sábado, 5 de fevereiro de 2011

Fome

0 comentários
 
Fome
Knut Hamsun
Cavalo de Ferro
256 Páginas

A acção de «Fome», um romance marcante e considerado um clássico da literatura mundial, decorre nos finais do século xix. O narrador, um jovem escritor, um homem solitário, deambula pelas ruas de Kristiania (actual Oslo) numa miséria extrema, enregelado pelo frio e tolhido pela fome. Essa miséria em que vive, provoca-lhe momentos de delírio e violentas variações de humor. Mas cedo nos apercebemos de que a “fome” desse sonhador não é apenas física. Há a procura de uma identidade e de um reconhecimento dentro das suas próprias alucinações.

Encomendar através de: Cavalo de Ferro, Bertrand, Wook, Fnac.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Hellas!

2 comentários
 

A Ordem Burguesa

0 comentários
 

"Ora as democracias, desenvolvendo por um lado o arrivismo e por outro o amor do lucro, colocam o Estado ao alcance dos ambiciosos que o souberem conquistar e segurar. Cria-se assim a ordem burguesa, bem caracterizada pela maneira sangrenta como se liquidam em democracia as convulsões populares. Luís XVI morreu no cadafalso porque recuou em frente do alvitre de mandar metralhar a canalha de Paris. Por outro tanto caiu nas jornadas de Julho a Realeza legítima. Já não acontece o mesmo na França republicana, com Clemenceau ordenando os massacres de Narbonne e de Davreuil, e na «livre América», com o milionário Carnegie, e autor do tal livro famoso, — A Democracia triunfante, fuzilando por conta própria os seus operários em greve. A ordem burguesa é, pois, a ordem que se defende no Estado unicamente por meio da força e que, não tendo consigo nem um passado nem um futuro, pratica, enquanto lhe é possível, a máxima de Guizot: — «Governar é aguentar-se no poder»."

António Sardinha
in "Durante a Fogueira", 1927.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Se não é 'sexy', podem esquecer

1 comentários
 

Aqui há dias, e graças a um amigo, tomei conhecimento pelo YouTube de uma intervenção feita no Parlamento Europeu (PE) pelo eurodeputado Miguel Portas, do Bloco de Esquerda.
Portas insurgia-se contra uma nova fornada de privilégios para os eurodeputados, contemplada pelo Orçamento Rectificativo do PE, que acabava de ser votada. Nomeadamente, o aumento dos recursos dos deputados para a contratação de assistentes, e de uma série de subsídios de que gozam quando saem em trabalho.
Além de criticar estas medidas, o deputado do BE apelava também ao corte de despesas indevidas pelo PE, por "desrespeitarem as dificuldades por que passam os nossos eleitores", e terem sido aprovadas num período de grave crise geral.
Eu não sou de esquerda e não vou nada à bola com o Bloco de Esquerda, mas como cidadão, faço minhas as palavras de Miguel Portas. Foi um discurso importantíssimo, claro e corajoso, feito em nome dos eleitores e em sua defesa. Coisa raríssima de se ouvir num sítio como o PE, e da boca de um eurodeputado. Este protesto devia ter tido a maior repercussão e divulgação.
Ouviram alguma referência na comunicação social portuguesa? Viram-no nas televisões? Que eu me lembre, e tenha dado por isso, nada. Não fosse o YouTube e nem sequer tinha sabido dele.
Se tivesse havido um berreiro ou uma cena canalha entre eurodeputados, claro que teriam tido honras de abertura gozona ou indignada dos telejornais. E depois admirem-se por cada vez mais pessoas procurarem na Net a informação que os media ignoram ou desprezam por não ser sexy.

Eurico de Barros
in "Diário de Notícias", 29 de Janeiro de 2011.

Paris, je t'aime!

1 comentários
 


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Escolhemos estar no campo dos malditos

0 comentários
 

"No plano do compromisso, escolhemos a lucidez e as consequências que dela decorrem. Nomeadamente, que as convicções nunca devem ser sacrificadas aos interesses conjunturais, sempre ilusórios. De facto, isto significa que recusamos qualquer compromisso, qualquer oportunismo, baseado no pretexto de que o nosso corpo ideológico nos impede toda a perspectiva de «sucesso». Qual «sucesso»? Aquele que consiste, vendendo a alma por um prato de lentilhas, em ser tolerado, admitido pela gente que controla o poder, todos os poderes, e que exigem dobrar a espinha aos dogmas do politicamente correcto para escapar à diabolização? Um pouco por toda a parte, na Europa, gente tida como pertencente ao nosso campo compromete-se num caminho sem retorno, no caminho da renegação. Fazendo vassalagem ao cosmopolitismo, ao poder do dinheiro. Convertendo-se ao emburguesamento que os leva a trair os compromissos e as lutas de juventude. Não é preciso ser «extremista», certamente, para obter um lugar (trampolim...) no circo democrático. Lamentável degradação, que não inspira mais do que desprezo. O que não impedirá os renegados de continuarem tão ou mais párias que aqueles que fazem cintilar um certificado de respeitabilidade, aparentemente capaz de abrir as portas de promissoras carreiras.
Nós não temos ilusões: estamos e escolhemos estar no campo dos malditos. Para sempre. E estamos por gosto, já que é o único sítio no qual podemos cruzar-nos com homens e mulheres dignos de estima."

Pierre Vial

"Teremos de renunciar aos próprios sistemas"

0 comentários
 

«Os combustíveis fósseis permitiram que a espécie humana criasse e mantivesse sistemas altamente complexos a escalas gigantescas. As fontes de energia renovável não são compatíveis com esses sistemas e escalas. As energias renováveis não conseguirão ocupar o lugar do petróleo e da gasolina nesses sistemas. Teremos de renunciar aos próprios sistemas. Mesmo muitos "ecologistas" e "verdes" dos nossos dias parecem pensar que basta mudar a energia. Em vez de usarmos electricidade gerada por petróleo ou gás para fazer funcionar os aparelhos de ar condicionado de Houston, usaremos parques eólicos ou enormes painéis solares; teremos automóveis com combustíveis supereficientes e continuaremos a circular de um lado para o outro no sistema rodoviário interestadual. Não é isso que vai acontecer. O desejo de manter os mesmos sistemas gigantescos a escalas gigantescas, recorrendo a energias renováveis, ocupa o lugar central nas nossas ilusões sobre energia solar, eólica e hidráulica.»

James Howard Kunstler
in "O Fim do Petróleo - O Grande Desafio do Século XXI", Bizâncio, 2006.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Liberdade para Pedro Varela

0 comentários
 

Terá lugar no próximo dia 11 de Fevereiro, sexta-feira, uma vigília junto à Embaixada de Espanha em Lisboa, em defesa da Liberdade de expressão e em solidariedade com Pedro Varela, condenado pela Espanha democrática por vender livros.

Mataram o Rei!

0 comentários
 

Pelas 17 horas do sábado 1 de Fevereiro de 1908 o barco proveniente do Barreiro aproximou-se da Estação de Sul e Sueste de Lisboa, onde era aguardado pelos membros do governo e outras personalidades proeminentes, pois nele vinha o rei D. Carlos, que tinha ido passar uma temporada a Vila Viçosa.

À distância um numeroso grupo de pessoas aguardava a chegada do rei, entre as quais alguns homens da Carbonária em que se destacavam Manuel Buíça, que escondia uma carabina por debaixo de um capote, e Alfredo Costa, que tinha um revólver. Pouco antes haviam estado no café Gelo, no Rossio, e preparavam-se então para realizar um atentado contra o rei.

Em Lisboa vivia-se ainda uma forte tensão política na sequência da abortada revolta republicana ocorrida a 28 de Janeiro, durante a qual se tentara derrubar o governo de João Franco, que exercia o poder sob um regime de ditadura temporária com o apoio do rei. Este autorizara em 31 de Janeiro a condenação ao exílio dos dirigentes presos durante aquele movimento, o que agravou ainda mais a ira dos grupos da Carbonária, organização de radicais republicanos que durante a agitação anterior tentara em vão matar João Franco. Desta vez os alvos eram o rei e dos restantes membros da família real, e os carbonários não iriam falhar.

Depois de ter desembarcado e cumprimentado as pessoas que o esperavam, D. Carlos dirigiu-se para o palácio das Necessidades entrando numa carruagem descoberta e sentando-se ao lado da rainha D. Amélia, tendo à frente os filhos D. Luís Filipe e D. Manuel. Quando o veículo chegou a meio da rua que ladeia a arcada ocidental da Praça do Comércio e antes de começar a virar para a Rua do Arsenal ouviu-se um tiro. Foi então que Buíça, saindo de junto das árvores da praça, colocou-se uns 8 metros atrás da carruagem, apontou com a sua carabina para o pescoço de D. Carlos e disparou um tiro que foi mortal, a que se seguiu outro que atingiu o ombro do rei e o fez cair sobre D. Amélia. Nessa altura ouviram-se mais tiros que terão vindo de junto da estátua de D. José. Nessa altura Costa saiu das arcadas e saltou para o estribo lateral da carruagem disparando dois tiros contra o rei e um contra D. Luís Filipe

Este, que já se tinha levantado com um revólver na mão, ainda conseguiu disparar contra Costa ferindo-o e obrigando-o a cair da carruagem, depois de em pé D. Amélia o ter tentado afastar com um ramo de flores. Durante esta fase do tiroteio, Buíça mudou de posição e disparou um terceiro tiro que atingiu mortalmente o príncipe na cabeça quando a viatura já estava quase a chegar à rua do Arsenal, tendo sido aí que um tiro disparado não se sabe de onde feriu sem gravidade D. Manuel num braço. Só por essa altura é que Buíça foi interceptado e imobilizado por polícias que o mataram a tiros de revólver, o mesmo destino que teve Costa depois de ter caído ferido.

Tinham passado cerca de três minutos desde o início do tiroteio quando pelas 17 horas e 20 minutos a carruagem entrou no Arsenal da Marinha, onde se verificou o óbito do rei e do príncipe real.

Dia d'O Diabo

0 comentários
 

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Esse honroso final...

0 comentários
 

«O optimismo é cobardia. Nascidos nesta época, temos de percorrer até ao fim, mesmo que violentamente, o caminho que nos está traçado. Não existe alternativa. O nosso dever é permanecermos, sem esperança, sem salvação, no posto já perdido, tal como o soldado romano cujo esqueleto foi encontrado diante de uma porta de Pompeia, morto por se terem esquecido, ao estalar a erupção vulcânica, de lhe ordenarem a retirada. Isso é nobreza, isso é ter raça. Esse honroso final é a única coisa de que o homem nunca poderá ser privado.»

Oswald Spengler
 
© 2013. Design by Main-Blogger - Blogger Template and Blogging Stuff