certo número de qualidades originais que se tornem verdadeiras Pátrias, no futuro.
A Raça portuguesa, antes de ser uma Pátria e mesmo nos primeiros tempos da sua independência, vivia como que latente e diluída nos outros povos da Ibéria. Mas o esboço primitivo definiu-se e a nítida figura apareceu. A Língua e os sentimentos por ela traduzidos cristalizaram, destacando-se, em alto-relevo, da confusão originária.
E Portugal é uma Raça constituindo uma Pátria, porque, adquirindo uma Língua própria, uma História, uma Arte, uma Literatura, também adquiriu a sua independência política."

Teixeira de Pascoaes
in «Arte de Ser Português», Assírio & Alvim (2007).

Ler é resistir

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Simplicidade voluntária

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«A expressão "simplicidade voluntária" foi popularizada nos Estados Unidos por Duane Elgin no seu livro publicado em 1981 Voluntary Simplicity; Elgin atribuia a paternidade do conceito a Richard Gregg, um adepto de Gandhi que havia escrito em 1936 um artigo com esse título. Da minha parte, escrevi uma primeira versão de La simplicité volontaire em 1985, no âmbito de uma colecção de livros sobre saúde; a minha reflexão sobre a saúde tinha-me levado à conclusão que nos países industrializados, a maior parte dos nossos problemas de saúde são derivados do sobre-consumo e que a nossa busca de saúde nos devia levar a um estilo de vida mais sóbrio, claramente contra a corrente. Dizia:  A simplicidade não é a pobreza, é um despojar que nos deixa mais espaço para o espírito, para a consciência. É um estado de espírito que nos convida a apreciar, a saborear, a procurar a qualidade, é uma renúncia aos artefactos que pesam, incomodam e impedem de ir até ao fim das possibilidades". Voltei a escrever o meu livro numa reedição aumentada em 1998, desta vez insistindo nos efeitos sociais e ecológicos do nosso consumo excessivo: "Hoje em dia, dou-me conta que a via da simplicidade voluntária não constitui simplesmente o melhor caminho para a saúde, mas é sem dúvida a única esperança para o futuro da humanidade".»

Serge Mongeau
in "Vers la simplicité volontaire".

Os homens livres escutam Radio Bandiera Nera

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A Radio Bandiera Nera (RBN), emissora digital da CasaPound, continua a sua actividade, convertida em referência europeia do squadrismo mediático não-conforme. Criada em Julho de 2007, a RBN emite a partir de quatro pontos de Itália e de diferentes países europeus. Pode ser escutada 24 horas, sete dias por semana, levando através da rede mensagens dissidentes e vanguardistas.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A Era do Álibi

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«Os cientistas oficiais preferem explicar o Estado pela luta de classes, o canibalismo pela deficiência em proteínas, guerra pelas indústrias de armamento e pelo capitalismo, a droga pela falta de amor, o crime pela frustração, e assim por diante. O ciclo cultural que nos integra culminou afinal numa gigantesca Era do Álibi. Tudo está desculpado. Ninguém tem culpa de nada.»

António Marques Bessa
in "Ensaio sobre o Fim da Nossa Idade", Edições do Templo (1978).

Skoll - Comandante Massoud

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Massoud, o leão de Panjshir

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Ahmad Shah Massoud foi um carismático líder militar afegão. Na sua luta por um país livre, combateu primeiro o Exército Soviético e depois os fundamentalistas talibãs. Respeitado por grande parte da população afegã, ganhou a alcunha de Leão de Panjshir, graças à sua coragem e determinação.

Após completar o curso de engenharia em Kabul, Massoud, de origem Tajik, regressa à sua terra-natal para combater o invasor soviético, onde rapidamente reune um pequeno exército. Utilizando tácticas de guerrilha, torna-se a face mais visível da resistência afegã ao domínio comunista. No início da década de 90, depois da retirada soviética, assumiu a pasta da Defesa no governo liderado por Burhanuddin Rabbani. Com ascensão dos fundamentalistas talibãs, apoiados pelo Paquistão, o governo acabaria por cair. Em 1996, com a tomada de Cabul, Massoud refugiou-se com as suas tropas nas áreas montanhosas do Norte do país. Aí, tornou-se líder militar da Frente Islâmica pela Salvação do Afeganistão, mais conhecida como Aliança do Norte. Resistindo ao regime fundamentalista, a coligação controlava (até 2001) cerca de 10% do território do país e aproximadamente 30% da população. Daqui, Massoud continuou o seu combate por um Islão democrático e um Afeganistão livre.

Em Setembro de 2001, a poucos dias do ataque às Torres Gémeas de Nova Iorque, Massoud é assassinado num atentado suicida, executado por dois talibãs que se faziam passar por jornalistas. Para grande parte do povo afegão, Massoud é considerado um herói, pelo seu carisma, simplicidade e determinação.

Dia d'O Diabo

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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O fim do mundo está a chegar

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Homens nobres

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«Para mim, nobreza é sinónimo de vida esforçada, sempre disposta a superar-se a si mesma, a transcender-se do que é para o que se propõe como dever e exigência. Desta maneira, a vida nobre opõe-se à vida vulgar e inerte que, estaticamente, se reclui em si mesma, condenada a perpétua imanência, desde que haja uma força exterior que a obrigue a sair de si. Daí que chamemos massa a este modo de ser homem — não tanto porque seja multitudinário, mas porque é inerte.
Conforme se avança na existência, uma pessoa farta-se de observar que a maior parte dos homens — e das mulheres — são incapazes de outro esforço que o estritamente imposto como reacção a uma necessidade exterior. Por isso ficam mais isolados e como que monumentalizados na nossa experiência os pouquíssimos seres que conhecemos capazes de esforço espontâneo e luxuoso. São os homens selectos, os nobres, os únicos activos e não só reactivos, para os quais viver é uma tensão perpétua, um treino incessante. Treino = askesis. São os ascetas.»

Ortega y Gasset
in «A Rebelião das Massas», Relógio d'Água.

domingo, 5 de dezembro de 2010

sábado, 4 de dezembro de 2010

Zona de Guerra

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Por uma cidade de dimensão humana

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«O urbanismo sofre desde há cinquenta anos a ditadura da fealdade, do sem-sentido e do curto prazo: cidades-dormitório sem horizonte, zonas residenciais sem alma, subúrbios cinzentos que servem de esgotos municipais, intermináveis centros comerciais que desfiguram a entrada das cidades, proliferação de "não-lugares" anónimos concebidos para utentes apressados, centros urbanos exclusivamente dedicados ao comércio e aos que foram despojados do seu ambiente tradicional (cafés, universidade, cinemas, teatros, praças, etc), justaposição de imóveis sem um estilo comum, bairros degradados e entregues ao abandono ou, pelo contrário, permanentemente vigiados por guardas e câmaras de vigilância, desertificação rural e sobrepopulação urbana...
Já não se constroem habitats para viver, mas para sobreviver num ambiente urbano desfigurado pela lei da rentabilidade máxima e da funcionalidade racional. Ora, um habitat é antes de mais um habitat: trabalhar, circular e habitar não são funções que podem ser isoladas, mas antes actos complexos que afectam a totalidade da vida social. A cidade deve ser repensada como o local de encontros de todas as nossas potencialidade, o labirinto das nossas paixões e das nossas acções, em vez de expressão geométrica e fria da racionalidade planificadora. Arquitectura e urbanismo inscrevem-se, por outro lado, numa história e geografia singulares, e devem ser o seu reflexo. Isto implica a revalorização de um urbanismo enraizado e harmonioso, a reabilitação dos estilos regionais, o desenvolvimento das vilas e das pequenas cidades em forma de rede, em torno de cidades regionais, a promoção das zonas rurais, a destruição progressiva das cidades-dormitório e das concentrações estritamente comerciais, a eliminação de uma publicidade omnipresente, assim como a diversificação dos meios de transporte: abolição da ditadura do automóvel individual, transporte ferroviário de mercadorias, revitalização do transporte colectivo, consideração pelos imperativos ecológicos...»

Alain de Benoist

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Extremo-Oriente

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Ânsia de uniformização e, portanto, de deformação

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«O mundialismo (...) é sobretudo uma coisa: ânsia de uniformização e, portanto, de deformação. Exalta e anima a destruição das diferenças e da qualidade, não só no âmbito sócio-cultural e político mas também no quotidiano, em todos os campos, desde a esfera intelectual à alimentação. O seu ideal é uma sociedade unificada e governada por uma classe dirigente dedicada a modelar o planeta, com o objectivo de fazer de cada um dos seus habitantes apenas e exclusivamente o fruto da mundialização. E sobretudo que não tenha nada de antigo ou herdado. Portanto, o mundialismo é uma ideologia fanática da globalização, como foi o comunismo a ideologia fanática da proletarização.»

Gabriele Adinolfi
 
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