segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Homens nobres
«Para mim, nobreza é sinónimo de vida esforçada, sempre disposta a superar-se a si mesma, a transcender-se do que é para o que se propõe como dever e exigência. Desta maneira, a vida nobre opõe-se à vida vulgar e inerte que, estaticamente, se reclui em si mesma, condenada a perpétua imanência, desde que haja uma força exterior que a obrigue a sair de si. Daí que chamemos massa a este modo de ser homem — não tanto porque seja multitudinário, mas porque é inerte.
Conforme se avança na existência, uma pessoa farta-se de observar que a maior parte dos homens — e das mulheres — são incapazes de outro esforço que o estritamente imposto como reacção a uma necessidade exterior. Por isso ficam mais isolados e como que monumentalizados na nossa experiência os pouquíssimos seres que conhecemos capazes de esforço espontâneo e luxuoso. São os homens selectos, os nobres, os únicos activos e não só reactivos, para os quais viver é uma tensão perpétua, um treino incessante. Treino = askesis. São os ascetas.»
Ortega y Gasset
in «A Rebelião das Massas», Relógio d'Água.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Méridien Zéro e os custos da imigração
Hoje, o programa Méridien Zéro recebe Arnaud Naudin, jornalista independente, numa edição dedicada aos custos económicos da imigração. Como habitualmente, a emissão francófona da Radio Bandiera Nera tem início às 22 horas portuguesas.
sábado, 4 de dezembro de 2010
Por uma cidade de dimensão humana
«O urbanismo sofre desde há cinquenta anos a ditadura da fealdade, do sem-sentido e do curto prazo: cidades-dormitório sem horizonte, zonas residenciais sem alma, subúrbios cinzentos que servem de esgotos municipais, intermináveis centros comerciais que desfiguram a entrada das cidades, proliferação de "não-lugares" anónimos concebidos para utentes apressados, centros urbanos exclusivamente dedicados ao comércio e aos que foram despojados do seu ambiente tradicional (cafés, universidade, cinemas, teatros, praças, etc), justaposição de imóveis sem um estilo comum, bairros degradados e entregues ao abandono ou, pelo contrário, permanentemente vigiados por guardas e câmaras de vigilância, desertificação rural e sobrepopulação urbana...
Já não se constroem habitats para viver, mas para sobreviver num ambiente urbano desfigurado pela lei da rentabilidade máxima e da funcionalidade racional. Ora, um habitat é antes de mais um habitat: trabalhar, circular e habitar não são funções que podem ser isoladas, mas antes actos complexos que afectam a totalidade da vida social. A cidade deve ser repensada como o local de encontros de todas as nossas potencialidade, o labirinto das nossas paixões e das nossas acções, em vez de expressão geométrica e fria da racionalidade planificadora. Arquitectura e urbanismo inscrevem-se, por outro lado, numa história e geografia singulares, e devem ser o seu reflexo. Isto implica a revalorização de um urbanismo enraizado e harmonioso, a reabilitação dos estilos regionais, o desenvolvimento das vilas e das pequenas cidades em forma de rede, em torno de cidades regionais, a promoção das zonas rurais, a destruição progressiva das cidades-dormitório e das concentrações estritamente comerciais, a eliminação de uma publicidade omnipresente, assim como a diversificação dos meios de transporte: abolição da ditadura do automóvel individual, transporte ferroviário de mercadorias, revitalização do transporte colectivo, consideração pelos imperativos ecológicos...»
Alain de Benoist
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Ânsia de uniformização e, portanto, de deformação
«O mundialismo (...) é sobretudo uma coisa: ânsia de uniformização e, portanto, de deformação. Exalta e anima a destruição das diferenças e da qualidade, não só no âmbito sócio-cultural e político mas também no quotidiano, em todos os campos, desde a esfera intelectual à alimentação. O seu ideal é uma sociedade unificada e governada por uma classe dirigente dedicada a modelar o planeta, com o objectivo de fazer de cada um dos seus habitantes apenas e exclusivamente o fruto da mundialização. E sobretudo que não tenha nada de antigo ou herdado. Portanto, o mundialismo é uma ideologia fanática da globalização, como foi o comunismo a ideologia fanática da proletarização.»
Gabriele Adinolfi
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Decrescimento
O decrescimento é um conjunto de ideias apoiado por certos movimentos ecologistas, anti-produtivistas e anti-consumistas, denominados «objectores de crescimento». Rejeitam a progressão indefinida da taxa de crescimento económico, e chegam mesmo a defender uma redução controlada. O termo é por vezes acompanhado por adjectivos («decrescimento sustentável» ou «decrescimento suportável»).
Os objectores de crescimento, apelidados de «decrescentes» pela imprensa, opõem-se aos defensores do «desenvolvimento sustentável», acusando-os de não colocar em causa o ideal do crescimento. Os partidários do decrescimento contestam com efeito um desenvolvimento económico infinito: argumentam que a taxa de produção e de consumo não pode crescer indefinidamente nem ser mantida aos níveis actuais, na medida em que a criação de riqueza medida por indicadores económicos como o PIB corresponde à destruição de um capital natural esgotável.
Os objectores de crescimento propõem no plano individual a prática dos princípios da «simplicidade voluntária» e, no plano global, uma «relocalização» das actividades económicas a fim de reduzir a pegada ecológica e os gastos energéticos.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
1º de Dezembro de 1640
"No dia 1 de Dezembro de 1640, numerosos fidalgos armados acorrem ao paço habitado pela Duquesa de Mântua, vice-rainha de Portugal. Penetram no Palácio, vencem as resistências e executam Miguel de Vasconcelos, traidor à Pátria, hediondo símbolo do domínio dos Áustrias. O velho D. Miguel de Almeida assoma a uma varanda e anuncia ao Povo a libertação do Reino. Forma-se imediatamente uma grande multidão que aclama El-Rei D. João IV.
Esta Revolução, preparada havia meses, deve-se essencialmente à coragem, à dedicação e ao entusiasmo viril de um punhado de conjurados, jovens fidalgos reunidos em volta de D. Antão de Almada. Foi no Palácio dos condes de Almada (...) que se realizaram as reuniões secretas dos Restauradores. É digno e justo apontar às novas gerações o nobre exemplo que esta data encerra. Não devemos esquecer que a acção firme e consciente de uma pequena élite pode salvar uma situação considerada desesperada.
Quando certos princípios estão em perigo, quando a Justiça e o Direito são ultrajados, a inacção chama-se complacência culpável, e a renúncia chama-se cobardia. Mas isso não se dirá de nós. No momento em que a Pátria sofre mutilações e feridas no seu corpo, não podemos tolerar que seja também atacada no seu espírito. A juventude que salvou Portugal em 1640 tem de ser o exemplo da juventude actual para vencermos e aniquilarmos a traição."
Luís Fernandes
in «Agora», n.º 289, 17.12.1966.
Cultura primeiro!
No dia 1 de Dezembro, pelas 17 horas, o Palácio da Independência em Lisboa abre as suas portas para a inauguração da exposição «D. João IV e a Restauração da Independência de Portugal», pela pintora e artista plástica Gabriela Marques da Costa.
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