segunda-feira, 28 de março de 2011

Sobre o 'rating' da alma nacional

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"Algumas das principais agências de notação financeira voltaram a baixar a classificação de Portugal esta semana. Por este andar, o País ainda vai acabar no fim do alfabeto do rating, com um ZZZ ou coisa que o valha chapado na testa, e a exigir o recurso a uma lupa para se detectar algum vestígio de credibilidade económica.
Se existissem equivalentes da Fitch, da Moody's ou da Standard and Poor's para avaliar o estado geral das nações e o sentimento colectivo dos seus habitantes, e não apenas a sua fiabilidade financeira junto dos mercados e dos credores, já teriam registado que a classificação de Portugal enquanto País tinha descido mais fundo do que um submarino a mergulhar a pique na Fossa das Marianas.
De país, aliás, isto tem cada vez menos. O único factor de união e identificação sobrevivente entre os portugueses parece ser mesmo o futebol ao nível de selecção. Aliado a uma execração espessa e ácida da classe política e suas aderências.
Uma qualquer Moody's que viesse fazer o rating da entidade colectiva chamada Portugal , registaria que deslizámos sucessivamente, de lugar para sítio, de sítio para quintal, e de quintal para canto. E que caímos de povo para massa de gente. Uma gente outrora forte que passou depois a ser fraca, e a seguir foi empurrada para a beira da inanição. Não é só económica e financeiramente que o País está com a corda na garganta e a precisar de reanimação maciça. É também psicológica, intelectual e animicamente. José Gil, que escreveu Portugal, hoje - O Medo de Existir, poderia agora assinar uma continuação: Portugal, hoje - O Doente de Existir."

Eurico de Barros
in Diário de Notícias, 26 Março 2011.

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