sábado, 20 de novembro de 2010

O Sangue

1 comentários
 

«Empregamos esta palavra como significando Herança.
Os rubros glóbulos sanguíneos trazem, dentro da sua microscópica esfera, antigos espectros que ressurgem e vão definindo o carácter dos indivíduos e dos Povos.
Gritam no sangue velhas tragédicas, murmuram velhos sonhos, velhos diálogos com Deus e com a terra, esperanças, desilusões, terrores, heroísmos, que desenham, em tintas vivas, o cenário e a acção das nossas almas.
O sangue é a memória, presença de fantasmas, que nos dominam e dirigem.
À voz do sange responde a voz da terra; e este diálogo misterioso mostra os caracteres da nossa íntima fisionomia portuguesa.»

Teixeira de Pascoaes
in «Arte de Ser Português», Assírio & Alvim (2007).

1 comentário:

  1. Aí está uma referência fundamental à compreensão de Portugal e da Portugalidade. E quando afirmamos isto de uma forma categórica, não estamos a referir-nos a um entendimento nacionalista de carácter daltónico, ou seja, baseado numa perspectiva política torpe, ora mais à direita, centro ou esquerda. Na verdade, Teixeira de Pascoaes mostrou bem em 'A Arte de Ser Português' o quanto a Pátria é, enquanto ser espiritual, superior e transcendente, devendo ser os homens a servi-la e não o contrário.

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