quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Controlo

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"A democracia vigiada também é o controlo do cidadão pela máquina. Logo que a classe política profissional se viu entrincheirada no poder, com a economia na mão, raciocinou bem: só nos falta controlar as massas. E as massas são as pessoas consideradas uma a uma. Tornou-se fácil, com o Estado despesista e sem limites de orçamento, começar a pentear o tecido social para encontrar inimigos e quem interessa para pagar as suas contas. Então, em vez do odioso militar e o cárcere no quartel, o cidadão passou a ter direito a uma observação constante do Ministério das Finanças, que paulatinamente constrói ficheiros e acena com anos de cadeia como se fosse um cacho de bananas. Diversos órgãos de espionagem da república como o conhecido SIS, como o conhecido SIR, como os serviços de informação especiais de cada Ministério, bem com as redes pessoais de cada "homem grande", estendem-se sobre os portugueses para apurar o que andam a fazer, especialmente os mais activos. O acesso a contas confidenciais de simples cidadão, que a eles diz respeito como rotina, é mais um aspecto da vigilância que não será para desprezar, porque a independência económica assegura a independência política. As redes asseguram outros a ficarem impunes: fazem-nos desaparecer e a massa esquece o nome e o que ele fez.
As redes internacionais de informação e controlo ajudam a que este sistema ainda funcione melhor: trocam dados, aconselham técnicas de vigilância, de gravação, mesmo os computadores pessoais podem ser penetrados e toda a informação tida por bem guardada pode ser espionada e vasculhada por um especialista contratado por uma destas redes."

António Marques Bessa
in «O Diabo», 10/8/2010.

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