quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Decrescimento
O decrescimento é um conjunto de ideias apoiado por certos movimentos ecologistas, anti-produtivistas e anti-consumistas, denominados «objectores de crescimento». Rejeitam a progressão indefinida da taxa de crescimento económico, e chegam mesmo a defender uma redução controlada. O termo é por vezes acompanhado por adjectivos («decrescimento sustentável» ou «decrescimento suportável»).
Os objectores de crescimento, apelidados de «decrescentes» pela imprensa, opõem-se aos defensores do «desenvolvimento sustentável», acusando-os de não colocar em causa o ideal do crescimento. Os partidários do decrescimento contestam com efeito um desenvolvimento económico infinito: argumentam que a taxa de produção e de consumo não pode crescer indefinidamente nem ser mantida aos níveis actuais, na medida em que a criação de riqueza medida por indicadores económicos como o PIB corresponde à destruição de um capital natural esgotável.
Os objectores de crescimento propõem no plano individual a prática dos princípios da «simplicidade voluntária» e, no plano global, uma «relocalização» das actividades económicas a fim de reduzir a pegada ecológica e os gastos energéticos.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
1º de Dezembro de 1640
"No dia 1 de Dezembro de 1640, numerosos fidalgos armados acorrem ao paço habitado pela Duquesa de Mântua, vice-rainha de Portugal. Penetram no Palácio, vencem as resistências e executam Miguel de Vasconcelos, traidor à Pátria, hediondo símbolo do domínio dos Áustrias. O velho D. Miguel de Almeida assoma a uma varanda e anuncia ao Povo a libertação do Reino. Forma-se imediatamente uma grande multidão que aclama El-Rei D. João IV.
Esta Revolução, preparada havia meses, deve-se essencialmente à coragem, à dedicação e ao entusiasmo viril de um punhado de conjurados, jovens fidalgos reunidos em volta de D. Antão de Almada. Foi no Palácio dos condes de Almada (...) que se realizaram as reuniões secretas dos Restauradores. É digno e justo apontar às novas gerações o nobre exemplo que esta data encerra. Não devemos esquecer que a acção firme e consciente de uma pequena élite pode salvar uma situação considerada desesperada.
Quando certos princípios estão em perigo, quando a Justiça e o Direito são ultrajados, a inacção chama-se complacência culpável, e a renúncia chama-se cobardia. Mas isso não se dirá de nós. No momento em que a Pátria sofre mutilações e feridas no seu corpo, não podemos tolerar que seja também atacada no seu espírito. A juventude que salvou Portugal em 1640 tem de ser o exemplo da juventude actual para vencermos e aniquilarmos a traição."
Luís Fernandes
in «Agora», n.º 289, 17.12.1966.
Cultura primeiro!
No dia 1 de Dezembro, pelas 17 horas, o Palácio da Independência em Lisboa abre as suas portas para a inauguração da exposição «D. João IV e a Restauração da Independência de Portugal», pela pintora e artista plástica Gabriela Marques da Costa.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Os ilusionistas da política
«Tudo, no sistema parlamentar, é burla: tudo. Desde primeiro instante de campanha eleitoral até à votação dum projecto de lei. Os Parlamentos mais brilhantes servem talvez a Literatura dum país, porque revelam oradores admiráveis mas desservem estrondosamente a Nação que os contém, porque à frente da Nação requerem-se estadistas, e um parlamento não revela estadistas.
Os verdadeiros homens de Estado naufragam nos Parlamentos, onde só vencem os tribunos, os ilusionistas da Política.
(...) Na política não se anda, e a política não se fez, para cantos de sereias. A política fez-se para conduzir os povos, através das dificuldades da existência. E os povos não se conduzem com discursos, como com discursos se não salvam doentes.
O Parlamento, tenho-o afirmado dezenas de vezes, é a consagração estúpida do Número estúpido.»
Alfredo Pimenta
in «A Época», 1926.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Tradição
"A tradição de um povo é a sua paternidade, a substância da sua personalidade, e esta constitui-se na consciência que cada povo tem de si próprio e que é sempre consciência histórica. Pois todo o povo, como todo o indivíduo, é, em cada momento da sua existência, mais ou menos original e criador, mas é também continuador de um processo histórico que é o desenvolvimento íntimo da sua consistência espiritual... É-se tanto mais original quanto mais se é verdadeiramente capaz de entesourar o passado."
Giovanni Gentile
domingo, 28 de novembro de 2010
O crime compensa
«Diz-nos a publicidade a “Inside Job” – título perfeito, mas infelizmente intraduzível – que este filme custou mais de 20 triliões de dólares a fazer. O pior é que esse dinheiro é de todos nós, melhor dizendo, de todos os afectados pela profunda crise económico-financeira que estoirou em 2008. Milhões de pessoas perderam os seus empregos, as suas casas e as suas poupanças. Como foi possível essa tragédia? Quais as suas origens? Quais os seus culpados? Algo foi feito para resolvê-la?
Este é um documentário corajoso que responde a estas questões de uma forma clara e acessível e incisiva, com o recurso a entrevistas, gráficos, títulos de jornais e imagens de arquivo. Tudo muito bem montado, em sequências bem ritmadas que nunca se tornam maçadoras e prendem a atenção do espectador e com a narração do actor Matt Damon.
O responsável por este trabalho de verdadeiro serviço público, isento e bem documentado, é Charles Ferguson que o realiza, produz e escreve. Ferguson é formado em Matemática e doutorado em Ciência Política. Profissionalmente foi empresário na área das novas tecnologias e entretanto passou ao cinema, onde se notabilizou com o documentário sobre a guerra do Iraque “No End in Sight” (2007). Para fazer este filme viajou pelo mundo questionando especialistas, políticos e alguns dos responsáveis pelo desastre financeiro, a quem não teve qualquer problema em colocar as perguntas mais difíceis. Alguns recusaram dar entrevistas e essa atitude é referida, outros ficam sem palavras, incomodados, enervados e há até quem peça para desligar a câmara.
Traçando um percurso desde que se abandonou o modelo financeiro tradicional americano, concretamente com a administração Reagan, mostra-nos como a alta finança começou a ser cada vez mais concentrada e poderosa, de tal forma que começou a dominar a política, independentemente de ser republicana ou democrata. Como é dito a determinada altura, o que existe é um “governo de Wall Street”.
Mas o que mais revolta é a impunidade generalizada que verificamos ao ver que os principais responsáveis continuam a fazer uma vida milionária, coleccionando mansões e jactos privados, ao mesmo tempo que recorrem a serviços de prostituição de luxo e ao consumo de cocaína. Tudo vale neste jogo de ganhar dinheiro à custa da miséria alheia.
A parte final do filme é bastante reveladora do que nos guarda o futuro. Apesar das boas intenções anunciadas pelo recém-eleito presidente Obama, a triste realidade é que nada, ou quase nada, se alterou. Aquele que se apresentava como apóstolo da “mudança”, afinal reconduziu ou colocou em lugares de topo vários responsáveis directos por um ‘meltdown’ nunca antes visto. Para reflectir e agir.»
Duarte Branquinho
in «O Diabo».
Méridien Zéro e os centros de poder
A edição de hoje do programa Méridien Zéro tem o título «Mais ou se trouve le pouvoir?» («Mas onde se encontra o poder?») e aborda as questões dos centros de poder em França. O convidado desta emissão, que começa como habitualmente às 22 horas, é o jornalista Emmanuel Ratier. O programa Méridien Zéro é uma emissão da Radio Bandiera Nera.
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