quinta-feira, 14 de abril de 2011

Quem vos conhecer que vos compre

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"Acho muita graça ver o PCP e o Bloco de Esquerda preocupadíssimos e assanhadíssimos com o estado da economia e os destinos de Portugal nestes tempos de crise negra, cerrada e acelerada, e ouvir Jerónimo de Sousa a falar em "política patriótica" (esta faz-me logo lembrar a "grande guerra patriótica de Estaline).
Vivemos, infelizmente, num país cada vez mais desmemoriado, com uma capacidade colectiva de recordação que não ultrapassa os acontecimentos de há uma meia-dúzia de dias.
Eu, que nasci abençoado (ou amaldiçoado, segundo o ponto de vista...) com uma memória elefantina, recordo-me perfeitamente da forma como logo depois do 25 de Abril, e com auge no PREC (para os mais jovens ou falhos de memória: o PREC não é uma variante do PEC, era o Processo Revolucionário em Curso em 1974 e 1975), o PCP e alguma da extrema-esquerda que se converteu ao jogo democrático e se agrega no Bloco de Esquerda se empenharam no assalto ao poder em Portugal, e na destruição escancarada, cega e selvática da economia nacional, em nome do "caminho para o socialismo", da "revolução proletária e de massas" e de outro "lixo de teorias simpáticas", como disse Fernando Pessoa. A mesma economia pela qual agora batem no peito, proferem piedades indignadas e afirmam ter propostas, políticas, receitas e soluções para consertar.
Mil vezes ter à frente da economia portuguesa um ultraliberal, do que qualquer figurão dos partidos que no PREC quase a reduziram a estilhas. Mas isto digo eu, que tenho uma memória elefantina, e hoje acordei mais do contra do que é costume."

Eurico de Barros
in Diário de Notícias, 9 de Abril de 2011.

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