quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Contra a vontade física como ponto de referência absoluto

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"O mito heróico de base individualista, voluntarista e de «super-homens» na época moderna representa um desvio perigosíssimo. Em virtude deste mito, o indivíduo, «cortando-se todas as possibilidades de desenvolvimento extra-indidivual e extra-humano, assume — por uma diabólica construção — o princípio da sua pequena vontade física como ponto de referência absoluto, e ataca o fantasma exterior opondo-se-lhe com a exacerbação do fantasma do seu Eu. Não deixa de ser irónico o facto de, perante esta demência contagiante, alguém que se apercebe do jogo destes pobres homens mais ou menos heróicos pensar novamente no conselhos de Confúcio de que todo o homem razoável tem o dever de conservar a vida com vista ao desenvolvimento das únicas possibilidades que tornam o homem verdadeiramente digno de ser chamado como tal». Mas a verdade é que o homem moderno tem necessidade, como se se tratasse de uma espécie de estupefaciente, dessas formas degradadas ou profanadas de acção: precisa delas para encontrar em sensações exasperadas o sucedâneo de um verdadeiro significado da vida. Uma das características da «idade obscura» ocidental é uma espécie de agitação tetânica que ultrapassa todos os limites, que arrasta de febre em febre e desperta cada vez mais novas fontes de embriaguez e de atordoamento."

Julius Evola
in "Revolta Contra o Mundo Moderno", Publicações Dom Quixote (1989).

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