terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sidónio Pais

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Nascido a 1 de Maio de 1872, Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais tornou-se um fenómeno relâmpago que, em apenas um ano e seis dias, conseguiu reunir os mais antagónicos apoios, liderar um golpe de Estado, congregar o apoio de toda a população, reformar o regime, reprimir rebeliões, escapar a um atentado e ser assassinado num outro.

Nascido em Caminha, a 1 de Maio de 1872, órfão de pai e irmão de 5, Sidónio divide a sua formação entre o Exército e a Universidade, onde acaba por se tornar catedrático como lente de Matemática, em Coimbra. Chega a vice-reitor dessa universidade no próprio ano da revolução de 1910. Tendo a sua actividade política começado entre grupos de conspiração republicana, apenas daria um contributo verdadeiramente activo na sequência da implantação da República.

Em 1912 é enviado como embaixador para Berlim. Aí permanecerá por 4 anos, no decorrer dos quais o seu pensamento e visão política se transforma, degenerando da sua prévia formação republicana. Com o advento da I Guerra Mundial e com o posicionamento português ao lado dos Aliados, Sidónio regressa a Lisboa, em 1916, onde é feito major. Não está contente com o rumo dado às relações externas portuguesas. Sidónio crê firmemente que, finda a guerra, a vitória será alemã e logo, considera que Portugal está no lado errado das trincheiras. Aprendera a admirar a eficácia do sistema presidencialista alemão, a disciplina daquele povo e de suas instituições. É isso que sonha para Portugal, e, no envio de tropas portuguesas para a frente de guerra vê o desbaratar de vidas por uma causa em que já não se revê.

Nos 10 meses que se seguem, Sidónio prepara um golpe militar que visa a destituição do Governo e a imposição de uma nova ordem. Não lhe foi difícil fazê-lo, na verdade, desde a Direita mais conservadora às esquerdas mais radicais, os apoios multiplicavam-se em torno do seu carisma. Reuniu monárquicos e socialistas, militares e clérigos, patrões e proletários, e na tarde de 5 de Dezembro de 1917, inicia um movimento que se conclui em 3 dias com o derrube do governo e a instituição de uma Junta Militar. “Dar estabilidade e prestígio à República e engrandecer e honrar o país”, é o ponto-chave do seu programa de Governo, que apresenta no dia 12 de Dezembro, para além da instituição do regime presidencialista. Começa então uma série de viagens por todo o país e, de Norte a Sul, Sidónio é aclamado por multidões em histeria. Note-se que 1918 foi um ano particularmente dramático, aliando-se à instabilidade económica (resultante da guerra) uma forte epidemia e mortandade, a população pedia ordem, trabalho, comida, justiça e nada disto encontrava com os sucessivos governos dos partidos instalados no poder, os quais Sidónio apelidava de “demagogos”.

A acção social por ele promovida logrou um apoio ainda maior da população, instituindo a “sopa dos pobres”, visitando hospitais e orfanatos, etc. A sua política de proximidade criou um verdadeiro coro de apoio àquele que Fernando Pessoa imortalizaria como o “Presidente-Rei”. Contudo, a sua tendência ditatorial, bebida na disciplina da hierarquia militar, cedo lhe valeu grandes inimizades. A proximidade que veio a estabelecer com os sectores mais conservadores e monárquicos, afastou o apoio socialista e sindical. Por outro lado, o ostracismo a que votou os tradicionais partidos republicanos, valeu-lhe a oposição da Maçonaria.

Dando-se por concluída a acção do seu governo provisório e convocando-se eleições, com sufrágio pela primeira vez universal, é a 28 de Abril de 1918 que Sidónio Pais será eleito Presidente da República. De Maio a Dezembro desse ano, sucedem-se os focos de rebelião e de contra ofensivas governamentais que aumentam a instabilidade do novo regime. O restabelecimento da censura prévia, a prisão política de dezenas de conspiradores, a proibição de manifestações sindicais, etc., move contra Sidónio todo um imenso leque de interesses económicos, sociais e políticos que ele procurou contrariar frontalmente. O regime assentava num só homem e morto o homem, acabava-se com a sua obra. Não obstante, permaneceu sempre ovacionado e querido pelo povo, que lhe reconhecia a delicadeza no trato, a honestidade no olhar e a força na acção.

Na noite de 14 de Dezembro, ele está decidido a embarcar no comboio rumo ao Porto, onde o aguardam tumultos populares. Todos lhe pedem para que fique, garantem-lhe não ser segura a viagem e que o aguardam os conspiradores. Sidónio responde-lhes: “Ou eles, ou eu!” e ruma ao Rossio. É então que, por entre um grande aparato policial e uma imensa multidão de aplausos e vivas, uma arma fura o cordão policial, e quando o major transpõe a entrada do grande átrio da estação, são disparados 2 tiros que o deitam por terra. Disseram, os que o agarraram, que antes de falecer suspirara a frase: “Morro, mas morro bem. Salvem a Pátria”.

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