sábado, 11 de janeiro de 2025

Jean-Marie Le Pen, o último dos moicanos

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Figura incontornável da política francesa, tão polémico como corajoso, Jean-Marie Le Pen morreu aos 96 anos.



Fiel às suas origens, Jean-Marie Le Pen gostava de recordar que o seu apelido significava «chefe» em bretão e, depois de o sabermos, é irónico ouvir os seus inimigos e detractores a tratarem-no assim. Homem inteligente e político ardiloso, tinha também a ironia como característica que, amiúde, usava como arma nos confrontos verbais.

O seu percurso foi tão difícil como formidável, das origens humildes até ser eleito deputado com apenas 27 anos, da experiência de combate como voluntário, à difícil construção do Front National (FN), a partir de 1972, partido com o qual se confundiu, até chegar à segunda volta das eleições presidenciais, 30 anos depois, perante a estupefacção geral. Gerou paixões e ódios, sofreu ataques políticos, pessoais e à sua família, mas nunca desistiu.

A imprensa ansiava pelas suas «derrapagens», mas Le Pen era capaz de juntar a erudição à truculência numa eloquência combativa. Sem surpresa, tornou-se um fenómeno mediático e uma importante figura política em França e na Europa. O seu exemplo foi precursor e inspirador para muitos movimentos e partidos europeus.

É assim fácil de entender porque é que um homem que vivera a guerra e a luta política com os maiores do seu tempo olhava para os políticos actuais como um gigante para um bando de anões. Em 1997, no Libération, Jean Baudrillard escreveu que «o único discurso político em França, actualmente, é o de Le Pen. Todos os outros são morais e pedagógicos, a retórica dos professores e conferencistas, dos gestores e programadores».

Cometeu erros e exageros, foi intransigente, provocador e agressivo, mas defendeu sempre a sua França, o seu povo e a sua civilização. Foi um eterno resistente.

Há um cartaz icónico dos anos 90 do século passado, feito pela Juventude do FN, onde sobre um Le Pen sorridente com as penas de chefe índio na cabeça se lê: «Saiamos da nossa reserva!» A imagem icónica era tão atractiva como intrigante. Afinal, seriam os franceses os novos peles-vermelhas?




No segundo volume das suas memórias, Jean-Marie Le Pen escreveu que nelas quis «dizer a nossa verdade» e afirmou-se como «o tribuno de uma tribo que desaparece, o último dos moicanos franceses». Para ele, a «reserva» dos franceses era «o silêncio» e descrevia a condição dos seus compatriotas hoje: «Nós temos ainda o direito de existir, de viver, ou antes de sobreviver, mas esta tolerância vitalícia é acompanhada por uma condição: nós devemos calar-nos, não aparecer no país visível que substituiu o país real. Somos apenas tolerados enquanto não existirmos oficialmente.» Nesse silêncio ensurdecedor, Le Pen foi o grito da resistência.

Especialistas na caricatura enganadora, os seus inimigos lembrarão todos os seus defeitos e mais alguns, mas pouco importam, porque estes não passam de um detalhe na sua vida de dedicação extraordinária à defesa da sua pátria e, especialmente, no seu papel mais importante. Demonstrando uma intuição notável, Le Pen anteviu a submersão migratória e as suas consequências catastróficas para a França e para a Europa, para de seguida denunciar o mundialismo que destrói as pátrias.

Como Cassandra, Jean-Marie Le Pen foi o profeta em quem ninguém acreditou, mas que alertou para a ameaça vital à Europa que hoje é o desafio fundamental que enfrentamos: a imigração em massa. Mas pelo seu exemplo e tenacidade, bem como pela sua firmeza e longevidade, mostrou que nada está perdido à partida e que perante o fatalismo derrotista é preciso recordar que onde há uma vontade, há um caminho.


Duarte Branquinho

Folha Nacional, 9/1/2025.


quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Quem teme a guerra mundial?

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 No entanto, há alguém que não pode sentir-se tranquilo.


Os Estados Unidos da América autorizaram, pela primeira vez, a Ucrânia a utilizar mísseis norte-americanos de longo alcance para defender as suas tropas na região russa de Kursk, ocupada por forças que, desde Agosto passado, lançaram o aparelho militar de Moscovo numa crise psicológica e táctica.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, respondeu que isso equivaleria a uma guerra com a NATO, enquanto o deputado da Duma, Vladimir Dzhabarov, disse que era “um passo muito importante para a Terceira Guerra Mundial”.

Na Europa, reina o mal-estar, alternando entre a preparação de cenários de guerra e apelos cobardes à paz.

Há dois anos que o Kremlin ameaça com o apocalipse nuclear, uma ameaça muito menos frequente nos tempos em que a Rússia era uma verdadeira potência, o que mostra que Moscovo se sente frágil e fraca.

Devemos então preocupar-nos? Obviamente, posso estar enganado, mas diria que não.

Uma escalada psicológica e programada

Esta escalada parece-me ser psicológica e fazer parte do jogo para resolver o conflito ucraniano que, recordemos sempre, foi provocado pela invasão russa numa altura de grande desanuviamento no Donbas e quando as duas principais nações europeias eram governadas por governos abertamente pró-russos.

Isto aconteceu logo após o acordo entre a Europa e Kiev para a utilização de minerais raros do Donbas na nossa indústria civil e militar, o que deixou os americanos inquietos.

A Rússia, independentemente das suas razões “subjectivas”, ao invadir a Ucrânia, escolheu, pela terceira vez consecutiva (depois da Líbia e do Sahel), atacar os nossos interesses e favorecer os dos Estados Unidos.

Desde então, surgiu um cenário de Ialta 2.0, embora de segunda categoria (limitado ao quadrante da contenção europeia): com mecanismos semelhantes aos de então, o objectivo é manter a Europa sob pressão e, provavelmente, dividir a Ucrânia.

O factor Trump

A eleição de Trump, que prometeu acabar com a guerra, exige agora um reposicionamento.

Mas como acabar com ela? Imediatamente após a sua eleição, Trump deixou claro que não poderia forçar Kiev a fazer concessões se Moscovo não fizesse o mesmo. No entanto, após mais de dois anos de um conflito sangrento que só beneficiou os EUA, como é que se pode aceitar ceder uma parte do território capturado, especialmente se se cometeu o erro de o “anexar” oficialmente?

Moscovo deve esperar um colapso militar ucraniano antes do Verão, uma vez que vários indicadores logísticos fazem com que receie o seu próprio colapso dentro de um ano.

Os EUA querem uma Ucrânia dividida e uma Rússia ameaçadora, porque a Rússia sempre foi o seu cão de guarda contra nós. No entanto, também precisam de salvar a face, evitando uma vitória militar russa decisiva, que seria o segundo pior cenário de Washington. O primeiro seria uma nova implosão de Moscovo, como aconteceu em 1991, que colocaria os americanos na berlinda e os obrigaria a conceber estratégias complexas em todo o mundo para preencher o vazio criado.

Para pressionar as partes a negociar, nada melhor do que a “véspera da guerra nuclear”, como aconteceu durante a crise dos mísseis de Cuba, há 62 anos. Daí as ameaças balísticas mútuas.

Se isto levar as partes à mesa das negociações, resta saber o que é que os russos vão conceder e, sobretudo, quem vai conceder em seu nome.

Putin não pode ceder nada porque isso condená-lo-ia.

Putin deve dormir inquieto

É por isso que, tendo em conta as lutas internas constantes no topo do poder russo desde o início da guerra, é provável que Moscovo comece a considerar a possibilidade de afastar o grande mediador das máfias internas que, durante 25 anos, controlou o poder apesar de governos e orientações muito diferentes.

Até os padrinhos, por vezes, correm riscos.

Se eu fosse ele, não me sentiria à vontade.

Para ser claro: não estou a desejar a morte de Putin, estou simplesmente a considerar o que poderia ser a grande solução formal para a consolidação “pacífica” de Ialta 2.0.

Uma solução que, a acontecer, será totalmente russa e seguirá os métodos habituais nestes locais.

De qualquer forma, com ou sem Putin, não muda absolutamente nada para nós: não é um desejo, mas uma conjectura racional.

Em todo o caso, continuaremos presos numa pinça entre o Leste e o Oeste.


Gabriele Adinolfi

NoReporter

sexta-feira, 28 de julho de 2023

O regresso de Céline

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Caído no campo de batalha, com a orelha ensanguentada colada à terra e um braço desfeito, o cabo Ferdinand desperta atordoado, debaixo de chuva, ao lado de um companheiro morto, sentindo ecoar dentro de si um barulho ensurdecedor. «Apanhei com a guerra na cabeça. Ficou-me trancada na cabeça.» Assim se inicia Guerra, romance que, num maço de duzentas e cinquenta páginas, estava entre os manuscritos de Céline desaparecidos durante a libertação de Paris, em 1944, e que agora, sessenta anos após a morte do seu autor, é finalmente trazido a público. Escrito por volta de 1934, este texto levanta o véu sobre a experiência central da existência de Céline: a sua participação na Primeira Guerra Mundial e o trauma físico e moral daí resultante. Com uma narrativa de grande fluidez, onde a crueza e a originalidade da linguagem sublinham o tormento e a desilusão do protagonista, Guerra inscreve-se entre as obras mais inquietantes de Louis-Ferdinand Céline. Inédito durante quase noventa anos, a sua publicação é um acontecimento literário mundial.


terça-feira, 23 de maio de 2023

O Arqueofuturismo de Guillaume Faye reeditado

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Há livros que não devem ser postos nas prateleiras. Estas são as obras chamadas "clássicas" pelos seus leitores, que têm o prazer de as incluir no seu panteão literário. A biblioteca ideal de um jovem europeu será composta por obras literárias, filosóficas e políticas. Com o seu Archéofuturisme. Techno-science et retour aux valeurs ancestrales (“Arqueofuturismo. Tecnociência e regresso aos valores ancestrais”, inédito em português), Guillaume Faye fez jus ao seu título de artesão da palavra e do pensamento. O Institut Iliade reedita esta obra com um acento muito actual. Uma reedição salutar, ou mesmo indispensável, uma vez que as linhas de Faye permanecem muito actuais.

Publicado pela primeira vez em 1998 e reeditado em 2011, L'Archéofuturisme foi um marco no pensamento de Direita. O homem que foi um dos principais teóricos da Nova Direita e do GRECE, e uma das principais figuras do movimento identitário, fez um balanço da luta travada pela Direita durante anos, num livro escrito no início do século XXI, para chegar à conclusão de que a rivalidade entre tradicionalistas e modernistas na Direita tinha de ser ultrapassada, se quiséssemos esperar ganhar a luta contra os nossos inimigos comuns. Para o efeito, propôs um conceito essencial: o de Arqueofuturismo.


Na esteira de Nietzsche e de Giorgio Locchi, Guillaume Faye considera que uma catástrofe é inevitável e que conduzirá ao fim do mundo tal como o conhecemos e ao nascimento de uma nova civilização. O igualitarismo, a modernidade e o seu angelismo cada vez mais cego são males a combater graças a um "espírito arcaico", ou seja, a um pensamento pré-moderno, deliberadamente desigual, que está longe de um humanismo universal defendido por uma civilização que atingiu o seu ponto de ruptura.


Desta "convergência de catástrofes" devemos sair vitoriosos, combinando valores arcaicos e ancestrais com a tecnologia e a ciência. Negar a importância de um destes dois aspectos seria insensato e garantiria uma derrota indiscutível. Persistir numa disputa entre o regresso à tradição e o desejo de ir cada vez mais longe na tecnologia seria igualmente vão.


O balanço feito por Guillaume Faye no seu ensaio é incontestável e nada escapa à pena afiada de um homem que perscruta os acontecimentos que o rodeiam à procura de sinais desta "convergência de catástrofes". Da análise dos erros cometidos pela Nova Direita às questões sociais, nada escapa ao olhar de Guillaume Faye, que sente a urgência de uma terceira via: a do Arqueofuturismo. E Faye não se contenta em desenvolver conceitos livres de qualquer realidade, aplica-os e põe-nos em prática num conto que encerra o seu ensaio e que fará lembrar aos mais atentos distopias bem conhecidas, como Guerilla de Laurent Obertone...


O leitor não pode deixar de ficar impressionado com a lucidez do autor, cujas palavras, datadas de 1999, assumem um carácter quase profético. Este olhar cru sobre a realidade do seu tempo adquire uma tonalidade infelizmente demasiado actual. Reler ou ler Guillaume Faye torna-se uma obrigação para aqueles que querem estar preparados quando chegar o momento de construir uma nova civilização sobre as cinzas de um modernismo enlouquecido que, como Cronos, devora a sua descendência. Para sairmos vitoriosos da catástrofe, Faye convida-nos a seguir Evola e a "cavalgar o tigre", a agarrar a chama prometeica, sem nunca romper com a tradição e os seus mitos.



L’Archéofuturisme. Techno-science et retour aux valeurs ancestrales, de Guillaume Faye, co-edição L’Æncre / La Nouvelle Librairie, 2023, 456 pp. Preço : 21 €. ISBN : 978 – 2‑36876 – 090‑1.

domingo, 21 de maio de 2023

Escreve com sangue e aprenderás que o sangue é espírito

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«Escreve com sangue e aprenderás que o sangue é espírito.»

Esta máxima de Friedrich Nietzsche foi passada à acção por Dominique Venner, há exactamente dez anos, no dia 21 de Maio de 2013, sob as abóbadas da catedral de Notre-Dame em Paris.


Esta morte voluntária não foi uma renúncia, nem um gesto de desespero, mas um germe, «como uma provocação à esperança e ao motim», um gesto realizado «com uma intenção de protesto e fundação» porque Dominique Venner sentiu o dever de agir «perante os imensos perigos para a nossa pátria francesa e europeia».

Espantando tanto os seus piores inimigos quanto os seus amigos mais próximos, Dominique Venner soube morrer como um Antigo Europeu, seguindo o exemplo de Catão de Útica, Séneca e Régulo. Nestes tempos em que se exibem vidas desprovidas de sentido, o seu gesto encarna uma ética da vontade, constituindo um apelo aos europeus ainda lúcidos, para além das massas anestesiadas. De portador da espada, Dominique Venner tornou-se portador da luz. Com a sua morte, ele transmitiu-nos uma chama que nunca se deve extinguir.

Desde este 21 de Maio de 2013, o tiro que o matou ressoa como o rugido sombrio e pesado que anuncia as tormentas e tempestades de um século de ferro e pavor que se abre diante de nós. Dez anos depois do seu gesto, os «perigos tremendos» que Dominique Venner evoca na sua carta-testamento estão mais próximos do que nunca. Como a imagem insana da Notre-Dame de Paris em chamas seis anos depois do seu último gesto, abrem-se desafios gigantescos diante dos nossos olhos: a invasão migratória, as crises morais, sociais, ecológicas, económicas, o regresso da guerra à Europa… Todos estes perigos se conjugam numa convergência de catástrofes que nunca levou tão alto a ameaça de aniquilação completa do nosso mundo.

Diante disto, somos os últimos dos europeus, «levando às costas o peso da mais gloriosa das heranças», carregados de quarenta séculos de História, mas, mais ainda, com a riqueza de uma concepção do mundo e de um certo tipo de um homem como nenhum outro, tal como foi cantado nos nossos contos épicos, nos poemas homéricos, nas Eddas, na matéria da Bretanha, na lenda dos Nibelungos…

O dia 21 de Maio de 2013 não significa um fim, mas um começo, um rito de fundação. Ao cometer suicídio na Notre-Dame de Paris, um lugar imemorial e sagrado, Dominique Venner abriu um caminho. Um «juramento silencioso» liga-nos agora pelo sangue derramado naquele dia sob a frondosidade de pedra da catedral. Cabe-nos, sempre, continuar um combate ético e estético. Face às tempestades de aço que estão por vir, cabe-nos sermos de novo «portadores malditos da força criativa», vigilantes e despertadores, pessimistas e alegres, tradicionalistas e revolucionários, meditativos e activos, presentes na rua e considerando sagrado o segredo das florestas.

Do despertar dos europeus, Dominique Venner não duvidava. Recusando submeter-nos a um suposto sentido da História, acreditamos, como ele, que a História é, pelo contrário, o domínio do imprevisto, que é antes de mais levada pela vontade dos homens, e juramos dedicar toda a nossa energia para que o que parece inevitável não o seja. Sem dúvida que não veremos o resultado, como aconteceu por exemplo na Reconquista que se estendeu por sete séculos, mas a nossa ardente vigília poderá um dia acolher depois de uma longa noite «aqueles que pronto aparecerão na nova manhã». Assim, como o Rei Artur regressando de Avalon, ou o Imperador Barbarossa dormindo sob as montanhas Kyffhäuser, a Europa conjurará o feitiço maligno que começou em 1914 e despertará para voltar a encontrar a História, e então será para sempre, fazendo desta forma seu o último oráculo da Pítia de Delfos.

sábado, 6 de maio de 2023

A presente imposição ideológica

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«A presente imposição ideológica, que descarta a biologia e outras minudências através de um processo orwelliano aparentemente liberal, é exercida sobre uma população de crianças e adolescentes. É parte de uma máquina de transformar em regra situações minoritárias e marginais, com as quais há, com certeza, que ter toda a atenção e compreensão, mas também a consciência de que não se tratam ou resolvem por decreto nem devem generalizar-se. Entretanto, a máquina vai-se tornando um perigo público, prometendo transformar o que aparenta ser uma questão acessória numa questão essencial para o futuro da sociedade.»

Jaime Nogueira Pinto

in "Observador", 6 de Maio de 2023. 

segunda-feira, 10 de abril de 2023

Face ao declínio antropológico, viver como Europeu

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Artificialização da vida humana, fenómenos de autodomesticação, colapso fisilógico, fantasias transhumanistas, imigração maciça... Tantas ameaças que assomam os Europeus. Mas então, que fazer? É uma fatalidade? Anne Trewby, Georges Guiscard e Adriano Scianca dão-nos neste vídeo uma amostra do que será o Colóquio de 2023 do Institut Iliade.

Encontro marcado para sábado, 15 de Abril, para o Colóquio «Face ao declínio antropológico, viver como Europeu».

terça-feira, 21 de março de 2023

Teologia Política, de Carl Schmitt, publicado em Portugal

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Escreve Alexandre Franco de Sá na Introdução à sua tradução de Teologia Política, de Carl Schmitt, publicado finalmente em Portugal na Biblioteca Crítica Fundamental: “Dificilmente se poderá exagerar a importância do pequeno texto agora publicado em nova tradução portuguesa. Surgida há cem anos, Teologia Política: quatro capítulos sobre a doutrina da soberania (1922) resultava de um escrito de homenagem a Max Weber que Carl Schmitt, jurista de 37 anos então professor na Universidade de Bona, resolvera ampliar e publicar de forma autónoma, acrescentando um último capítulo aos três do texto originário. No ambiente cultural alemão, Schmitt começara a tornar-se notado poucos anos antes, ao publicar dois livros de grande repercussão: Romantismo Político (1919) e A Ditadura (1921). Ambos mostravam uma visão muito crítica do liberalismo e do positivismo jurídico dominantes na República de Weimar, permitindo o seu alinhamento com a reacção antimoderna que caracterizava a então chamada Revolução Conservadora. Embora este movimento fosse muito rico e diversificado, e embora Schmitt não possa ser catalogado como representante de um movimento intelectual lado a lado com personalidades como Moeller van den Bruck ou Ernst Niekisch, apenas para citar dois nomes com perspectivas políticas muito diferentes ou mesmo opostas às de Schmitt, tal alinhamento valeu-lhe, desde muito cedo, a hostilidade de alguns intelectuais que, com orientação política divergente, vislumbravam o seu pensamento como particularmente perigoso.”

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Crítica XXI: liberdade incondicional

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Portugal é há quase meio século governado pelas esquerdas. Se estendermos a ideia de poder ao campo cultural, podemos dizer que esse domínio é até anterior à Revolução e permanece mesmo quando as direitas governam.

Disto não resulta apenas que as direitas e o seu pensamento sejam mal conhecidos; resulta uma atmosfera cultural e mediática acomodada e maniqueísta sem espaço para a interrogação crítica.

Crítica XXI quer dar a conhecer a tradição intelectual das direitas e os seus desenvolvimentos actuais, olhando para valores, ideias e princípios com liberdade incondicional.

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Jean Raspail: Profeta dos Tempos Modernos

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No "Figaro Magazine", o último texto da série "Os Profetas dos Tempos Modernos" foi dedicado a Jean Raspail. No artigo, apropriadamente intitulado "A Submersão Migratória", Mathieu Bock-Côté fala sobre o impacto político do romance premonitório "Le Camp des saints", concluindo: «Que fazer quando mundo que nos importa mais que tudo se desmorona? Que atitude devemos adoptar perante um mundo em ruínas, especialmente se não queremos reconciliar-nos com aquele que o substitui, ou se nos sentimos incapazes de fazê-lo? Fugir? Fecharmo-nos em sonhos e refúgios oníricos? Permanecer firmemente fiéis ao mundo derrotado, mesmo que tal signifique fazê-lo sobreviver clandestinamente, como uma tradição secreta, e na esperança romântica ou política de o ver um dia reaparecer, sob um novo rosto? De livro em livro, Jean Raspail ensaiou estas respostas, que vão muito além da questão única da migração. Também se lêem como samizdats.»

 
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