quinta-feira, 31 de março de 2011

O Homem e a Natureza

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"O escritor norueguês Knut Hamsun, galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1920, voltou a ser editado em Portugal em 2008 graças à Cavalo de Ferro, com a publicação de "Fome", traduzido por Liliete Martins e com prefácio de Paul Auster. Desta vez, mais recentemente, lançou uma nova edição de "Pan" (capa mole, 184 páginas, 18,00 euros), traduzida por João Cruz e Mário Cruz, obra que havia sido publicada em 1955, pela Guimarães, com tradução de César Frias. E não ficará por aqui, já que está anunciada para breve a publicação de "Victoria".
Hamsun é um autor bastante polémico devido ao seu apoio ao movimento de Vidkun Quisling e à Alemanha nacional-socialista durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1943 foi recebido por Hitler, a quem se queixou do administrador militar alemão na Noruega, para descontentamento do führer. De seguida, ofereceu a sua medalha do Nobel a Goebbels. Depois da morte de Hitler escreveu um elogio póstumo onde o considerou "um guerreiro pela humanidade". Todas estas atitudes valeram-lhe a classificação de "colaborador", a expropriação dos seus bens e um internamento psiquiátrico já em idade bastante avançada.
No entanto, apesar de hoje começar a ser reabilitado enquanto escritor e a voltar a ter reconhecimento no seu país, é sempre alvo de críticas devido às suas simpatias políticas e colocado no lado dos "malditos". Seja como for, independentemente do seu posicionamento num período histórico datado, a sua genialidade e a sua qualidade literária são inegáveis.
"Pan", uma das suas obras de maior sucesso e mais reconhecidas, foi publicado originalmente em 1894 e escrito durante o período em que Hamsun esteve em Paris. Parece, talvez por isso, uma fuga para um Verão idílico nórdico que o autor desejaria. A história tem como protagonista o tenente Thomas Glahn, antigo militar e caçador, que vive sozinho numa cabana no bosque, apenas com Esopo, o seu fiel companheiro canino. Este fala-nos da primeira pessoa e o livro, de início, parece um diário. Glahn vai encontrar a jovem Edwarda e apaixona-se profundamente. No entanto, as múltiplas infidelidades dela transformarão esta paixão em tragédia.
Em "Pan", encontramos principalmente a ligação do homem à Natureza, à paisagem que o envolve e o simbolismo do ciclo das estações do ano, manifestações do panteísmo pessoal de Hamsun e da sua profunda aversão à civilização urbana e ao progresso.
Uma obra-prima da literatura da autoria de quem Thomas Mann considerou "o maior escritor de sempre". Absolutamente indispensável."

Duarte Branquinho
in "O Diabo", n.º1786, 22 Março 2011.

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