quinta-feira, 31 de março de 2011

O Homem e a Natureza

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"O escritor norueguês Knut Hamsun, galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1920, voltou a ser editado em Portugal em 2008 graças à Cavalo de Ferro, com a publicação de "Fome", traduzido por Liliete Martins e com prefácio de Paul Auster. Desta vez, mais recentemente, lançou uma nova edição de "Pan" (capa mole, 184 páginas, 18,00 euros), traduzida por João Cruz e Mário Cruz, obra que havia sido publicada em 1955, pela Guimarães, com tradução de César Frias. E não ficará por aqui, já que está anunciada para breve a publicação de "Victoria".
Hamsun é um autor bastante polémico devido ao seu apoio ao movimento de Vidkun Quisling e à Alemanha nacional-socialista durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1943 foi recebido por Hitler, a quem se queixou do administrador militar alemão na Noruega, para descontentamento do führer. De seguida, ofereceu a sua medalha do Nobel a Goebbels. Depois da morte de Hitler escreveu um elogio póstumo onde o considerou "um guerreiro pela humanidade". Todas estas atitudes valeram-lhe a classificação de "colaborador", a expropriação dos seus bens e um internamento psiquiátrico já em idade bastante avançada.
No entanto, apesar de hoje começar a ser reabilitado enquanto escritor e a voltar a ter reconhecimento no seu país, é sempre alvo de críticas devido às suas simpatias políticas e colocado no lado dos "malditos". Seja como for, independentemente do seu posicionamento num período histórico datado, a sua genialidade e a sua qualidade literária são inegáveis.
"Pan", uma das suas obras de maior sucesso e mais reconhecidas, foi publicado originalmente em 1894 e escrito durante o período em que Hamsun esteve em Paris. Parece, talvez por isso, uma fuga para um Verão idílico nórdico que o autor desejaria. A história tem como protagonista o tenente Thomas Glahn, antigo militar e caçador, que vive sozinho numa cabana no bosque, apenas com Esopo, o seu fiel companheiro canino. Este fala-nos da primeira pessoa e o livro, de início, parece um diário. Glahn vai encontrar a jovem Edwarda e apaixona-se profundamente. No entanto, as múltiplas infidelidades dela transformarão esta paixão em tragédia.
Em "Pan", encontramos principalmente a ligação do homem à Natureza, à paisagem que o envolve e o simbolismo do ciclo das estações do ano, manifestações do panteísmo pessoal de Hamsun e da sua profunda aversão à civilização urbana e ao progresso.
Uma obra-prima da literatura da autoria de quem Thomas Mann considerou "o maior escritor de sempre". Absolutamente indispensável."

Duarte Branquinho
in "O Diabo", n.º1786, 22 Março 2011.

O que é a verdade?

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"O que é a verdade? Para a multidão é aquilo que continuadamente lê e ouve. Uma pequena gota perdida pode cair algures e reunir terreno para determinar “a verdade”, mas o que obtém é apenas a sua verdade. A outra, a verdade pública do momento, que é a única que interessa para resultados e sucessos no mundo dos factos, é, hoje em dia, um produto da imprensa. O que a imprensa quer torna-se verdade. Os seus dirigentes evocam, transformam, permutam verdades. Três semanas de trabalho da imprensa, e a verdade passa a ser reconhecida por toda a gente."

Oswald Spengler

quarta-feira, 30 de março de 2011

Dois lados da mesma moeda

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Desabafo final

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"Com o sentido de Estado, patriotismo, inteligência, bom senso e jeito a que nos habituaram os protagonistas principais, estamos em mais uma crise política. No termo dela teremos todos, os cidadãos eleitores, possibilidade de voltar a exercer o nosso dever cívico, a alegria democrática de escolher livremente os nossos representantes. Ou de optar pelo "sagrado direito de não ligar".
Não sei nem me interessam — como à maioria das pessoas normais que restam neste país — as recriminações ou exercícios de estilo de quem tem a culpa de quê e que vão ser, com muita palha e algum lixo, os pratos fortes da campanha.
Talvez até também tenha a minha quota de culpa, pois se não me satisfazem esta classe política e estes partidos, podia ter tentado arranjar outros ou colaborar com quem o quis fazer.
Mas também não é esse agora o ponto, embora a direita tenha culpas neste cenário pelo seu absentismo político-partidário. Tem quem pense, quem historie, quem escreva, quem opine, quem influencie, mas abdicou, desde o 25 de Abril, de ter representação política própria. Assim, resta-lhe ausentar-se, abster-se, ou escolher o mal menor entre o que há. Que é o que foi fazendo.
Mas a ausência dos valores políticos nacionais, que a direita portuguesa em tempos representou, contribuiu para o estreitar das opções políticas entre uma esquerda histórica que nunca se liberta da naftalina comunista, uma esquerda bloquista politicamente correcta, que se preocupa com transcendências como a cor dos pensos rápidos (é discriminatório serem só brancos, vejam-me a profundidade da criatura!); e um centrão oscilante entre o neo-liberalismo de algum PSD e CDS e o socialismo democrático do resto do PSD e do PS. Apesar de nestes partidos — PS, PSD, e CDS — haver gente com valor individual, sentido patriótico e capacidade política, o que acaba a dominar as campanhas e os aparelhos são os caciques dos negócios ou da militância, mais os inefáveis "filhos da casa", isto, é os oriundos das "juventudes".
A ausência na III República de uma direita política, com uma agenda de princípios nacionais (quem defende a independência e a identidade da nação, mesmo num quadro institucional europeu?) de defesa dos valores de orientação permanente ligados à moral cristã, e de princípios próprios quanto à economia e sua dimensão social, atirou-nos para esta alternativa diabólica entre as utopias igualitárias e a absoluta confiança nos mercados (patética depois da crise financeira de 2008).
Com esta nova crise política, para além dos protagonistas principais, vem outro espectáculo degradante pela pobreza mental dos intervenientes e das sugestões, (que nestes tempos se multiplicam) o grosso dos debates políticos, jornalísticos e analíticos em volta duma história interminável da crise, das culpas, do que se podia fazer, do que se vai fazer, do que já não se pode fazer.
Vem aí outra vez tudo isto, e mais — em quantidade — do mesmo. Os malabarismos dos que se agarram para ficar onde estão e os daqueles que saltitam para lá chegar, são um espectáculo pouco edificante. Será precisa muita paciência. Que é o que mais falta."

Jaime Nogueira Pinto
in i, n.º590, 28 Março 2011.

terça-feira, 29 de março de 2011

O Desenvolvimento das Relações Luso-Sérvias

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A escravatura dos novos tempos

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"O que se deve antes salientar é que se houve alguma vez uma civilização de escravos em grande escala, foi exactamente a civilização moderna. Nenhuma civilização tradicional viu alguma vez massas tão numerosas serem condenadas a um trabalho obscuro, sem alma, automatizado, a uma escravatura que nem sequer tem como contrapartida a elevada estatura e a realidade tangível das figuras de senhores e de dominadores, mas que é imposta de maneira aparentemente inofensiva pela tirania do factor económico e pelas estruturas absurdas de uma sociedade mais ou menos colectivizada. E como a visão moderna da vida, no seu materialismo, retirou ao indivíduo todas as possibilidades de conferir ao seu próprio destino um elemento de transfiguração, de ver nele um sinal e um símbolo, assim a escravidão de hoje em dia é a mais tenebrosa e a mais desesperada de todas as que foram alguma vez conhecidas."

Julius Evola
in "Revolta contra o Mundo Moderno", Publicações Dom Quixote.

Dia d'O Diabo

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segunda-feira, 28 de março de 2011

Sobre o 'rating' da alma nacional

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"Algumas das principais agências de notação financeira voltaram a baixar a classificação de Portugal esta semana. Por este andar, o País ainda vai acabar no fim do alfabeto do rating, com um ZZZ ou coisa que o valha chapado na testa, e a exigir o recurso a uma lupa para se detectar algum vestígio de credibilidade económica.
Se existissem equivalentes da Fitch, da Moody's ou da Standard and Poor's para avaliar o estado geral das nações e o sentimento colectivo dos seus habitantes, e não apenas a sua fiabilidade financeira junto dos mercados e dos credores, já teriam registado que a classificação de Portugal enquanto País tinha descido mais fundo do que um submarino a mergulhar a pique na Fossa das Marianas.
De país, aliás, isto tem cada vez menos. O único factor de união e identificação sobrevivente entre os portugueses parece ser mesmo o futebol ao nível de selecção. Aliado a uma execração espessa e ácida da classe política e suas aderências.
Uma qualquer Moody's que viesse fazer o rating da entidade colectiva chamada Portugal , registaria que deslizámos sucessivamente, de lugar para sítio, de sítio para quintal, e de quintal para canto. E que caímos de povo para massa de gente. Uma gente outrora forte que passou depois a ser fraca, e a seguir foi empurrada para a beira da inanição. Não é só económica e financeiramente que o País está com a corda na garganta e a precisar de reanimação maciça. É também psicológica, intelectual e animicamente. José Gil, que escreveu Portugal, hoje - O Medo de Existir, poderia agora assinar uma continuação: Portugal, hoje - O Doente de Existir."

Eurico de Barros
in Diário de Notícias, 26 Março 2011.

Manhã d'armas

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Rodrigo Emílio de Alarcão Ribeiro de Mello
(18 de Fevereiro 1944 ― 28 de Março de 2004)


Ombros em onda. Ondas pardas.
Ronda de fardas e fardas.
Corpo de guerra, em renovo!
Fulgurações marciais
De espingardas.
Sobre Terra, vibram cardas:
― impressões digitais
de todo um Povo!

Ó armas e barões assinalados,
Em resplendor recortados
Sob um céu azul castor!
― Surtos de todos os lados,
no horizonte avassalador,
Soldados ao Sol dados.
Soldados, Senhor!
Rodrigo Emílio
in "Mote para Motim", 1971.

domingo, 27 de março de 2011

Méridien Zéro recebe Alain Soral

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A emissão de hoje do programa Méridien Zéro tem como convidado Alain Soral, conhecido ensaísta, escritor e realizador francês. Definindo-se a si próprio como «intelectual francês dissidente», Soral passou pelo Partido Comunista Francês e pelo comité central do Front National. Fundou em 2007 a associação Égalité et Réconciliation, grupo de «esquerda nacionalista» ao qual preside. «Comprendre l'empire» é o título do seu mais recente livro, um ensaio sobre o poder que desmonta a forma como a banca se tornou o verdadeiro império mundial. Lançado no último mês de Fevereiro, o livro entrou imediatamente no top de vendas da Amazon, alcançando o 18º lugar. Como habitualmente, este programa pode ser escutado através da Radio Bandiera Nera, a partir das 22 horas portuguesas.

sábado, 26 de março de 2011

Descolonização e Independência em Moçambique

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Descolonização e Independência em Moçambique - Factos e Argumentos
Henrique Terreiro Galha
Esfera do Caos Editora
280 Páginas

A independência de Moçambique, realizada precipitadamente, poderia e deveria ter sido concedida de uma forma radicalmente distinta ― é esta a tese central deste livro.
Numa linguagem simples, na língua que o povo fez, o autor explica-nos em que circunstâncias e por que razão foram cruel­mente abandona­dos e sacrificados milhares de portugueses brancos, negros e mestiços… apenas porque tiveram a infelicidade de nascer em África.
Tendo investigado detalhadamente o pro­cesso da descolonização de Moçambique e tendo vivido os acontecimentos, o autor acusa, revela factos desconhecidos, apresenta argumentos politicamente incorrectos e ideias incómodas, sendo que tudo isto está afinal escorado num manancial de registos documentais talvez ímpar.

Encomendar através de: Esfera do Caos Editora, Fnac, Bertrand, Wook.    

sexta-feira, 25 de março de 2011

Homenagem à Comuna de Paris

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O Declínio da Coragem

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"É talvez o declínio da coragem o que mais chama a atenção dum estrangeiro no Ocidente de hoje. A coragem cívica não só desertou globalmente do mundo ocidental mas também de cada um dos países que a compõem (…). Este declínio de coragem é particularmente sensível na camada dirigente e na camada intelectual dominante e daí vem a impressão de que foi de toda a sociedade que a coragem desertou. (…) Os funcionários públicos e intelectuais patenteiam este declínio, esta fraqueza e esta irresolução, tanto nos seus actos como nos seus discursos e, mais ainda, nas suas considerações teóricas que fornecem com toda a complacência, para provarem que esta maneira de agir, que alicerça a política dum Estado na cobardia e no servilismo, é pragmática, racional e justificada, seja qual for o plano intelectual, ou mesmo moral, em que nos coloquemos. Este declínio da coragem que, aqui e ali parece ir até à perda de todo e qualquer vestígio de virilidade, encontramo-lo (…) nos casos em que esses mesmos funcionários sofrem súbitos acessos de valentia e intransigência para com governos sem força de países fracos, que ninguém apoia, ou para correntes condenadas por todos e que, manifestamente, não têm qualquer possibilidade de poder ripostar, ao passo que sentem a língua secar-se-lhe e as mãos paralisarem-se-lhe diante de governos mais poderosos e das forças ameaçadoras (…) da Internacional do terror.
Será preciso lembrar que o declínio da coragem foi sempre considerado como um sinal percursor do fim?"

Alexander Soljenítsin
in "O Declínio da Coragem", Discursos de Harvard, Junho 1978, Lisboa, Ed. Rolim.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Não somos conservadores

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«Não somos conservadores — dada a passividade que a palavra ordinariamente traduz. Somos antes renovadores, com a energia e a agressividade de que as renovações se acompanham sempre. O nosso movimento é fundamentalmente um movimento de guerra. Destina-se a conquistar — e nunca a captar. Não nos importa, pois, que na exposição dos pontos de vista que preconizamos se encontrem aspectos que irritem a comodidade inerte dos que em aspirações moram connosco paredes-meias.»

António Sardinha

Escravos do consumo

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"Compras mobília. Dizes a ti próprio, este é o último sofá de que vou precisar para o resto da minha vida. Compras o sofá e depois, durante um par de anos, sentes-te satisfeito porque, aconteça o que acontecer de errado, pelo menos, conseguiste resolver a problemática do sofá.. Depois é o serviço de pratos certo. Depois a cama perfeita. Os cortinados. A carpete.
Depois ficas encurralado dentro do teu lindo ninho e as coisas que dantes possuías, agora possuem-te a ti."

Chuck Palahniuk
in "Clube de Combate", Casa das Letras.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Os Malditos

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"O nacionalismo é frequentemente assimilado ao fascismo, e este ao nazismo, enquanto que o socialismo nunca é considerado como potencialmente estalinista. A direita é sempre suspeita de «fascismo», enquanto que o comunismo, apesar dos seus erros, é tido como pertencente às «forças do progresso». A venda de um livro nazi suscita veementes protestos (e pode cair na alçada da lei), a de um livro comunista não se presta a nenhum comentário particular. Um velho nazi fica infrequentável para sempre, enquanto que o facto de ter sido comunista não implica nenhuma perda de prestígio nem de estatuto social, mesmo para quem nunca exprimiu arrependimento. O mínimo laço, real ou suposto, com uma ideologia apresentada como tendo, de perto ou de longe, algum parentesco que seja com o nazismo, é uma marca de infâmia indelével que leva à denúnica e ao ostracismo. (...) Pablo Neruda, Bertold Brecht ou Einsenstein são, e com razão, celebrados pelo seu talento. Drieu, Céline ou Leni Riefenstahl, ainda que não vejam negado o seu, continuam envoltos numa aura sulfurosa, que leva a lembrar que «o talento não é desculpa»."

Alain de Benoist
in "Comunismo e Nazismo: 25 reflexões sobre o totalitarismo no século XX (1917-1989)", Hugin Editores (1999).

O valor dos que escolheram o caminho mais difícil

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"Passaram 50 anos sobre o início da guerra de África, com o levantamento da UPA de Holden Roberto, que incendiou todo o Norte de Angola, massacrando milhares de civis de todas as etnias.
Foi o princípio de uma guerra que iria durar 13 anos e mobilizar centenas de milhares de homens em Portugal até ao golpe militar do 25 de Abril de 1974.
Como todas as guerras deste tipo - talvez a mais parecida na Europa tenha sido a guerra da Argélia -, a guerra de África dividiu a opinião portuguesa. De início, e perante a brutalidade da agressão, o governo de Salazar contou com o genuíno apoio da população e mesmo dos meios da oposição democrática, que tinham herdado o patriotismo colonial da Primeira República. Depois do primeiro entusiasmo — a reocupação do Norte de Angola levou vários meses e a guerra estendeu-se à Guiné e a Moçambique em 1963 e 1964 —, as águas foram-se dividindo politicamente. Em 1968, no momento da sucessão de Salazar por Marcelo Caetano, voltou a pôr-se o problema da continuidade política. Nos últimos anos do regime, a "questão da guerra" tornou-se o calcanhar de Aquiles do Estado Novo; embora tenha sido uma questão corporativa - de antiguidades e promoções entre os quadros militares médios — a levar à organização e à revolta do MFA.
Nessa guerra morreram alguns milhares de soldados metropolitanos e muitos mais soldados locais. Muito menos, de qualquer forma, do que morreriam nas guerras civis pós-independência. Mas foi também graças à guerra — e à atenção ao desenvolvimento económico-social dos territórios africanos a que ela obrigou — que estes territórios, sobretudo Angola, tiveram uma época de grande crescimento e desenvolvimento.
Por tudo isto — e por ser o elemento central da nossa modernidade — a guerra de África continua a ser um tema quente e delicado, que os políticos cautelosos afastam e que a esquerda antifascista continua a usar como motivo de queixa e legitimidade.
Por isso é significativo e positivo que o Presidente da República tenha, no cinquentenário, apontado como exemplo de esforço colectivo geracional, aos jovens de hoje, os dessas gerações, que, em anos sucessivos, não fugiram, não desertaram, não abandonaram, e com o seu sacrifício, com o risco do bem-estar e da vida, serviram Portugal e as populações africanas.
Seriam todos uns jovens fascistas dementados pela propaganda do regime? Ou criaturas indefesas, com medo de Salazar e da PIDE? Ou idiotas úteis que não percebiam o que estavam a fazer? Não parece que fossem. Fora um número relativamente escasso de desertores "ideológicos" — isto é, pessoas que, por convicção política, não quiseram servir uma guerra que reprovavam (e eu sei o que isso é, porque fiz o contrário, e desertei quando a guerra acabou para não entregar o que me tinha comprometido a defender) e da emigração económica para a Europa, o Exército não teve dificuldade de preencher as necessidades de homens nas fileiras.
A maioria cumpriu um dever, o que, ensina Pessoa, não é fácil. Deixaram muita coisa que amavam, pessoas e coisas, terras e carreiras. São, independentemente do juízo que se faça sobre a substância e as razões da guerra (e até do seu juízo sobre ela) — pessoas dignas de respeito e imitação. Logo, exemplos.
Cavaco Silva teve o desassombro de o dizer neste momento. E é normal que as esquerdas de serviço manifestassem a sua indignação.
Porque esta é uma pedra-de-toque das poucas questões políticas do nosso passado próximo. Que divide quanto à política, mas que podia unir, quanto ao valor dos que escolheram então o caminho mais difícil."

Jaime Nogueira Pinto
in i, n.º585, 22 Março 2011.

terça-feira, 22 de março de 2011

Regime paradoxal

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"A longo prazo o tempo favorece as nações acorrentadas que, concentrando forças e ilusões, vivem no futuro, na esperança; mas que esperar ainda em liberdade? Ou no regime que a incarna, feito de dissipação, de tranquilidade e de amolecimento? Maravilha que nada tem a oferecer, a democracia é ao mesmo tempo o paraíso e a sepultura de um povo. A vida só através dela tem sentido; mas ela tem falta de vida... Felicidade imediata, desastre iminente — inconsistência de um regime ao qual não aderimos sem nos rasgarmos nos ferros de um dilema que atormenta".

E. M. Cioran
in História e Utopia, Bertrand Editores.

Dia d'O Diabo

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segunda-feira, 21 de março de 2011

Nem um sismo e um maremoto os abate

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«Aqui há uns 30 anos, um conhecido meu que tinha uma loja de modelismo em Lisboa, viajou até ao Japão para contactar os fornecedores de modelos de aviões.
Convidado para um passeio por um deles, foi levado a um jardim onde havia um santuário dedicado à memória dos pilotos kamikaze da II Guerra Mundial. Tocado pela singeleza e beleza do lugar, o meu conhecido, espontaneamente, fez uma pequena homenagem aos mortos ali recordados: uma vénia e algumas pétalas de flores espalhadas em redor. Os anfitriões não fizeram o menor comentário a esta atitude e o passeio continuou, seguido de jantar. Na manhã seguinte, dia da partida para Portugal, o meu amigo tinha à saída do hotel, um grupo de crianças de uma escola de Tóquio agitando bandeiras portuguesas, numa alegre e ordenada "guarda de honra".
Esta tão única maneira de ser dos japoneses, milenarmente apurada pela cultura, pela educação e pela organização social, expressou-se mais uma vez quando do cataclismo que atingiu o país há uma semana. A reserva emocional, a contenção e o estoicismo colectivo de que os nipónicos estão a dar provas face a um desastre destas dimensões têm ficado patentes nas imagens das televisões. Contam-se pelos dedos de uma mão os acessos de choro, as perdas de controlo, as berrarias descompassadas ao gosto latino. A exibição escancarada da dor não tem nada a ver com os japoneses.
Perante isto, e o trabalho das equipas de socorro, ficamos com a convicção de que o Japão estará recuperado e a caminho da normalidade nalguns meses. Alguns povos agigantam-se nas catástrofes, enquanto que outros deixam-se esmagar por elas.»

Eurico de Barros
in Diário de Notícias, 19 Março 2011.

Karen Freedom Fighters

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domingo, 20 de março de 2011

François Duprat, uma vida ao serviço da Europa

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No dia 18 de Março do ano de 1978, às oito horas e quarenta minutos, um atentado criminoso acabava com a vida de um dos principais expoentes da direita radical francesa e do pensamento nacionalista europeu. Um engenho explosivo colocado num automóvel matava o jovem professor e secretário-geral do Front National François Duprat, deixando gravemente ferida a sua mulher, numa estrada próxima da localidade normanda de Caudebec-En-Caux. Tinha 36 anos, era professor de Relações Internacionais no Instituto de Relações Públicas de Paris, professor de História no Colégio de Caudebec, escritor, jornalista e co-fundador e secretário-geral do jovem partido Front National. No movimento nacionalista francês tratava-se sem dúvida de uma figura de primeiro plano e de uma grande promessa política. Um auto-denominado «Commando du Souvenir» reivindicou o atentado horas depois, supostamente numa vingança por Auschwitz. Apesar dos abundantes rumores sobre a autoria deste atentado, os responsáveis nunca foram encontrados.

Duprat nasceu em Ajaccio, na Córsega, a 26 de Outubro de 1941. Realizou os seus primeiros estudos em Bayona e Toulouse, terminando-os em Paris. Licenciado em História em 1963, rapidamente conseguiu um lugar como professor em Paris e na localidade normanda de Caudebec-En-Caux. Politicamente, iniciou-se muito jovem nas fileiras da extrema-esquerda trotskista, inscrevendo-se aos 16 anos na Union de la Gauche Socialiste. No entanto, evolui rapidamente para a extrema-direita, passando sucessivamente pela Jeune Nation e pela Federação de Estudantes Nacionalistas. Pouco depois, tornou-se um dos principais animadores em Toulouse do Parti Nationaliste fundado por Dominique Venner e Pierre Sidos. Muito jovem, torna-se um importante colaborador da revista «Défense de l'Occident» de Maurice Bardèche e documentalista de Roland Gaucher no seu livro «L'Opposition en URSS 1917-1967». Ao terminar os estudos, parte para o Congo, trabalhando na Agência Congolesa de Imprensa, o serviço de propaganda de Moïse Tshombe. Antes de regressar a França, toma ainda parte na guerra do Biafra, através da criação do Comité França-Nigéria. Militante activo dos grupos Occident, GUD e Ordre Nouveau, faz parte do grupo que, juntamente com Jean Marie Le Pen, lança o partido Front National com o objectivo de lançar um instrumento político eficaz e com projecção de futuro. No momento do atentado, Duprat era membro do conselho do FN e secretário-geral do partido. Uma bomba colocada no chassis do carro, algumas semanas após diversos colectivos de extrema-esquerda publicarem a sua morada, local de trabalho e trajectos habituais, pôs fim a uma prometedora vida de luta e serviço à Europa.

Méridien Zéro com Ozon

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O programa Méridien Zéro recebe, na edição de hoje, Laurent Ozon, membro do conselho político do Front National, responsável pela formação de quadros e pelas questões de ecologia. Ozon conta, além disso, com um extenso currículo na área do ambiente, sendo um dos grandes defensores das teorias do localismo.  Como habitualmente, a emissão pode ser escutada através da Radio Bandiera Nera, a partir das 22 horas portuguesas.

sábado, 19 de março de 2011

Lusitânia Terra Amada

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«— É uma coisa que salta aos olhos de quem tenha experiência desta vida — acrescentou. — Sou capaz de apostar que antes de cada acção que eles empreendem se realizam duas assembleias, uma dos homens de Cúrio, a outra dos de Apuleio, e depois disso os dois ainda discutem os pormenores. Connosco, é bem diferente: ao ser eleito, o nosso chefe recebe o mandato de Bandua. Ninguém discute as suas ordens e só ele pode convocar a assembleia. Por isso, somos melhores.»

João Aguiar
in "Uma Deusa na Bruma", Asa Editores.

Etologia

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Etologia
Colectivo Nova Geração
Edições Réquila
56 Páginas

Neste trabalho o Colectivo Nova Geração dá-nos a conhecer, numa linguagem bastante acessível, os fundamentos desta desconhecida ciência e da maneira como os etólogos conseguiram deitar por terra as crenças esquerdistas do "bom selvagem" e do mito da igualdade natural entre os seres humanos.

Encomendar através de: Edições Réquila.   

sexta-feira, 18 de março de 2011

Drieu La Rochelle

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Cumpriu-se, no último dia 14 de Março, o sexagésimo sexto aniversário do desaparecimento do escritor francês Pierre Drieu La Rochelle, nascido a 3 de Janeiro de 1893 em Paris, no seio de uma família de origens normandas. Escreveu sobre ele Alistair Hamilton, na sua obra «The Appeal of Fascism: A Study of Intellectuals and Fascism 1919-1945», que «a oposição ao capitalismo foi o seu primeiro ideal, a ideia de uma federação de Estados europeus o segundo». Crescendo intelectualmente com Kipling, Barrès e sobretudo Nietzsche, licenciou-se em Ciências Políticas, participando durante a Primeira Guerra Mundial nas batalhas de Charleroi e Verdun, onde foi ferido. Reconhecido escritor da época entre guerras, sentiu-se tentado pelo comunismo, pelo surrealismo e pelo nacionalismo maurrasiano. Provocador, guerreiro, conquistador e vanguardista, tornou-se crítico da oligarquia capitalista em defesa de um bloco europeu forte e fiel às suas raízes e tradições, que fizesse frente à decadência moderna que se havia apoderado do Velho Continente. Foi um sonhador de uma Nova Europa ao mesmo tempo aristocrática e socialista, levando as suas convicções à letra. Como tantos outros escritores europeus, as suas posições revolucionárias e o apoio às potências do Eixo durante a Guerra valeram-lhe a condenação, o ostracismo e o esquecimento. Nos últimos dias da Guerra, ao ver o seu sonho desbaratado, decidiu sair de um mundo no qual não se reconhecia. Suicidou-se no mês de Março de 1945. «Não sou apenas um francês, sou um europeu. Vocês também o são, sabendo-o ou não. Mas jogámos e eu perdi. Reclamo a morte». Tinha 45 anos e a Europa encontrava-se em pleno processo de destruição.

This is CasaPound

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quinta-feira, 17 de março de 2011

Tradição, Formação, Revolução

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Ainda bem que já não há censura

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«Fora do arco ideológico autorizado, definido pelo território do velho humanismo igualitário e pelos dogmas da filosofia dos direitos humanos, nenhuma teoria política ou económica atrai a atenção dos meios de comunicação. Os mais brilhantes espíritos vêem-se obrigados a mutilar o seu pensamento para agradar, não à "opinião pública" que não existe, mas sim aos censores da ideologia ocidental oficial.»

Guillaume Faye
in "El Vacío Intelectual".

Ventos de Leste

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quarta-feira, 16 de março de 2011

De 1956 a 2011: um paralelo assustador

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"Foi há muitos anos, no Outono de 1956, em 23 de Outubro. Fartos do regime comunista fantoche de Erno Gero, do secretário-geral do governante Partido dos Trabalhadores, da brutalidade da polícia política, a AHV, e de serem governados pela URSS por interpostos camaradas, milhares de húngaros reuniram-se junto à estátua de Joseph Zacharias — um herói das revoluções nacionalistas de 1848 da Hungria e da Polónia.
Seguiram-se os rituais libertários: cantos patrióticos, discursos inflamados, o hino nacional, a proclamação dos direitos, o arrancar dos símbolos comunistas, o assédio e ataque da polícia política.
Os soviéticos mandaram avançar os blindados para guardar os edifícios públicos, mas abstiveram-se de intervir em força. Em 1948, Gero e o primeiro-ministro comunista, Andreas Hegedus, tinham fugido para Moscovo, e um marxista "nacionalista", Imre Nagy, era o novo chefe do governo. Para secretário do partido ia Janos Kadar.
A princípio, Moscovo e o secretário-geral Kruschev, ainda na frescura do degelo denunciador do estalinismo como doença senil do comunismo, pareceram resignados à ideia da dissidência húngara, que quebrava as sagradas fronteiras de Yalta. As tropas russas retiraram e os patriotas húngaros, durante uma semana, até ao fim de Outubro, pareciam ter vencido e ser senhores do terreno.
Nos Estados Unidos, mandava a dupla republicana Eisenhower/Nixon; no Médio Oriente, ingleses e franceses tinham acabado de atacar Port Said num intento de derrubar Nasser e retomar o canal do Suez. E os israelitas avançavam no Sinai, onde se distinguia um general de pala negra, Moshe Dayan.
Os norte-americanos, desde o início da Guerra Fria, passavam o tempo a animar a resistência na Europa de Leste, a incitar, via Rádio Europa Livre, os povos submetidos ao comunismo a revoltarem-se. O mesmo fizeram, desde o início da revolta, reportando diariamente os acontecimentos e garantindo aos húngaros que o mundo estava com eles.
Entretanto, passado o primeiro impacto, Kruschev conferenciou com os outros dirigentes comunistas do Pacto de Varsóvia. Os chineses de Mao Tsé-Tung, pressionaram Moscovo a intervir e os "partidos irmãos" do Leste perceberam que podia ser o fim de todos eles. O grande irmão soviético não podia deixar escapar uma ovelha tresmalhada do redil socialista. Eram, antes do nome, os dominós de Kissinger. A quatro de Novembro as tropas soviéticas regressaram em força e, após alguns dias de luta desigual, a rebelião foi esmagada. Mais de 50 mil húngaros foram presos, muitos julgados e executados ou deportados para a URSS, outros mortos sumariamente pelos russos ou pela secreta. Duzentos mil conseguiram fugir para o ocidente.
No meio disto, a reacção ocidental andou pelas moções condenatórias da ONU, que os soviéticos vetaram no Conselho de Segurança, encolhendo os ombros à condenação geral, mediática e diplomática. Perante as declarações patéticas da senhora Ashton, os vaivém da NATO à procura de consensos gerais, as declarações dos responsáveis americanos, as votações de sanções e de solidariedade, tudo isto parece uma repetição geral desse episódio negro dos anos 50.
Só que a União Soviética era a União Soviética e apesar de tudo o mundo era outro. Se tudo na Líbia ficar na mesma e deixarem o coronel massacrar os rebeldes, pode agora, como no Ruanda, a comunidade internacional e as milhentas entidades globalizadoras e humanitárias que a compõem limpar as mãos à parede e passar-se um atestado de incompetência e impotência absolutas."

Jaime Nogueira Pinto
in i, n.º578, 14 Março 2011. 

Passado, Presente, Futuro

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"A função de uma caneta militante é puxar pela espada.
Com uma ou com a outra, cumpre-se proclamar, sobre as ruínas do Presente, e como o endereço para o futuro, o regresso a certas ordens europeias do passado."

Rodrigo Emílio

Desenrascados

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terça-feira, 15 de março de 2011

A Sociedade do Espectáculo

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«O espectáculo apresenta-se ao mesmo tempo como a própria sociedade, como uma parte da sociedade, e como instrumento de unificação. Enquanto parte da sociedade, ele é expressamente o sector que concentra todo o olhar e toda a consciência. Pelo próprio facto de este sector ser separado, ele é o lugar do olhar iludido e da falsa consciência; e a unificação que realiza não é outra coisa senão uma linguagem oficial da separação generalizada.»

Guy Debord
in "A Sociedade do Espectáculo" (1967).

Dia d'O Diabo

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segunda-feira, 14 de março de 2011

Tradição

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“Para nós a «Tradição» não é somente o Passado. É antes a permanência no desenvolvimento. Sendo assim, — e não é outra a base filosófica das doutrinas tradicionalistas — , as instituições de um povo não podem nunca considerar-se como uma acto de exclusiva vontade pessoal ou como uma imposição deliberada de uma grupo maior ou menor de indivíduos. A sociedade é uma criação, não é uma construção, — não é um mecanismo. (...) por «Tradição» nós temos que entender necessariamente o conjunto de hábitos e tendências que procuram manter a sociedade no equilíbrio das forças que lhe deram origem e pelo respeito das quais continua durando.”

António Sardinha

Os Piratas da democracia

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«Os homens são atormentados pelo pecado original dos seus instintos anti-sociais, que permanecem mais ou menos uniformes através dos tempos. A tendência para a corrupção está implantada na natureza humana desde o princípio. Alguns homens têm força suficiente para resistir a essa tendência, outros não a têm. Tem havido corrupção sob todo o sistema de governo. A corrupção sob o sistema democrático não é pior, nos casos individuais, do que a corrupção sob a autocracia. Há meramente mais, pela simples razão de que onde o governo é popular, mais gente tem oportunidade para agir corruptamente à custa do Estado do que nos países onde o governo é autocrático. Nos estados autocraticamente organizados, o espólio do governo é compartilhado entre poucos. Nos estados democráticos há muito mais pretendentes, que só podem ser satisfeitos com uma quantidade muito maior de espólio que seria necessário para satisfazer os poucos aristocratas. A experiência demonstrou que o governo democrático é geralmente muito mais dispendioso do que o governo por poucos.»

Aldous Huxley
in "Sobre a Democracia e Outros Estudos", 1927.

domingo, 13 de março de 2011

Nenhum partido podia reagir senão corruptamente

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«Deu-se a reacção. Mas quem reagia? Criaturas das mesmas classes que governavam. Criaturas, portanto, com a mesma hereditariedade, vivendo no mesmo meio que os governantes. Criaturas, portanto, moral e intelectualmente idênticas a eles, pois seria o maior dos milagres se, com idêntica hereditariedade e com idêntico meio fossem diferentes. Um ou outro reagia em virtude de [...] e carácter, de legítima e honesta indignação moral. Mas nenhum partido podia reagir senão corruptamente, porque, quando uma sociedade é corrupta, pode haver, e há, indivíduos que o não são; mas não há agrupamentos que o não sejam, ou, se os há, não podem ter acção social, pois só corruptamente se pode agir numa sociedade corrupta. Um partido político, a ser são, tende a não agir, o que é uma contradição com o próprio conceito de partido político; a agir terá de se integrar nos modos de acção do meio, tinha, na expressão mais moral, que se adaptar ao meio.»

Fernando Pessoa
in "Sobre a República", Ática.

Méridien Zéro e a rebelião

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A edição de hoje do programa Méridien Zéro tem como convidados os dinamizadores da revista Rébellion, publicação bimestral de carácter socialista, revolucionário e europeísta. Como sempre, a emissão pode ser escutada através da Radio Bandiera Nera, e tem início às 22 horas portuguesas.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Uma Certa Imagem do Homem

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"O revezamento das gerações é inevitável. Conviria que ele fosse não só revezamento dos homens como, também, o do vocabulário e dos pontos de referência. A tradição a que estamos ligados é a da coragem, da lealdade, da fidelidade à palavra dada, da energia, da firmeza de carácter. O que estimamos e desejamos manter é, pois, uma certa imagem do homem. O que detestamos são as preocupações mercantis, a prioridade dada ao dinheiro pela nossa época, a estéril imagem puramente económica com que se nos apresenta a vida social, o anonimato e o tédio dos grandes formigueiros humanos, as nauseantes e vãs ideologias, as reivindicações mesquinhas e a pressão contínua e repugnante desta luta manhosa da existência colectiva. O que nós repudiamos é uma certa imagem da sociedade. A nossa escolha biológica é mais do que a defesa de uma raça; é muito mais vasta, é muito mais dramática. Sentimos profundamente a nossa condição animal, sentimo-nos profundamente mamíferos e obedecemos às leis não propriamente da nossa espécie mas do género a que pertencemos; estamos fundamente ligados a essas leis, queremos conservá-las; não queremos o formigueiro que nos constroem, não queremos a mutação para a colectividade de insectos superiores que o mundo moderno, colectivista ou liberal, nos prepara. Só desejamos regimes fortes pelo facto de eles imporem regras de salvação pública às forças de destruição e de escravização trazidas pelas modas científicas da produção; queremos que, para além da vida mecânica de escravos que nos reservam, por igual, a ideologia marxista e as normas da produção em série e em concorrência, haja um poder salvador, uma força suprema, que arbitre em favor da humanidade."

Maurice Bardèche

Revolta Contra o Mundo Moderno

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quarta-feira, 9 de março de 2011

Bolzano é Itália

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Um herói revolucionário

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"O coronel Kadhafi, graças às rendas do petróleo, tornou-se um mecenas e um apóstolo do progressismo revolucionário. Pelo que o conflito na Líbia ainda pode estar para durar.

Em três noites sucessivas vi a excelente trilogia "Carlos, The Jackal", sobre o famoso terrorista internacional que, por mais de 20 anos, protagonizou e simbolizou o activismo internacionalista, explorando um género querido à esquerda-caviar (e mesmo sanduíche mista revolucionária), a do assassino playboy e aventureiro ao serviço da causa da humanidade.
São cerca de cinco horas e meia de filme, assinadas por Olivier Assayas. Levaram-me aos finais dos anos 60, princípio dos anos 70, aos atentados bombistas em Paris e Roma, ao sequestro dos ministros da OPEC em Viena, aos resgates milionários, aos campos de treino do Iémen, do Sudão e da Líbia.
Nesses tempos, uma outra coqueluche da esquerda radical era precisamente o jovem revolucionário coronel Kadhafi. Aos 27 anos Kadhafi derrubara o reaccionário rei Idriss, em 1 de Setembro de 1969, e lançara-se num original socialismo árabe, inicialmente de inspiração nasserista, depois com as fantasias de um "caminho especial" líbio, inspirado e traduzido no "Livro Verde". Ao tempo, o homem era, com Mao Tse Tung, Ho Chi Minh, os Kmers Vermelhos e outros distintos pensadores e militantes humanistas, um santarrão do panteão radical.
E até, nos tempos áureos do MFA, alguns militares intelectuais do MFA caseiro por lá andaram a estudar a revolução líbia (e a trazer algumas ajudas de custo), como outros foram ao Peru, ou a Cuba, buscar inspiração.
O coronel, graças às rendas do petróleo, tornara-se um mecenas e um apóstolo do progressismo revolucionário: além de financiar atentados (os mais célebres foram as bombas a bordo dos aviões da UTA e da PAN AM, com centenas de mortos), criou uma famosa Legião Verde, uma legião de combatentes internacionalistas com o objectivo de libertar África. Não tiveram grande sucesso. A sua cartilha ideológica - o "Livro Verde" - uma réplica líbia do "Livro Vermelho", do presidente Mao, também não contribuiu muito para a literatura universal.
Com os milhões do petróleo, o coronel criou uma rede de influência num continente de estados pobres e governantes com apetência pela riqueza.
A seguir ao 11 de Setembro, Kadhafi mudou, temendo a sorte de Saddam Hussein. Não só renunciou aos programas de armamento não convencional, como alinhou, com os americanos, na caça à Al-Qaeda e a outros grupos terroristas. E pagou uma lauta indemnização aos familiares das vítimas dos atentados de Lockerbie e da UTA, além de ter reforçado os seus investimentos e os laços com os países respeitáveis da Europa. Que, respeitáveis como são, por cash, são capazes de quase tudo.
Agora parece ter-lhe chegado a hora, com o povo levantado contra ele, sitiado na capital, mas a esbracejar furiosamente. Pode ser mau e louco, mas não parece ser cobarde.
A ONU, os Estados Unidos, a UE e a NATO repetem condenações e avisos, mas parece que, por agora, ainda não decidiram actuar, nem sob a forma moderada de uma "no fly zone".
Uma operação rápida, cirúrgica, contra o bunker e os bastiões do poder líbio está ao alcance de qualquer porta-aviões norte-americano no Mediterrâneo. Seria uma acção de poucas horas, nesta ocasião bem acolhida por todos - da OPEC às Nações Unidas -, por europeus e americanos, e que russos e chineses não contrariariam. E que é pedida e aguardada pela população.
Mas Washington, tão rápido a meter-se em guerras de atrição e sem saída - como o Iraque e o Afeganistão - está indeciso, pelo que o impasse ainda pode durar."

Jaime Nogueira Pinto
in i, n.º572, 7 Março 2011. 

terça-feira, 8 de março de 2011

Dia d'O Diabo

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No Domínio dos Tempos

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O documentário "No Domínio dos Tempos" realizado por Vítor Salvador retrata as enigmáticas figuras dos Caretos de Podence. O filme, rodado em Podence, concelho de Macedo de Cavaleiros, incide sobre uma das mais conhecidas tradições culturais da região.
Um documentário que entra no âmago cultural do Nordeste Transmontano. Um filme de magia e erotismo.
Máscaras, fogo e histórias de outros tempos. A igreja e a tradição pagã.
Música, tradição e crítica social; o regime salazarista e a sua influência.
As figuras enigmáticas do Nordeste Transmontano: um filme de transmontanos para o mundo.

segunda-feira, 7 de março de 2011

A vulgaridade como direito

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"Não se trata de o homem-massa ser estúpido. Pelo contrário, o actual é mais esperto, tem mais capacidade intelectiva que o de qualquer outra época. Mas essa capacidade não lhe serve de nada; com rigor, a vaga sensação de possuí-la serve-lhe só para encerrar-se mais em si mesmo e não usá-la. Consagra de uma vez para sempre o sortido de tópicos, preconceitos, ideias feitas ou, simplesmente, vocábulos ocos que o acaso amontoou no seu interior e, com uma audácia que só se explica pela ingenuidade, imporá onde quer que seja. É isto que no primeiro capítulo eu enunciava como característico da nossa época: não que o vulgar julgue que é excelente e não vulgar, mas que o vulgar proclame e imponha o direito da vulgaridade, ou a vulgaridade como direito."

Ortega y Gasset
in «A Rebelião das Massas», Relógio d'Água.

Europa: a nossa grande pátria

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"O que nos importa, é trabalhar até que um dia, próximo ou distante, viva, nos cérebros, nos corações e nas almas a nossa grande pátria a Europa. Que um dia os Europeus tenham a vontade de tomar o seu destino. Nesse dia tudo se tornará possível."

Pierre Vial

domingo, 6 de março de 2011

Cabinas vazias e vozes robotizadas

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"Uma das características mais sinistras das sociedades contemporâneas é o desaparecimento do contacto humano numa série de situações do quotidiano.
Ontem estava no Metro à espera do comboio, quando houve um problema técnico na linha. No sistema de som da estação, ouviu-se - em péssimas condições - a gravação da voz de uma senhora dizendo que havia uma avaria, enquanto no quadro luminoso aparecia a comunicação da mesma. Mas nada de esclarecer quanto seria o tempo de espera, se viria ou não um comboio em breve, se mais valia ir embora ou ficar no cais. Num canto do dito quadro, o espaço referente à informação do tempo que teríamos que esperar estava apagado (pensando nisso, nunca o vi aceso desde que me lembro de existirem).
Costumava haver um chefe ou um responsável em cada estação do Metro, instalado numa cabina, a quem nos podíamos dirigir e pedir informações. Só sobrou a cabina vazia. Ficámos dependentes de uma voz gravada num sistema de som cavernoso e de um quadro luminoso que não dá a informação essencial.
Quase tão mau como isto são os funcionários dos call centers das grandes empresas, que nos atendem com um discurso robotizado e cheio de expressões feitas, e estrangeirismos, as mais das vezes incapazes de se afastarem dos guiões que lhes foram distribuídos e comunicarem mais espontanea e naturalmente com o cliente.
Ontem também, uma menina da Meo comunicava-me que uma avaria já tinha sido "reportada". Que saudades dos tempos das assistentes a quem se podia comunicar as avarias e dar dois dedos de conversa."

Eurico de Barros
in Diário de Notícias, 19 Fevereiro 2011.

Méridien Zéro e os Indo-Europeus

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Esta semana, o programa Méridien Zéro tem como convidado Jean Haudry, conhecido linguista francês e fundador do Instituto de Estudos Indo-Europeus na Universidade Lyon III. O tema da emissão, como não podia deixar de ser, são os Indo-Europeus. Como é habitual, o programa tem início às 22 horas portuguesas e pode ser escutada através Radio Bandiera Nera.

sábado, 5 de março de 2011

"Guerra Justa", Terrorismo, Estado de Urgência e "Nomos da Terra"

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Guerra Justa, Terrorismo, Estado de Urgência e Nomos da Terra - a Actualidade de Carl Schmitt
Alain de Benoist
Antagonista Editora
156 Páginas

Neste seu trabalho Alain de Benoist contesta radicalmente a legitimidade teórica, política e moral do conceito de “guerra justa”, contra o terrorismo “global”. Demonstra como este pode ser remetido às suas dimensões mais simples e naturais, que permitiriam combatê-lo sem o alimentar. Relaciona-o com o fenómeno, tipicamente moderno, da criminalização do inimigo, segundo a análise de Carl Schmitt, cuja actualidade é apurada por Benoist. O terrorismo, com efeito, não tem apenas raízes islâmicas, mas igualmente ocidentais e até estatais. De facto a “globalização” do terrorismo lembra irresistivelmente as teses de Schmitt na sua Teoria da Guerrilha.
O autor chega à conclusão de que o “globalitarismo” americano contém um perigo mortal para o mundo moderno, ao ocultar a origem do elemento político e conflitual na vida do homem. Consequentemente um planeta “definitivamente pacificado” pela hegemonia “benévola” dos Estados Unidos da América pode vir a produzir uma guerra civil mundial sem fim e de proporções catastróficas.

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