terça-feira, 14 de junho de 2011

À Direita

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"Disse-se já que as palavras-chave do vocabulário direitista teriam sido desacreditadas pelos fascismos. Diremos, antes, que se esse descrédito foi sabiamente construído e mantido por facções especialistas e especializadas na difusão de mitos incapacitantes e culpabilizantes. É necessário que sejamos muito claros neste caso. Aqui, não nos encontramos em presença de uma análise, mas de uma propaganda. Consiste esta propaganda em assimilar ao «fascismo» toda e qualquer doutrina de direita que se afirme com algum vigor e, como corolário, a definir apenas como «democráticos» os regimes que concebam a liberdade sob a forma de um «deixa andar» de qualquer forma estatutário, como indispensável, aos empreendimentos revolucionários da extrema-esquerda. Por extensão, esta assimilação exerce-se restrospectivamente. É assim que vemos (…) afirmar que a obra de Gobineu está «do lado do crime» — o que é mais ou menos tão inteligente como acusar Jean-Jaques Rousseau de ser totalmente responsável pelo Goulag. A nossa sociedade oferece, assim, o espantoso espectáculo de uma direita que se não pode afirmar como tal sem se ver taxada de «fascismo», e de uma esquerda e de uma extrema-esquerda que a qualquer momento se podem dizer como socialistas, marxistas ou comunistas, afirmando sempre, claro está, que as suas doutrinas nada têm a ver com o estalinismo, nem, aliás, com qualquer forma de socialismo historicamente realizado. Ora, se os seguidores das diversas variedades de socialismo se não sentem comprometidos por qualquer das experiências concretas que os precederam — e nomeadamente pelas mais criminosas de entre elas — não vejo por que razão a direita moderna, que afasta totalmente de si qualquer vocação totalitária, terá de bater com a mão no peito e justificar-se. Frente ao prodigioso descaramento dos partidários de uma doutrina em nome da qual se massacraram já mais de 50 milhões de pessoas e que nem por isso deixam de se apresentar com a mão sobre o coração e rosa em punho como sendo os grandes defensores da liberdade, que a direita responda com uma grande gargalhada libertadora — e que prossiga o seu caminho."

Alain de Benoist
in "Nova Direita Nova Cultura – Antologia crítica das ideias contemporâneas", Lisboa, Fernando Ribeiro de Mello/Edições Afrodite, 1981, pp. xxv-xxvi.

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