segunda-feira, 18 de julho de 2011

Orientações

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"Cada um de nós vale na medida em que cria, em que constrói a realização dos valores mais altos; vale na medida em que se dá aos outros, ao que o ultrapassa; vale na medida em que se integra nas realidades que exprimem a unidade e a actuam. As famílias são colaborantes na Nação, como as Nações na Europa, como a Europa com outros continentes no Mundo. E, quer sejam indivíduos quer sociedades, requerem-se personalidades de excepção, o que não significa acção contra os demais ou alheada deles, mas sim a favor dos demais e potencializando-os, conduzindo-os, ajudando-os a realizar-se. A renúncia, a solidariedade, a heroicidade, o aperfeiçoamento constante são virtudes fundamentais. A Justiça Social ordena um gradualismo, uma sobrestimação do espírito, uma satisfação às necessidades materiais e espirituais do homem concreto, uma extensão destes bens a toda a comunidade, a toda a gente, uma obediência à unidade. Não se pode desprezar o contributo do passado, o legado da História, o imperativo dos mortos, nem furtarmo-nos às seduções do futuro, à ordem de constante renovação, actualização, empreendimento criador."

Goulart Nogueira

domingo, 17 de julho de 2011

Méridien Zéro no rastilho das revoltas

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Hoje, o programa Méridien Zéro é dedicado às «Revoltas Árabes» e tem como convidado o historiador francês Philippe Prévost. Nascido em 1935, Prévost é especialista em história da religião, contando com diversas obras publicadas sobre o tema. A emissão tem início às 22 horas portuguesas e pode ser seguida através da Radio Bandiera Nera.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Os anos do Integralismo

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"Os jovens intelectuais do Integralismo Lusitano eram, à partida, um grupo de companheiros de Coimbra com mais afinidades geracionais, estéticas e literárias que político-doutrinárias: Sardinha tinha sido republicano convicto e Luís de Almeida Braga participara nas incursões. Com Rolão Preto e Domingos de Gusmão Araújo, Almeida Braga fundara na Bélgica uma revista de exilados e, no final de 1912, Sardinha escrevia a comunicar-lhe a sua «conversão à Monarquia e ao Catolicismo — as únicas limitações que o homem, sem perda de dignidade e orgulho, pode ainda aceitar». E abençoava «esta República trágico-cómica que [o vacinara] a tempo pela lição da experiência...».
Em Setembro de 1913, Sardinha, Hipólito Raposo e Alberto de Monsaraz juntaram-se na Figueira da Foz para cogitar e executar o projecto da Nação Portuguesa, uma revista de ideias e doutrina política. O primeiro número saiu em 8 de Abril de 1914, tendo como colaboradores, além dos fundadores, Mariotte, João do Amaral, José Pequito Rebelo, Luís de Almeida Braga, Simeão Pinto de Mesquita e Francisco Xavier Cordeiro.
Dando conta dos princípios orientadores da revista e do movimento nascente, o editorial de Hipólito Raposo expunha as bases de uma doutrina assente nos princípios da monarquia orgânica, tradicionalista e antiparlamentar, baseada no poder pessoal do Rei como orientador da «função governativa suprema». O papel do monarca desdobrava-se nas funções executivas da «defesa diplomática e militar», da «gestão financeira geral» e da «chefia do poder judicial». Na outra face do poder, a descentralização assentava num sistema de reconhecimento dos corpos intermédios — corporações, sindicatos, famílias, paróquias, províncias, municípios. Quanto às questões espirituais, confiava-se na Igreja como parceira privilegiada do poder político.
Além da publicação da Nação Portuguesa, os integralistas empenharam-se numa obra de combate cultural para demonstrar a falsidade e o prejuízo para a nação do governo conduzido pelos princípios democráticos. Embora o trio Sardinha/Pequito Rebelo/Hipólito Raposo fosse o grande dinamizador do movimento, toda a equipa se aplicou no combate e a oficialização do Integralismo Lusitano como movimento político veio em 1916, com a constituição da Junta Central. A 2 de Fevereiro de 1917 saía o primeiro número do diário A Monarquia, um órgão doutrinário e crítico de intervenção quotidiana que vinha substituir a Nação Portuguesa.
O papel dos integralistas na crítica ao republicanismo democrático transcendeu a questão do regime e avançou para a real contradição política da época: entre o nacionalismo autoritário, corporativo, antiparlamentar e antipartidário e o democratismo individualista parlamentar, liberal e igualitário. Ao trabalharem na desmontagem de uma ideologia e de uma prática que assimilavam à demagogia no poder e à experiência republicana, os integralistas abriram caminhos para uma alternativa, não apenas dinástica, mas sobretudo política. Uma alternativa que estava tão longe do parlamentarismo republicano como do liberalismo constitucional monárquico. Assim, e como a acção dos monárquicos da República tornava evidente, a questão da restauração ia subtilmente perdendo importância."

Jaime Nogueira Pinto
in "Nobre Povo — Os Anos da República", A Esfera dos Livros, 2010.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Para Hoje

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Para Hoje

É preciso ficar, aqui, entre os destroços,
E cinzelar a pedra e recompor a flor.
É preciso lançar no vazio dos ossos
A semente do amor.

É preciso ficar, aqui, entre os caídos,
E desmontar o medo e construir o pão.
É preciso expulsar dos cegos dias idos
A insónia da prisão.

É preciso ficar, aqui, entre os escombros,
E libertar a pomba e partilhar a luz.
É preciso arrastar, pausa a pausa, nos ombros,
A ascensão de uma cruz.

É preciso ficar, aqui, entre as ruínas,
E aferir a balança e tecer linho e lã.
É preciso o jardim a envolver oficinas:
É preciso amanhã.

António Manuel Couto Viana
in “Nado Nada”, 1977.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O ódio e a inveja

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"O ódio, o sentimento mais rácico e autêntico entre todos, no predador, implica respeito pelo adversário. É inerente ao ódio o reconhecimento da igualdade, no plano anímico, entre opositores. Quanto aos seres inferiores, por esses apenas se sente Desprezo. E esses seres desprezados tornam-se em Invejosos. Em todos os contos populares primitivos, em todos os mitos deístas, em todas as lendas heróicas, surgem tais temas. A águia apenas odeia os seus semelhantes, não inveja ninguém. Despreza, porém, muitos seres, talvez até todos os que lhe não são iguais. O desdém lança sempre o seu olhar de cima para baixo. A inveja, essa, dirige o seu olhar para cima. São estes os dois sentimentos historicamente universais da humanidade organizada em classes e estados. E os seus membros pacíficos, na sua raiva impotente, esbracejam entre as grades da jaula onde todos, conjuntamente, estão encerrados. Nada os pode livrar deste cativeiro e suas consequências. Sempre assim tem sido, sempre assim será... ou então, tudo deixará de existir. Ter em conta esta situação ou, pelo contrário, ignorá-la, são posições altamente diferenciadas. Mas querer modificá-la, é impossível. O destino do homem segue o seu curso e tem de cumprir-se."

Oswald Spengler
in "O Homem e a Técnica", Guimarães & C.ª Editores.

domingo, 10 de julho de 2011

Méridien Zéro até ao fim da noite

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A emissão de hoje do programa Méridien Zéro tem o título «Um homem, um destino» e é dedicada ao escritor Louis-Ferdinand Céline. O convidado é Marc Laudelout, um dos mais reconhecidos especialistas na obra de Céline. Editor e crítico literário belga, Laudelout é fundador e director do Bulletin Célinien, uma revista criada em 1981 totalmente consagrada à obra do escritor francês. Como é habitual, o programa pode ser escutado a partir das 22 horas portuguesas, na Radio Bandiera Nera.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Mein Kampus

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"Está a ocorrer uma mudança cultural nos campi universitários da América do Norte. Os estudantes acorrem aos serviços de saúde mental mais depressa do que podem ser tratados. Esta mudança está a definir uma geração e marca uma profunda mudança no ambiente mental dos campi de hoje. Há não muito tempo, os estudantes recorriam a ajuda em situações de crise particulares: uma relação desfeita, a morte de um ente querido, dificuldades com uma grande decisão. Hoje, no entanto, os estudantes queixam-se que a sua vida é a crise, uma sensação omnipresente de desolação sobre si e seu futuro que não existia há uma geração. Esta transição da excepção para a regra é nada menos do que uma mudança de paradigma social, que transformou o ensino superior de um espaço de exploração e liberdade para uma prisão da mente. Alimentados pelo stress, ansiedade, pressão e competição, muitos dos estudantes actuais lutam não só para aprender, mas também para sobreviver.
A dr. Erika Horwitz, directora dos serviços de saúde de uma das maiores universidades do Canadá, Simon Fraser, afirma que o ambiente hiper-competitivo das universidades, onde os estudantes são virados uns contra os outros num jogo de soma-zero para cada vez menos empregos, está a levar uma geração de jovens aos limites. "As actuais ideologias do sucesso e da beleza não têm precedentes... Chegam cada vez mais estudantes a queixar-se que não conseguem aguentar".
O número crescente de problemas psicológicos nos campi da América do Norte tem sido documentado pela Association of University and College Counseling Center Directors Annual Survey. Os resultados são alarmantes. Mais de dois terços dos centros de saúde para estudantes dizem que não têm recursos suficientes para lidar com o número crescente de clientes. 34% dos centros têm listas de espera em curso. A principal razão que leva os estudantes a pedir ajuda é a ansiedade (40%), seguida de perto pela depressão (38%). Além disto, o diagnóstico duplo está a crescer rapidamente, com muitos estudantes a chegar aos serviços com misturas perigosas de ansiedade, depressão, disparidade de imagem corporal e pensamentos suicidas. Todos os directores admitem que os números estão a aumentar.
Estes resultados indicam o que acontece quando a ideologia económica dominante, o neo-liberalismo, chega às ciências e às artes. O campus já não é um lugar para estudar Heidegger. Já não é um lugar para investigar a natureza relativa do átomo de Bohr. É um lugar para ultrapassar a concorrência, e a competição é feroz. É um lugar para aldrabar quando se pode, para escolher disciplinas fáceis com professores fáceis, para trocar aprendizagem por bajulação, para perguntar deliberadamente uma questão por aula, independentemente do interesse, só por aquela nota extra da participação, e para fugir para mundos privados e isolados quando a curva determina que apenas 20% podem ter aquele cobiçado A. Numa geração, a mensagem mudou. Este já não é um lugar para te encontrares; não é um rito de passagem cultural; é uma exigência cultural. Da primeira assinatura à cerimónia de formatura, a nova mensagem é clara: o curso de quatro anos não é suficiente; uma única falha pode arruinar as tuas hipóteses na universidade e, consequentemente, na tua vida. Esta mensagem está a ameaçar as nossas mentes mais brilhantes."

Darren Fleet
in "Adbusters", #96 Julho/Agosto 2011.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Em defesa da nossa Língua

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"Ao contrário do que muitos nos querem fazer crer, a questão do Acordo Ortográfico (AO) – exactamente por gerar tanto desacordo – está longe de estar terminada. No início deste novo ciclo, que se pretende de mudança política, onde tanto está a ser “reavaliado” e a atitude parece querer ser diferente do ilusionismo socrático predecessor, este é um ponto que devia estar na ordem do dia.
Foi exactamente neste sentido que apontou António Emiliano, professor de Linguística na Universidade Nova de Lisboa e um dos maiores (honra lhe seja feita) denunciadores do disparate que é o AO. Num artigo publicado no jornal “Público”, tomando como exemplo a reavaliação da construção do aeroporto de Alcochete, questionou: “Terá a língua menos valor, peso ou importância para Portugal e para as gerações vindouras do que um aeroporto?” Os assuntos complicados podem e devem ser apresentados de forma simples para que todos percebam. É aqui que Emiliano acerta na ‘mouche’.
Também Vasco Graça Moura, outro incansável contra o “abominável” acordo, nas suas palavras, afirmou que o actual Governo "deve voltar atrás e suspender a aplicação do AO", lembrando que "juridicamente não está em vigor".
Uma medida que urge “reavaliar”. O AO é inútil, desnecessário e catastrófico. A sua suspensão seria uma excelente e oportuna medida do novo Executivo.
Neste jornal faremos o que nos compete na defesa da nossa Língua e, tal como em tantos outros meios de comunicação, continuaremos a escrever em português e não em “acordês”."

Duarte Branquinho
in "O Diabo", 5 de Julho de 2011.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Estado e Direito

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"O Estado é o modo de agir da Nação. Esse modo de agir concretiza-se numa ordem, numa estrutura jurídica, que fundamenta e justifica a sua actuação. Quanto mais se abre em possibilidades o campo de acção do Estado, quanto maior é a extensão dos benefícios que concede, dos melhoramentos que cria, das utilidades que produz, tanto mais dificultoso o esforço para enquadrar todas as novas actividades numa Ordem, todas as novas possibilidades num “etos” que as domine e limite. A moral, o direito, as instituições jurídicas, não são uma técnica ao lado de outras técnicas. Não há um direito puramente jurídico, como se preconiza uma ciência puramente científica. Não é um instrumento da administração, ou uma manifestação natural de domínio sobre as coisas ou os homens. Neste aspecto o acréscimo de poder e de força resultará normalmente do progresso; o problema dos seus limites e da sua utilização conformemente com o destino do homem, individual e colectivo, esse constitui a grande tarefa do Espírito, e a grande função da Moral e do Direito."

Manuel Cavaleiro de Ferreira

Opstaan!

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terça-feira, 5 de julho de 2011

Retiradas

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"Barack Obama anunciou a retirada de 33.000 soldados norte-americanos do Afeganistão nos próximos 15 meses (os 45.000 restantes, no Iraque, deverão também sair até ao fim do ano). O aviso já está a ter consequências no terreno, inclinando o prato da balança para os talibãs.
As guerras subversivas não se ganham, mas perdem-se, e perde o que tem menos vontade de ganhar e desiste primeiro. Ali, os factores políticos e psicológicos contam tanto como o poder militar. Ainda mais num país como o Afeganistão, que não é um Estado nacional mas um conglomerado de tribos, de clãs, de famílias e respectivos interesses. Os optimistas habituaram-nos ao discurso de que, neste tipo de guerra, não há solução militar, só política. Resta saber qual, porque toda a guerra é um teste de vontade e de força entre duas partes. Nas guerras subversivas, a população (que não pode bater em retirada como os soldados e os colonos) preocupa-se em adivinhar o vencedor, com quem terá que (con)viver no médio e longo prazo. No Afeganistão esta população está dividida em tribos — tajiques, usbeques, pashtuns, hazaras e outras — e enquadrada por senhores da guerra.
Não há ali aquelas simplicidades do século XX ocidental — fascistas e antifascistas, comunistas e anticomunistas, totalitários e democráticos, bipolarizados em ‘bons’ e ‘maus’, cowboys e índios. Tudo se passa em Estados mais parecidos com as entidades da Europa medieval que com os nossos Estados soberanos actuais. E essas entidades são um mosaico de interesses, de negócios (geralmente escuros e ilegais) e sobretudo de lealdades.
Os protagonistas destas periferias perigosas têm uma rapidíssima capacidade de reagir a estímulos no terreno. Até porque, se não o fizerem, as consequências para eles e para as famílias são fatais. Enquanto na Europa os erros de casting se pagam com uma passagem pelos bancos da oposição, com um discreto mergulho na sociedade civil (local ou próxima) ou com visita de estudo ao estrangeiro, nestes lugares quem aposta no lado errado e perde, acaba mal.
Aprenderam isto os argelinos, que acreditaram que eram «français à part entière», os africanos que alinharam de boa-fé com os portugueses, e os múltiplos desgraçados que, por esses bastiões do ‘mundo livre’, do Vietname ao Médio Oriente, foram ‘amigos dos americanos’. Aprenderam-no também os afegãos que alinharam com os soviéticos há 20 anos. Negociações, pactos, retiradas de tropas, soluções políticas, Évian, Alvor, Acordos de Paris, serviram para que os que partiram pudessem salvar a face e ganhar tempo, mascarando a derrota com uma retórica de ‘solução política’. Que de nada serviu perante e impiedade dos vencedores e o medo dos vencidos.
Desta vez, logo a seguir ao anúncio da retirada das tropas norte-americanas, o Presidente Karzai, o protegido de Washington como implantador da democracia, voou para Teerão para se encontrar com outro velho democrata da região, o Presidente Mahmud Ahmadinejad. Discutiram, no dizer do ministro dos Estrangeiros iraniano, «as questões emergentes da saída das forças da NATO do Afeganistão». E na terça-feira, 28 de Junho, deu-se uma outra ‘retirada’ para os Estados Unidos: o Wall Street Journal noticiou que o governador do Banco Central de Cabul, o sr. Abdul Qadir Fitrat, estava há dez dias em Washington. O pobre tinha, seguindo as recomendações do FMI, lançado um inquérito sobre o destino dos dinheiros das ajudas externas.
Sabe-se que grande parte destas ajudas foram retiradas para as contas da nomenklatura no Dubai. Fitrat tinha iniciado as investigações no Banco de Cabul, um banco com 850 milhões de dólares de empréstimos suspeitos, e cujos accionistas são um meio-irmão do Presidente Karzai e um irmão do vice-presidente."

Jaime Nogueira Pinto
in "Sol", 1 de Julho de 2011.

Relativismo

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"Uma espécie de teósofo disse-me: "O bem e o mal, a verdade e a mentira, a loucura e a sanidade, são apenas aspectos do mesmo movimento ascendente do Universo". Já nessa época me ocorreu perguntar: "Supondo que não exista diferença entre o bem e o mal, ou entre a verdade e a mentira, qual é a diferença entre ascendente e descendente?"

G.K.Chesterton

Dia d'O Diabo

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segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Candidato

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“Agora só falta dinheiro e um candidato que possa ser treinado para assumir um ar «sincero». Deste novo ponto de vista, os princípios políticos e os planos para uma acção específica acabaram por perder a maior parte da sua importância. A personalidade do candidato e o modo por que ele é lançado pelos peritos de publicidade são as coisas que realmente contam.
De qualquer maneira, sob o aspecto de um homem viril ou de um pai amável, o candidato deve ser fascinante. Deve ser também um bom conversador que nunca aborrece a assistência. Habituada à televisão e ao rádio, esta assistência está acostumada a ser distraída e não gosta que lhe peçam que se concentre ou faça um esforço intelectual prolongado. Todos os discursos feitos pelo conversador-candidato devem, portanto, ser curtos e incisivos. As grandes questões do momento devem ser tratadas, no máximo, em cinco minutos — e de preferência (dado que a assistência estará impaciente por passar a qualquer coisa de mais atraente do que a inflacção ou a bomba H) em sessenta segundos. Devido à natureza da oratória, houve sempre entre os políticos e os eclesiásticos a tendência a simplificarem extremamente as questões complexas. De um púlpito ou de uma tribuna, até os oradores mais conscienciosos acham muito difícil dizer toda a verdade. Com os métodos usados agora, para mercadejar o candidato político como se ele fosse um desodorizante, coloca-se positivamente o eleitorado ao abrigo de ouvir toda a verdade sobre o quer que seja.”

Aldous Huxley
in "Regresso ao Admirável Mundo Novo", Edição «Livros do Brasil», Lisboa.

Esta é a Nossa Gente!

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domingo, 3 de julho de 2011

Méridien Zéro e a questão turca

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Hoje, o programa  Méridien Zéro é dedicado à «Questão Turca». Adoptando como ponto de partida a História do país, a emissão abordará as consequências de uma possível adesão da Turquia à União Europeia. Como é habitual, o programa pode ser escutado através da Radio Bandiera Nera a partir das 22 horas portuguesas.

sábado, 2 de julho de 2011

Boletim Evoliano #01 - 2ª Série

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Regresso à Tradição

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«Têm-me acusado muitas vezes de fanático, intolerante e intransigente. Sou-o quanto pode sê-lo quem vive num século desvirilizado, essencialmente burguês, materialista e céptico, e percorreu as sete partidas do mundo da cultura à procura da verdade nova, para só encontrar verdades falsas, à busca desinteressada do Sol e só encontrou crepúsculos frios. Quando voltei, desiludido, à minha tenda levantada no meio do tumulto, verifiquei que a única solução acessível às minhas inquietações e angústias era a tradição. E regressei à secular tradição portuguesa — a Deus, à Pátria e ao Rei.»

Alfredo Pimenta
in "A Nação", 24 de Janeiro de 1948.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Harukichi Shimoi, um samurai em Fiume

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Grande intelectual, profundo conhecedor da obra de Dante, o poeta Harukichi Shimoi é certamente um dos personagens mais originais do panorama de Fiume. Nascido na província de Fukuoka a 20 de Outubro de 1883 numa família de antigos samurais, opta por estudar italiano depois de obter um diploma de inglês na escola de Tóquio. Através do embaixador de Itália no Japão, o marquês Guiccioli, Harukichi Shimoi obtém um lugar em Itália, no Regio Istituto Universitario Orientale da Universidade de Nápoles. Aqui, dedica-se à divulgação da poesia japonesa, nomeadamente através de publicações como La Diana e L'Eco della Cultura. Em 1918, a guerra interrompe as suas investigações. Tendo conhecimento da constituição de tropas especiais, Harukichi Shimoi oferece-se como voluntário para lutar no exército italiano, onde começa a ensinar karaté aos soldados dos Arditi.

Na atmosfera febril das trincheiras, tem a oportunidade de conhecer Gabriele D'Annunzio, com o qual partilha não só a paixão pela poesia, mas também a visão estético-heróica da existência. No fim do conflito, segue o poeta até Fiume, na qualidade de embaixador. À sua chegada à cidade, Harukichi Shimoi é acolhido calorosamente pelos legionários, enquanto D'Annunzio pronuncia um discurso em sua honra. Harukichi Shimoi é igualmente uma personagem chave nas várias disputas entre D'Annunzio e o director do jornal Il Popolo d'Italia, Benito Mussolini. Com efeito, d'Annunzio, na sequência do cerco de Fiume, está isolado do resto do mundo. O único capaz de entrar e sair da cidade sem levantar suspeitas é, paradoxalmente, Harukichi Shimoi, já que os sitiantes não entendiam o japonês. Graças a isso, tornou-se o emissário oficial de D'Annunzio. O poeta encarrega Shimoi (ao qual chamava camarada samurai) de transmitir as suas mensagens ao futuro Duce, em Milão. De um lado para o outro entre os dois correspondentes, o mensageiro vai conquistando a confiança de ambos. Segundo as suas memórias, os dois líderes não gostavam um do outro; odiavam-se, cada um suspeitando que o outro quisesse roubar o papel de protagonista. Para poeta, Mussolini era um camponês, enquanto o futuro Duce achava que D'Annunzio era um palhaço.

É igualmente graças a Shimoi que Mussolini se vai interessar pela cultura do Sol Nascente. O poeta japonês conta ao futuro Duce a gloriosa epopeia dos tigres brancos, ou dos fiéis samurais da dinastia Tokugawa que, após uma derrota e achando que o seu imperador estava morto, suicidaram-se cometendo seppuku. Em honra desses combatentes e da sua fidelidade, Mussolini enviou para o Japão uma coluna romana do palácio de Gneo Pompeu. Na base da estrutura, Mussolini instalou uma placa comemorativa com a inscrição: "No espírito do Bushido".

Em 1924, Harukichi Shimoi regressa ao Japão, onde se torna um homem político e um dos principais defensores do regime italiano, revelando-se num curto espaço de tempo um dos melhores oradores do país. O seu trabalho de propaganda nacionalista foi frequentemente comparado ao do próprio D'Annunzio, então muito apreciado pelos leitores japoneses graças à difusão das suas obras, feita por Shimoi. O poeta morre em 1954, com 71 anos.
 
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