quarta-feira, 31 de julho de 2013

Histórias da Alemanha

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"É comum referir e criticar a arrogância alemã e sublinhar os vícios e perigos de uma Alemanha unida e poderosa que hoje manipularia as instituições e regras europeias para dominar os povos seus devedores e tributários.
Nos portugueses instruídos (os que restam), feitos e criados quase sempre na cultura francesa e anglo-americana, há a tendência para ver uma História alemã de clichés: Bismarck fez a reunificação em 1871 e a guerra de 1914 foi um produto da hubris do Kaiser. Depois veio a derrota de 1918, a humilhação de Versalhes, a consequente tomada do poder por Hitler, a guerra, o holocausto, a culpa, a ocupação, a reconstrução por Adenauer e Ehrardt, a Europa franco-alemã, a reunificação de Kohl, o euro e Merkel.
A questão da História alemã é mais complexa e em vez deste olhar linear, há que pensar a odisseia e tragédia do país e do povo para tentar perceber o presente.
Quando Bismarck juntou a nação alemã, sob o poder militar da Prússia, percebeu que o novo Reich era grande demais para a Europa e que tinha de se conter nos seus limites. Mas Guilherme II e a força das coisas alteraram este plano conservador.
Por isso a Alemanha viveu, na primeira metade do século XX, uma guerra de 30 anos, muito especial: 10 em guerra com o mundo e outros 20 em guerra civil. De 1914 a 1918 enfrentou a coligação de todos os grandes poderes da época – Grã-Bretanha, França, Rússia, EUA. De 1918 a 1933 atravessou um clima de guerra civil de baixa intensidade, mas com milhares de mortos: revolução spartakista em Berlim, revoluções bolcheviques na Baviera e no Ruhr, a luta entre a direita radical e os comunistas, que se estendeu a toda a Alemanha, com os corpos francos e as milícias operárias na linha da frente. E nas fronteiras do Leste, no Báltico, uma guerra duríssima, feroz, sem prisioneiros.
A partir de 1923 e do falhado golpe de Munique de Hitler deu-se uma quebra da violência. Mas o clima de guerra civil prosseguiu até à tomada do poder pelos nacionais-socialistas em 1933. Daí à Segunda Guerra, com o liquidar da oposição, foram mais seis anos.
No pós-1945, os alemães foram ainda mais maltratados que em 1918, embora tal se tentasse camuflar. Os sentimentos de retaliação na União Soviética e no Leste em geral, mais a ideia de punição sobre o povo (apesar da teoria de considerar os nazis como os únicos culpados da guerra, da derrota e da degradação do país) tiveram consequências.
O castigo foi um apocalipse moderno, começado com os bombardeamentos que queimaram e arrasaram a maioria das cidades e mataram 700 mil alemães até às limpezas étnicas, por expulsão, da Europa Central para Oeste. Além dos massacres, terão sido 10 milhões de alemães – da Ucrânia, da Polónia, da Checoslováquia, dos Balcãs e do Báltico – agarrados como gado e deportados, mais 12 milhões de soldados da Wehrmacht, prisioneiros dos Aliados, soviéticos e dos ocidentais. Dos três milhões detidos pelos russos, em cada três, um morreu de fome, doença ou maus-tratos nos campos de prisioneiros.
Estamos a falar de mais de 20 milhões de criaturas maltratadas, há 70 anos e das justificadas más memórias suas e dos seus descendentes. Que não será esquisito que perdurem."

Jaime Nogueira Pinto
in "Sol", 26 de Julho de 2013.

terça-feira, 30 de julho de 2013

A Nossa Guerra

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O centrão

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"É verdade que os conceitos de direita e esquerda nas mentalidades estão hoje ofuscados.
Mas, se se ofuscam, isto acontece precisamente porque os grandes partidos que lhes envergam as cores têm tomado progressivamente consciência da inconsistência daquilo que os separa.
Actualmente não há nada de substancial que diferencie os seus valores. As suas escolhas aproximam-se, os seus programas movem-se em direcção ao centro e a opinião prevalecente é que dizem todos mais ou menos a mesma coisa.
Ainda ontem pensavam pertencer a famílias diferentes. Hoje percebem que apenas foram inimigos irmãos, que podem ainda polemizar sobre este ou aquele ponto mas fazem espontaneamente — com toda a naturalidade, sentir-se-ia dizer — frente comum para demonizar e rejeitar para o tenebroso extremo qualquer direita que seja uma direita verdadeira, com referências próprias, os seus autores, a sua antropologia, a sua própria sociologia, a sua própria visão do mundo, do homem e da sociedade."

Alain de Benoist

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Amanhã é dia d'O Diabo

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Eliade e Schmitt

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"1942, Berlim
Goruneanu [membro da Legação] leva-me hoje a Carl Schmitt, que desejava há muito saber o que é a filosofia de Nae Ionescu. Uma casa em Dahlem, com mobília muito pouco alemã, alguns quadros modernos e uma biblioteca rica em livros antigos. Carl Schmitt é baixo, uma figura pouco impressionante, mas luminosa, cheia de vida. Fala fluentemente francês. Digo-lhe que da obra dele conheço apenas Die romantische Politik, que tanto influenciou Nae Ionescu, Țuțea e os outros. Mas, em vez de começarmos a falar de Nae Ionescu, pergunta-me de Salazar, de Portugal, das culturas marítimas — e falamos durante três horas. Ele está a escrever um livro sobre «terra e mar», e leu imenso sobre a arte, a cultura e o simbolismo aquático. Diz-me que Moby Dick é a maior criação do espírito marítimo, a seguir à Odisseia. Mostra-me alguns quadros estranhos de um pintor alemão moderno, cujo nome depressa esqueço; visões submarinas, cosmológicas.
Como eu próprio estudo, há tantos anos (A Mandrágora), tais questões, deixo-me enfronhar em interpretações de símbolos e mitos austro-asiáticos, que a ele o interessam. Prometo enviar-lhe Zalmoxis II, onde publiquei Notes sur le symbolisme aquatique. O que me impressiona em Schmitt é a sua coragem metafísica, o seu inconformismo, a vastidão da sua visão. Faz-me lembrare Nae. Oferece-nos uma garrafa de vinho do Reno. Está encantado por me conhecer e lamenta que parta amanhã para Madrid. Diz-me que o homem mais interessante, hoje em dia, é René Guénon. Leva-nos até à estação de metro, falando-me da aviação como símbolo «terrestre»."

Mircea Eliade
in "Diário Português", Guerra e Paz, 2007.

domingo, 28 de julho de 2013

Entrevista a Pedro Varela

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Pedro Varela é conhecido pelo seu trajecto enquanto editor, escritor e historiador revisionista. É proprietário da Livraria Europa, famosa por difundir material relacionado com a Segunda Guerra Mundial. Os livros que se podem encontrar na sua livaria não são os que estão expostos na Fnac ou no El Corte Inglés. Tem ainda uma editora, Ediciones Ojeda, que dá voz àqueles que muitos não querem ou não podem escutar. O que lhe deu vários problemas.

Como definiria a Livraria Europa?
É um centro de difusão de cultura alternativo ao sistema, com livros, edição de livros e conferências. O sistema oferece a possibilidade de chegar a outro tipo de livros no resto das livrarias, mas há livros a que não é possível chegar. Porque simplesmente não estão expostos. Nós corremos o risco de expô-los e oferecê-los ao público. Não obrigamos ninguém a entrar na livraria, e quem entra fá-lo voluntariamente. Lê ou não lê, mas pelo menos pode comparar.

Porquê difundir este material?
Porque de outra forma não há maneira de chegar a ele. Podes ler "O Capital" de Marx e nem por isso defender o gulag soviético. Queres informar-te. No entanto, não podes ler "A Minha Luta" de Hitler porque não há forma de encontrá-lo. As pessoas deviam ter a possibilidade de informar-se. Podes ler a versão dos vencedores da Segunda Guerra Mundial. Logicamente, quem escreve a história são os vencedores, os vencidos não têm nada que dizer, primeiro porque foram todos mortos e depois porque não os deixaram escrever. Acho que é necessário publicar ambas as versões.

Na vossa página de internet está escrito que foram proibidos de vender o "Mein Kampf".
Bom, dizem que o editámos sem pagar os direitos, mas o que o pobre Hitler queria era que o livro se difundisse, não era cobrar taxas. É um truque legal para nos perseguirem. O fiscal de ódio, como é chamado aqui na Catalunha, diz que temos de pagar os direitos, não se sabe exactamente a quem. Mas o livro é de livre difusão e posse universal. Só nos perseguem a nós, é uma questão política.

Diria que censurar favorece a difusão?
Eu acredito que sim. Não existe na história nenhum texto que tenha sido proibido e que tenham feito desaparecer. Na época de Franco não queriam que as pessoas lessem "O Capital" de Marx, e todas as livrarias o vendiam em mão. É um livro aborrecido, podes morrer se o leres, mas podes lê-lo se quiseres. Mesmo o Marquês de Sade foi acusado de sadismo. Mas tu podes ler o Marquês de Sade e não ser um sádico. O que eles querem é fazer passar a ideia de que se leres estes livros és um monstro anti-semita. Isso é uma manipulação da informação.

E fizeram-no destruir 20.900 livros...
Condenaram-nos como material proibido, o que em democracia é algo inédito. Tanto criticam Franco, a Inquisição, a Idade Média, e fazem o mesmo, mas com hipocrisia. Porque, obviamente, com Hitler ou Franco, já sabias como era. Mas aqui dizem que há liberdade de expressão. E na realidade não há. Não destruíram 20.900 livros, apenas uma parte, aqueles títulos que o juiz condenou. Um dos livros proibidos é "Raça, inteligência e educação", de Eysenck, porque o polícia entrou, viu a palavra raça e assustou-se. Eysenck é judeu, a sua família fugiu da Alemanha porque não concordava com Hitler. No mundo anglo-saxão é uma eminência. Em Barcelona não podes estudar psicologia sem nunca ter lido este livro, mas os ignorantes apreenderam-no. (...)

Afinal, foi indemnizado pelo Estado espanhol ou não?
Ainda não é claro. Pedimos 100 000€ porque em 17 anos houve três apreensões de livros, uma de 20.900 títulos, outra de 6.000 e outra de 4.000. Ao preço de 20 euros por livro, imagina o prejuízo. Cada vez que a polícia vem, levam todos os computadores. Os sete Macintosh de alta qualidade que tínhamos para editar livros nunca foram devolvidos. Mudámos depois para PC, que também nunca foram devolvidos. Da terceira vez devolveram-nos as carcaças vazias. Uma coisa incrível. Boicotam as nossas iniciativas sempre que trazemos alguma personalidade. Põem-se à porta e não deixam entrar ninguém. E se acabam por deixar entrar o público, colocam uma câmara e gravam tudo. As pessoas têm medo. Os prejuízos são enormes. Estrasburgo condenou-os a uma multa de 13.000€, que são para pagar ao advogado. Por 17 anos não é suficiente. Mas o Estado ainda pode recorrer.
Vou ler isto para ver a sua opinião. Escreveu-o um colunista do El País: "Por outro lado, o livreiro nazi é proprietário da Ediciones Ojeda, uma editora que publica todos os psicopatas desmiolados do mundo. A Livraria Europa é um lugar contraditoriamente estranho a uma livraria. As suas traseiras são um viveiro de cachorros fascistas, os seus escaparates desconsolo universal, e os textos que adornam as prateleiras torpeza intelectual". Isto quer dizer que nem sequer visitou o local. Na livraria podes encontrar todos os clássicos espanhóis, textos religiosos, textos dos Aliados... e quanto às traseiras veja por si. Não és um cachorro fascista. O que se passa é que os incomoda que o público possa ter uma formação diferente da que eles dão. Eles querem que todo o mundo pense à maneira deles, e temem que se alguém diga uma coisa diferente, as pessoas concordem. Temos aqui conferências com as quais às vezes não estou de acordo. Eu sou católico e por vezes temos pagãos ou muçulmanos... mas isto é uma livraria, não um centro de doutrina. Qualquer um pode falar. O que é certo é que permitimos que falem pessoas que em outros sítios não poderiam falar. (...)

Que acha que falta para que houvesse liberdade de expressão?
Eu acho que o problema é que muitos dos que se dizem democratas não são. Porque eu não sou, mas estou interessado em escutar todo o mundo, saber o que pensam e envolver-me em conversas e troca de informação. No momento em que censuram livros, conferências, em que não te permitem dizer certas coisas, há uma censura de facto. Mas o pior de tudo na nossa época é a auto-censura mental. (...) Há um esquema ideológico e não podes sair dele. Por isso quando me condenaram e me meteram na prisão por vender livros, os intelectuais, professores, jornalistas e outros, não disseram nada. Isto é uma democracia. É uma coisa incrível. Não podemos condenar livros. Concordamos que os livros não são criminalizáveis, certo? A não ser que dês com ele na cabeça de alguém, um livro não provoca dor. Poderá estar bem escrito ou mal escrito, mas um livro em si não provoca dor.

Há quem diga que os seus livros são um passo para o crime racial.
Desde que a Livraria Europa existe, não consta que as estatísticas de crimes raciais tenham aumentado. Não conheço ninguém que por ler um livro dos que temos aqui tenha matado alguém. E em qualquer caso não é culpa nossa. É como dizer que se alguém lê o Marquês de Sade, sai por aí a fazer coisas estúpidas com mulheres. É um absurdo absoluto.

Há uns anos li o "Diário de um Skin", e fazem sempre referência a esta livraria como lugar de origem de uma série de conflitos relacionados com skinheads e gente bastante perigosa. Podia dizer-me se há verdade nesta história?
Acho que isso não é verdade porque esse senhor que escreve, que parece ser um jornalista, não o conheço. E em teoria terá que ter estado aqui dentro, na livraria, nas conferências... e nunca se apresentou. O normal seria dizer: sou um jornalista, vamos falar... como tu fazes. Nunca o fez. Ele tinha de vender o livro, e para vendê-lo precisava de uma história apaixonante e tal. Quanto muito veio comprar um livro, e isso foi o máximo que fez. Mas montou um espectáculo. Realmente foi um êxito comercial, e felicito a editora por essa encenação. A verdade é que aqui não vês um skin. Se os skins lessem livros não seriam skins. São tribos urbanas das grandes cidades do capitalismo. Os skins surgiram nas grandes capitais do capitalismo, nas tribos urbanas dos bairros como protesto ao sistema. Mas são a sua juventude. É a juventude democrática. São os seus. Mas como não gostam deles, culpam-nos mais uma vez. Oxalá aqui viessem skins. Se lerem os livros, já é bom sinal. Estou certo que todos os que leiam um livro, vão avançar culturalmente. Aqui sempre recomendámos que venham às conferências, que ouçam música clássica, que vão à montanha... Queremos a saúde das pessoas. É uma livraria que cultiva a cultura.

(Traduzido e adaptado de uma entrevista de Pedro Varela ao jornal galego Compostimes).

sábado, 27 de julho de 2013

Assalto à Cultura

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"Na tradição leninista derrubava-se o Estado a partir da Economia, e assim se punha fim à Cultura, que não passava de um gigantesco sistema de justifi­cação ideológica. Com Gramsci al­tera-se o esquema revolucionário. Para ele é fundamental dominar primeiro a Cultura "burguesa" e substituí-la progressivamente por uma "cultura proletária". As transformações e subs­tituições operadas, assim, na "cultura burguesa", irão influenciar a infra-es­trutura económica, as relações de produção, o sistema social, mudando a mentalidade dos cidadãos. Só depois desta operação é que se deve conquistar politicamente o Estado, vis­to que este se encontra desarmado. A resistência, sempre baseada nas estruturas culturais de valores, nos con­ceitos internos da Cultura, sem esse suporte, nem sequer poderia existir. Daqui que o caminho para o poder nos Estados burgueses, desde há muito, seja este: assalto à Cultura, abastardamento de todas as características positivas do carácter e imagem nacionais, substituição de padrões nacionais por elementos culturais importados, enfraquecimento e eliminação da resistência dos intelectuais patriotas e, finalmente, domínio das principais alavancas da Cultura: meios de comunicação, universidades, institutos e instituições, editoras, escolas, arte, etc."

António Marques Bessa

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Identitários em acção

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No dia 26 de Maio, um grupo de 19 activistas identitários ocupou a cobertura da sede do Partido Socialista francês em Paris com uma faixa que apelava à demissão do Presidente François Hollande. Os manifestantes acabaram detidos pela polícia, com auxílio de gás lacrimogéneo. Na última quinta-feira, os activistas foram julgados pelo Tribunal Criminal de Paris, tendo sido condenados a multas entre 500 a 900 euros.

Permanecer para criar

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«Apenas conta, hoje, o trabalho daqueles que se sabem manter no cume: firmes nos princípios; inacessíveis a todo o compromisso; indiferentes perante as febres, as convulsões, as superstições e as prostituições, ao ritmo das quais dançam as últimas gerações. Apenas conta a resistência silenciosa de um pequeno número, cuja presença impassível de “convivas de pedra” permita criar novas relações, novas distâncias, novos valores, para criar um pólo que, não impedindo, é certo, este mundo de desenraizados e agitados de ser o que é, permitirá, todavia, transmitir a alguns a sensação da verdade, sensação essa que será talvez também o despoletar de alguma crise libertadora.»

Julius Evola

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Dissidente todo o terreno

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O maior inconveniente

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"Esta crise doméstica do princípio do Verão é a prova provada de que o bem público e o sentido de Estado estão ausentes como valor e como critério de actuação dos políticos portugueses.
E, a contrario, é a confirmação de que os interesses pessoais e partidários, a vaidade de ter a última palavra, a obsessão da retórica ideológica, o prazer da vingança na praça pública das humilhações privadas, são os vectores e os motores da actuação de quase todos.
Tudo se passou, como uma sucessão de mãos e vazas de um poker sintético, em que o prazer de surpreender os parceiros e de cobrir a aposta deles dominou qualquer outra preocupação. Até de ganhar.
Desta vez os eleitores e cidadãos aperceberam-se da vacuidade do jogo e indignaram-se, ao dar-se conta que estes bluffs e contra-bluffs a divertir os jogadores são pagos por eles, que estão de fora e bem de fora da partida. Mas pagam a conta. E que a conta do jogo, depois destas duas semanas, entre a degradação dos juros da dívida, as perdas nas bolsas, o downgrading dos bancos, representa um suplemento de peso no fardo que vão carregar e pagar nos próximos anos.
Assim, ao aproximar do quadragésimo aniversário do regime, mais se acentuam os seus custos sociais e económicos, sem que a demagogia e a propaganda (assentes na demonização do Estado Novo e consequentes alegrias da restauração democrática) consigam já sensibilizar muito as massas ‘antifascistas’.
As alternativas para Portugal estão, hoje, entre o protectorado e a bancarrota: o protectorado é sermos os bons alunos da Europa, cumprir à risca os mandatos da troika, deixarmos que os outros – os europeus e os estrangeiros — nos obriguem com o seu mandato a voltar a ser um país normal, saindo desse protectorado. A bancarrota é não fazermos nada disto, ou não fazermos o suficiente e acordarmos um dia com os ATM sem dinheiro e as consequências no meio da rua.
Os antifascistas de serviço — desde os veneráveis vultos do reviralho, obcecados em dizer e fazer tudo ao contrário do que Salazar diria e faria, aos bloquistas que repetem as enormidades da vulgata leninista — querem aproveitar a guerra psicadélica entre a coligação e o Presidente, para se escapulirem e passarem as culpas. Fazem de conta que os pecados e a crise começaram agora e que eles aí estão com receitas infalíveis para a cura. Por isso convém lembrar que esta gente foi a que fez a descolonização e as nacionalizações de qualquer maneira, quem manteve uma constituição socialista até tarde e quem semeou e impôs constitucionalmente os clichés ideológicos que bloqueiam a política, a economia, a sociedade.
Por muito que nos irritem os estados de alma das lideranças, os ajustes de contas despropositados, estes jogos a brincar aos políticos e os jogadores políticos, num terreno cada vez mais movediço, por muito que nos desgoste e indigne o espectáculo destes, os outros ainda conseguem ser piores. E a política portuguesa é hoje uma escolha entre inconvenientes".

Jaime Nogueira Pinto
in "Sol", 19 de Julho de 2013.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Para Portugal o sol não nasce nunca, morre sempre no mar

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"Portugal surge-me como uma formosa e gentil rapariga do campo que, de costas para a Europa e sentada à beira-mar, junto à própria orla onde a espuma das ondas gemebundas lhe banha os pés descalços, com os cotovelos apoiados nos joelhos e a cara entre as mãos, olha o sol a pôr-se nas águas infinitas. Porque para Portugal o sol não nasce nunca: morre sempre no mar, que foi teatro das suas proezas e berço e sepulcro das suas glórias".

Miguel de Unamuno
in "Portugal, Povo de Suicidas", Letra Livre, 2012.

Estamos de volta

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quarta-feira, 17 de julho de 2013

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Pena e Espada: Polémica

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Pena e Espada: Polémica: O nosso jornal é diferente. É uma das suas características fundamentais, que se baseia na liberdade de expressão e informação, bem como na...

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Semanário O Diabo: Leia gratuitamente a edição 1904 de "O Diabo"

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