terça-feira, 8 de outubro de 2013

"Nós afirmamos a vitalidade efervescente duma renovação tumultuosa"

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“Ao falar-vos de Portugal, da minha terra distante, onde me é, por agora, interdito voltar, sinto crescer em mim e robustecer-me os lábios todo o orgulho lendário da minha raça.
O povo português é um dos maiores da Terra, pela extensão do seu território ultramarino, pela sua contribuição na obra da civilização e do progresso, pelo nobre desinteresse com que, durante a sua longa História, tomou parte em todas as cruzadas da liberdade e do pensamento humanos.
Um dos maiores da Terra pelo seu passado, mas mais ainda pela amplidão do seu imenso futuro.
Nós não invocamos, para viver e vencer, os vestígios inertes duma glória imortal que tem o seu o seu lugar no museu das nossas recordações, mas a que já falta o dinamismo criador das almas e dos corpos em cujas veias corre o sangue fecundo da mocidade.
Nós afirmamos a vitalidade efervescente duma renovação tumultuosa, é certo, desordenada, se quiserem violenta, não contesto, mas formidável e invencível.
A própria violência dos nossos embates interiores deve ser por vós considerada e compreendida, não como um sintoma de desagregação e degenerescência, mas como uma manifestação salutar das forças profundas que sacodem um organismo em plena adolescência, em plena crise de renovação orgânica, em plena curva ascensional.
É em nome do Futuro que falamos, não é em nome do Passado. Imprudentes? Talvez. Mas a imprudência é final de juventude. Temerários? Sem dúvida. Mas a serenidade é a divisa dos fortes. Demasiado confiantes? É possível. Mas a confiança e a fé são o lema dos conquistadores, o talismã dos audaciosos, o inesgotável tesouro de todas as loucuras sedutoras, o dínamo gerador dessa febre sublime que se chama entusiasmo!
A geração que em Portugal desponta para a vida pública, animada do mais belo e mais potente realismo, que é a base de toda a intensa espiritualidade e da mística moderna dos povos latinos, vai de novo atravessar os mares e continuar a construir, do outro lado do Oceano, o formidável império português que é a finalidade histórica da raça lusitana.
Tirai da nossa memória a imagem deprimente de três séculos de estagnação.
Vede nos rugidos da nossa vida convulsiva apenas as primícias duma renascença que começa, o alvorecer duma nova epopeia que, mais uma vez, há-de espantar o mundo!”

Homem Cristo Filho
Conferência no Club du Faubourg, Paris, 11 de Outubro de 1926.

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