quarta-feira, 6 de abril de 2011
Assemelhava-se à eficácia do cancro
"Nos anos 80 e 90, assistiu-se nos Estados Unidos a uma conversão de bens públicos em luxos privados, ao empobrecimento do domínio cívico e, para falar com franqueza, à violação da paisagem — um enorme empreendimento entrópico que foi a fase culminante dos subúrbios. O segredo sujo da economia americana dos anos 90 consistia no facto de estar reduzida à criação da expansão suburbana e ao fornecimento, equipamento e financiamento dessa actividade. Assemelhava-se à eficácia do cancro. Nada mais interessava realmente a não ser a construção de habitações suburbanas, a negociação de hipotecas, a venda de grande número de automóveis de que os habitantes precisavam, a transformação das ruas em auto-estradas com toda a infra-estrutura comercial necessária e o transporte de enormes quantidades de mercadoria feita na China, por um preço baixíssimo, para encher essas casas."
James Howard Kunstler
in "O Fim do Petróleo - O Grande Desafio do Século XXI", Bizâncio, 2006.
terça-feira, 5 de abril de 2011
O tendeiro da esquina
«— (...) Entre outras coisas, o princípio da igualdade que com tanto brilho o nosso companheiro de tertúlia defende, deixa-me frio. E já que fala no assunto, digo-lhe que prefiro ser governado por César ou Bonaparte, que posso sempre tentar assassinar se não me agradarem, a ver decidirem-se as minhas preferências, costumes e companhias pelo voto do tendeiro da esquina... O drama do nosso século, don Marcelino, é a falta de génio; que só é comparável à falta de coragem e à falta de bom gosto. Isso deve-se, com certeza, à irrefreável ascensão dos tendeiros de todas as esquinas da Europa.»
Arturo Pérez-Reverte
in "O Mestre de Esgrima", Edições Asa.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Nação e Tradição
«— Pátria para sempre passada, memória quase perdida!
Pois para que não o seja é que nós voltamos ao mais alto exercício do nosso dever de portugueses, que não é senão o de promover entre nós uma restauração da Inteligência. Dum e doutro lado da trincheira em que Portugal se corta de cima a baixo, pululam, numa inconsciência torpe de arraial, os mesmos bonecos, os mesmos postiços, cuja genealogia Eça de Queiroz nos traçou na sua obra cheia da mais elevada intenção demolidora. Portugal morre, porque, tal como uma tribo de berberes, deixou secar as raízes que o prendem à alma eterna da história. Cabe-nos a nós por isso — minoria que por acaso nos julguem — reconstruir, antes de mais nada, a fisionomia moral da Nacionalidade, indo beber ao património das gerações transactas os estímulos sagrados que nos abrirão, de par em par, as portas misteriosas do Futuro. Assim se define o nosso nacionalismo, que não é nacionalismo somente, porque o tempera, como regra filosófica, o mais rasgado e genuíno tradicionalismo. Aceitação das razões fundamentais da Pátria com todas as leis derivadas da Raça e do Meio, nós não nos fechamos, porém, nessa moldura estática, em que por vezes pode tumultuar um forte vento anárquico, como o provam na sua incapacidade conhecida as diversas improvisações nacionalistas provocadas pela guerra europeia. Há que ir mais longe e realizar pela projecção do génio de cada pátria numa consciência maior um ideal superior de civilização — o da civilização cristã que formou o mundo e esperamos confiadamente o salvará ainda.»
António Sardinha
in "A Prol do Comum".
domingo, 3 de abril de 2011
Méridien Zéro e a desinformação mediática
Hoje, o programa Méridien Zéro recebe como convidado Jean-Yves Le Gallou, intelectual francês responsável pela criação e dinamização da Fundação Polémia, um think tank cuja actividade se desenvolve essencialmente através da internet. O tema central desta emissão são os galardões "Les Bobards d'Or", prémios da desinformação mediática cuja cerimónia de atribuição está agendada para o próximo dia 5 de Abril. Este programa será emitido pela Radio Bandiera Nera, e tem início, como habitualmente, às 22 horas portuguesas.
sábado, 2 de abril de 2011
Salazar e a Revolução em Portugal
Salazar e a Revolução em Portugal
Mircea Eliade
Esfera do Caos Editora
256 Páginas
Publicada originalmente em 1942, em Bucareste, e nunca vertida para a nossa língua, esta obra, agora traduzida do romeno por Anca Milu-Vaidesegan e prefaciada por Sorin Alexandrescu, sobrinho do autor, mais que qualquer outra, lançou as bases para a construção do mito luminoso do fundador do Estado Novo, interpretando o seu pensamento e a sua acção política no contexto da «balbúrdia sanguinolenta» em que Portugal, no primeiro quartel do século XX, estava mergulhado. Um livro surpreendente, que inclui uma narração empolgante dos mais marcantes acontecimentos da nossa História, do consulado pombalino ao colapso da Primeira República, uma biografia de Salazar e uma análise dos fundamentos das políticas salazaristas.
Encomendar através de: Esfera do Caos Editora, Fnac, Bertrand, Wook.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Palavras para hoje
"O que esperam agora as juventudes na tempestade? Renunciarão a toda a esperança? Irão retrair-se para torres de marfim? Chegarão a confiar, de novo, em vozes partidárias que, outra vez, as seduzam para as desiludir? Se a nossa geração procedesse deste modo ficaria como uma das mais cobardes e estéreis. A sua missão é outra e bem clara (...) Esta geração, depurada pelo perigo e o desengano, pode buscar, nas suas próprias reservas espirituais, extremos de abnegada austeridade. Quando se aprendeu a sofrer, sabe-se servir. No desejo de servir está o segredo do nosso triunfo (...) Arrojados à intempérie pelas tribos acampadas à sombra dos partidos, queremos erguer o novo refúgio forte, claro e alegre, em cujas estâncias se identificam a honra e o serviço."
José Antonio Primo de Rivera
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