quinta-feira, 30 de junho de 2011

A diferença entre o ouro e o dinheiro

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"O Ocidente funda-se na propriedade da terra, já que a nossa civilização e todo o mundo ocidental derivam do solo e da responsabilidade primordial e total do homem que produz a partir do solo.
Está tudo muito confuso?
Não, não há confusão enquanto os homens continuarem a assumir a responsabilidade de se alimentarem a si mesmos e de alimentarem as suas famílias com o que conseguem tirar da terra, semeando, fazendo amadurecer e colhendo, cuidando do gado.
Esta responsabilidade implica também não permitir que as vacas comam toda a erva do campo, já que uma parte deve ser armazenada como forragem para as alimentar durante o Inverno.
Mas nem todo o capital deste nosso desordenado mundo é resultado do trabalho.
O homem da rua traz na cabeça uma grande confusão, não apenas no que se refere ao dinheiro, mas também no que diz respeito ao ouro.
O ouro é produto de trabalho.
(...) Não se trata de carneiros e ovelhas. Não são amibas, como diz Shakespeare, quando avisa que o ouro não está vivo. Não se multiplica como os carneiros ou as ovelhas de um rebanho.
Plante-se e vejamos se brota na primavera com vinte, trinta, cem espigas.
O dinheiro não tem o menor interesse se não significar alguma coisa além de esterilidade.
O dinheiro não interessa se não representar, precisamente, qualquer coisa parecida com carneiros e ovelhas.
Desde a pré-história, a diferença entre o dinheiro e o metal sempre confundiu os homens.
O conceito de juro já existia antes da cunhagem de moedas metálicas. É muito mais justificado um juro sobre um empréstimo de sementes, sobre um empréstimo de carneiros e ovelhas, que sobre um empréstimo de metal não prolífico e não prolificável."

Ezra Pound
in "Esta é a voz da Europa", Hugin, 1996.

Nas Ruas!

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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Solstício de Verão Terre et Peuple

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O Saneamento de Camilo

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"Sanearam Camilo do programa de Literatura dos Liceus. Não sei se é assim que se diz em termos pedagogicamente correctos, mas foi o que entendi.
Politicamente, o Camilo teve, na adolescência, uma opção reaccionária: andou na guerrilha miguelista do McDonnell, o que o tornaria justamente suspeito aos espíritos progressistas. Mas não creio que seja esta a razão do banimento. Duvido que os saneadores conheçam tão negro pecado do escritor. Porquê então?
Camilo tem para cima de duzentos títulos publicados, dos quais cerca de metade são romances, peças de teatro, contos, folhetins. Tive um tio, camilianista ferrenho, que, ao longo da vida, foi coleccionando, como relíquias, primeiras edições e outras raridades camilianas — folhetos, panfletos, cartas.
Com dez anos, na biblioteca dele, fascinavam-me os títulos em letras doiradas nas lombadas encadernadas a verde escuro, marron e encarnado sangue de boi: Maria não me mates que sou tua mãe, O parente dos Cinquenta e três Monarcas, O que Fazem Mulheres, O livro negro do Padre Diniz, Coração, cabeça e estômago, Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado.
Aos domingos, era admitido nuns almoços de confrades camilianos, onde se contavam e recontavam os ditos e feitos do escritor, anedotas, polémicas, histórias de leilões, odisseias editoriais.
Este mundo de Camilo ia além da literatura, com as adaptações radiofónicas na Emissora Nacional e em emissoras do Porto de obras como Amor de perdição, O retrato de Ricardina, O demónio de ouro, plenas de cavalos arfantes, ventos uivantes, portas a ranger e outros sonoros ‘efeitos especiais’.
Passada a obrigatoriedade do liceu, aí pelos vinte anos, entrei de cabeça e coração no mundo de Camilo, um mundo com uma geografia quase sempre limitada ao Portugal profundo das Beiras e Entre-Douro e Minho, mas chegando ao Porto e a Coimbra. E chegando também aos Mistérios de Lisboa, perdendo-se também na capital, como O Morgado de Fafe ou como o ‘anjo’ de Caçarelhos, Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda.
Camilo tem um tempo, entre as invasões francesas e a Regeneração. Conta as guerras civis e as transformações sociais do Portugal do Ancien Régime no Portugal Constitucional e dá-nos um mundo de morgados feudais, de família tradicionais, de burguesias incipientes, de filhos família desadaptados, de filhos naturais com paixões morganáticas, de emigrados para a Europa e para o Brasil, dos ‘brasileiros’ de torna jornada, regressados ricos, de quem não gostava.
É uma obra única. Não terá o mundo, a trama complexa, o corte social transversal, a construção sólida do romance queirosiano, mas é uma escrita vertebrada, apaixonada, de um narrador prodigioso, um autodidacta de vida aventurosa e marginal — com paixões, adultérios, duelos, prisões, a acabar na cegueira e no suicídio.
E sobre todas estas paixões a paixão de escrever, de passar ao papel histórias e curiosidades que arrancava de manuscritos de bibliotecas conventuais ou senhoriais, misturando-as com episódios da sua própria experiência do Portugal e da Europa do turbulento século XIX.
Num português vernáculo, escorreito, inimitável, que não tinha tempo de reler e menos de corrigir, Camilo escrevia por paixão e necessidade, para viver e sobreviver. É essa escrita, esse estilo que salvam os rocambolescos enredos. Uma prosa que ainda hoje surpreende, toca, encanta, transforma, desde a nostalgia romântica das Novelas do Minho, à sátira política de A queda de um anjo.
O cineasta chileno Raúl Ruiz deixou-se fascinar por este misterioso mundo camiliano que adaptou magnificamente ao cinema em Mistérios de Lisboa. Achou que valia a pena ler e reler Camilo, contá-lo e recontá-lo. Os lusos técnicos educativos da República acharam que não, e sanearam-no. Porquê? Talvez em nome de uma Lisboa e de um Portugal mais legíveis, mais básicos, mais actuais, mais democráticos, mais transparentes, mais sem mistérios."

Jaime Nogueira Pinto
in "Sol", 24 de Junho de 2011.

Midsommar 2011

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terça-feira, 28 de junho de 2011

Revolta Contra o Mundo Moderno

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O reino da Incompetência

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"Os incompetentes são sempre o maior número. E é esse maior número de incompetentes que tem de eleger, de descobrir as competências. Como há-de fazê-lo?
Para se adquirir uma competência determinada, foi preciso seguir um curso, realizar certos estudos, trabalhar durante longos anos. E quando se chega ao fim, aparece o voto anónimo e leviano dos incompetentes — e é esse que decide!
Com a sua vibrante lucidez, o sindicalista Georges Sorel definiu assim a Democracia, a ditadura da incapacidade.
Aceitemos a definição, e poderemos, alterando ligeiramente os termos, dizer: logo, a Democracia, suspensa dos juízos, sem preparação nem autoridade, do maior número — é o reino da Incompetência."

João Ameal
in «Integralismo Lusitano — Estudos Portugueses», 1932.  

Dia d'O Diabo

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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Qualquer coisa de novo

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"Por todo o nosso universo, a juventude espera. Espera não sabe bem o quê, mas algo de diferente do que lhe prometem os doutores do marxismo ou do liberalismo. Espera, tem esperança em qualquer coisa de novo, que rompa com as idolatrias do presente. A juventude não crê no paraíso futuro, no vindouro reino da abundância que lhe oferece o marxismo, considerando tão rasteiro objectivo incapaz de legitimar os inflexíveis meios de terror empregados. E muito menos crê nas blandícias parlamentaristas e pluripartidárias, nas tentativas de castrar tudo quanto é enérgico, rude, impetuoso, trágico em nome de um conformismo sem conteúdo, de um ethos pequeno-burguês que se aterra perante o que é grande e digno e só conhece as regras da utilidade e, sobretudo, do conforto.
Essa juventude de hoje, revoltada e desorientada, que pretende achar na sua agitação e turbulência, senão uma palavra de ordem definitiva e insuperável, uma hierarquia de valores inabalável e inequívoca, numa ânsia incontida de absoluto?"

António José de Brito
in "Tempo Presente", 20/12/60.

domingo, 26 de junho de 2011

Méridien Zéro e a herança da Falange

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A edição de hoje do programa Méridien Zéro vai à procura da «Herança da Falange». O convidado é Olivier Grimaldi, presidente do Círculo Franco-Hispânico. Fundada em 1982, esta associação dedica-se à divulgação das ideias de José Antonio Primo de Rivera. Como sempre, a emissão pode ser escutada através da Radio Bandiera Nera a partir das 22 horas portuguesas.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A morte de Delgado

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"Volta a falar-se do ‘caso Delgado’ e do assassínio do general, por causa de uma peça de teatro e do processo intentado por familiares de uma das personagens secundárias do drama (o major Silva Pais, último director da PIDE-DGS) contra o que consideram injurioso para a sua memória e para o seu bom nome.
A dita peça, ao contrário do livro em que se baseia, teria posto o major Silva Pais como ordenante ou mandante da morte do general. O tema saltou dos tribunais para a opinião pública e está a excitar — neste tempo de troikocracias e acertos de contas da festa democrática — as agora eleitoralmente melancólicas hostes antifascistas.
Não sou um especialista no tema, mas estudei-o por causa da biografia de Salazar (*). Ao contrário de Estaline, de Saddam Hussein e de inúmeros ditadores reaccionários ou progressistas, Salazar nunca mandou perseguir ou matar inimigos políticos no exterior. Não tinha esse costume e seria estranho que, com 76 anos, fosse iniciar vida nova.
Não havia móbil: em 1965, o general Humberto Delgado era um elemento ‘fraccionista’ na oposição antifascista.
Estava em guerra aberta com os comunistas, que nunca o tinham estimado muito, apesar de o terem tentado usar em 1958 como candidato frentista de recurso. Estava, também, em guerra com outros grupos de oposicionistas: por isso lhe estavam a cortar apoios em Argel.
Matá-lo — e ainda por cima em Espanha, um país e um regime com os quais havia relações pessoais e políticas ao mais alto nível — não tinha pés nem cabeça.
Quando Silva Pais contou o acontecido a Salazar, sabe-se que este ficou furioso, consciente da gravidade do crime e dos seus efeitos políticos. Foram estas as conclusões dos tribunais que julgaram o caso depois do 25 de Abril.
Por que é que, naquele dia, Delgado se foi encontrar naquele lugar com uma brigada da PIDE? Com certeza que não foi levado por salazaristas ou fascistas da sua confiança. Quem o convenceu que ia avistar-se com um grupo de antifascistas que o meteriam em Portugal para liderar um golpe ou uma revolução? E quem disse à PIDE que o general se ia entregar? ‘Arrependido’ seria uma boa peça de propaganda para o regime.
São estas as questões polemicamente levantadas por Henrique Cerqueira depois do 25 de Abril, e é desta ‘dupla armadilha’ que nasce a situação: Delgado percebe que quem o espera não é quem ele esperava e, corajoso, reage prontamente.
Casimiro Monteiro (antigo guarda prisional no Estado da Índia, considerado por muitos um natural born killer, homem de gatilho fácil), quando vê o general pronto a disparar, dispara primeiro e mata-o. Depois, porque ‘um abismo chama outro abismo maior’ — e no que deve ter sido uma dessas cenas descontroladas com medo e instintos à solta —, matam a testemunha e acompanhante de Delgado, Arajaryr Campos.
Umberto Eco tem um texto nos Seis Passeios pelos Bosques da Ficção sobre as regras do romance histórico: d’Artagnan pode passear em Paris por uma rua que talvez não existisse ali no século XVII, mas os Mosqueteiros não podem matar Richelieu, porque sabemos que o cardeal morreu em casa, tranquilo e em paz.
Pode a ficção pôr o major Silva Pais a ordenar a morte de Humberto Delgado, quando concluímos que tal morte era absurda na perspectiva dos interesses que ele próprio defendia e que nada indica que o tenha feito?
Será isso um crime ou apenas uma ‘liberdade dramática’ antifascista, aceitável de acordo com a regras dos ‘bons’ e ‘maus’ desta nossa História?
Sabíamos já que um director da PIDE não poderia nunca ter bom nome. Ficámos a saber que não tem sequer direito a um nome menos mau, podendo e devendo imputar-se-lhe toda a espécie de crimes, independentemente da sua veracidade, como quem passeia por um bosque. E sem que os descendentes possam reagir.

* Jaime Nogueira Pinto, António de Oliveira Salazar — O Outro Retrato, A Esfera dos Livros, Lisboa, 2010, 7.ª Edição, pgs. 210-214."

Jaime Nogueira Pinto
in "Sol", 17 de Junho de 2011.

Emerita Augusta

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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Alma

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Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!
Fernando Pessoa
A Mensagem

"As palavras intemporais do nosso Pessoa, publicadas no livro cujo título original era, recorde-se, “Portugal”, mantêm a uma impressionante actualidade. A indecisão, o alheamento, o materialismo, parecem reflectir um povo sem alma. Ou, pelo menos, um povo de alma vendida. Que se esqueceu de si próprio a troco de diversões e ilusões e, principalmente, da tentação do conforto da “gaiola dourada”. A era do todo-económico teve este efeito devastador. A crença na paz eterna e no progresso infindável fez esquecer o político, esse conceito teorizado pelo politólogo Carl Schmitt. Sem a noção do fenómeno político e da coisa pública, os governos passaram a ser obra de meros gestores, desprovidos que qualquer sentido de Estado e de Nação.

Terra
Nas celebrações do 10 de Junho, em Castelo Branco, Cavaco Silva deu especial relevo às “desigualdades territoriais do desenvolvimento, aos problemas da interioridade, ao envelhecimento e ao despovoamento de uma vasta parcela do nosso território”. Manifestações de um problema de fundo do nosso país, onde metade do território parece estar de costas voltadas para a outra metade.
Afirmando que as grandes cidades do litoral “cresceram de forma desmesurada e, mais ainda, desordenada”, reconheceu que devemos evitar “procurar replicar o litoral do país. Essa não é a opção correcta: o interior dispõe de uma identidade própria e é ela que lhe confere o seu carácter distintivo e original”. Para o Presidente da República, “importa, no entanto, não repetir erros cometidos noutras parcelas do País. O interior tem de ser um espaço em que a tradição, a Natureza e a presença humana convivam de forma harmoniosa e equilibrada”. Como se os erros tivessem sido apenas numa parte do País. A invocada “identidade própria”, no nosso caso, deve ser nacional. E há que afirmá-la. Esse, sim, é o caminho a seguir.
Outro ponto importante foi a referência à agricultura, actividade essencial para vitalidade da nossa nação, no seu imprescindível fortalecimento da ligação de um povo à sua terra. Mas poderá aquele que transformou Portugal no “bom aluno” da Europa, falar deste sector que foi vendido, tal como o das pescas, a troco de uma união económica europeia? Essa ilusão baseada nos fundos e no crédito, que nos fez crer que podíamos viver bem acima das nossas possibilidades, cuja pesada factura começamos agora a sentir.

Povo
No final do seu discurso na cerimónia do nosso dia nacional, o Presidente da República afirmou: “É Portugal inteiro que tem de se erguer nesta hora decisiva.” Uma expressão que não deixa de me recordar o título do ensaio pessimista do filósofo e historiador germânico Oswald Spengler. Acrescentou que este é “um tempo de sacrifícios, de grandes responsabilidades”. Sem dúvida, mas espera-se que seja para todos e por todos. Alertou ainda que “não podemos falhar”. Diria antes que não devemos, porque olhando para trás, para a nossa História, vemos que não seria a primeira oportunidade falhada. O nosso país parece ter, por vezes, essa infeliz característica. E concluiu: “É nestas alturas que se vê a alma de um povo”. Certo de que o nosso povo ainda tem alma – esteja ela vendida, esquecida ou simplesmente adormecida – mantenho a firme esperança que um dia renasça. Esse é o sentimento nacional que deve gerar uma vontade comum. Aí, afirmar-nos-emos como Nação secular que somos. Portugal somos nós. E nós temos que ser Portugal."

Duarte Branquinho
in "O Diabo", n.º1798, 14 de Junho de 2011.

O Trabalho

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"Mas é no plano da ética que o processo de degradação é particularmente visível. Enquanto a primeira época se caracterizava pelo ideal da «virilidade espiritual», pela iniciação e pela ética da superação do vínculo humano; enquanto na época dos guerreiros ainda se fundavam no ideal do heroísmo, da vitória e do senhorio, na ética aristocrática da honra, da fidelidade e da cavalaria, na época dos mercadores o ideal torna-se a economia pura, o lucro, a prosperity e a ciência como instrumento de um progresso técnico-industrial ao serviço da produção e de novos lucros na «sociedade de consumo» — até que o advento dos servos eleva ao nível de uma religião o princípio do escravo: o trabalho. E o ódio do escravo vai até ao ponto de proclamar sadicamente: «Quem não trabalha não come», e a sua idiotice glorificando-se a si própria, fabrica incensos sagrados com as exalações do suor humano: «O trabalho eleva o homem», «A religião do trabalho», «O trabalho como dever social e ético», «O humanismo do trabalho»."

Julius Evola
in "Revolta Contra o Mundo Moderno", Publicações Dom Quixote.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Quando nos perguntaram?

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«Claro, se nada for feito, e rapidamente, o momento de agir peremptoriamente vai chegar. Face às catástrofes os governos não terão escolha. Mas que tipo de sociedade será construída? Sociedades autoritárias com medidas restritivas impostas à maioria, mas decididas no topo, e podemos estar certos que estas beneficiarão os poderosos. A sociedade desigual arrisca de se tornar ainda mais mal concebida, com privilégios cada vez maiores para uma minoria.
Felizmente, no norte como no sul, mulheres e homens perceberam que globalmente estamos no caminho errado, que a via da mundialização que nos é apresentada como desejável e inegável leva-nos directamente à catástrofe. Perceberam também que já nada há a esperar dos governos, comprometidos e dominados pelo dinheiro. As nossas, assim chamadas, democracias ocidentais nada têm de democrático. Quando nos perguntaram antes de enviar soldados bombardear o Iraque ou o Kosovo? Antes que os alimentos geneticamente modificados terem invadido as prateleiras dos supermercados? Antes de mudar as regras do subsídio de desemprego? Antes de dar cabo do nosso sistema ferroviário? De facto, antes de tomarem todas estas decisões que afectam directamente as nossas vidas? Os que decidem por nós estão comprados pelas classes de capitalistas internacionais. A população aceita esta situação porque se deixa subverter pela forte máquina ideológica do capitalismo.»

Serge Mongeau
in "Vers la simplicité volontaire".

Status Anxiety

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Dia d'O Diabo

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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Torneio de futebol Projet Apache 2011

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Juventude

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"Grande parte da juventude actual parece não acreditar no futuro. Uma desconfiança excessiva leva muitos jovens a separar-se de tudo, a não acreditar em nada. Mas a sua desconfiança quanto ao futuro é uma consequência da sua desconfiança nas velhas gerações que não souberam organizar um mundo melhor. Numerosos jovens nem se dignam pensar se esta organização perfeita é possível. As próprias gerações que os precederam também não pensaram nesta problema.
A juventude é exigente. É uma virtude. Não solicita fórmulas teóricas, mas exige realizações quotidianas. As relações familiares, o entendimento entre os pais e os filhos são difíceis por causa desta flagrante diferença de linguagem.
Uma juventude que desconfia do futuro, que tudo pretende alcançar no tempo presente, será uma juventude sã? A juventude actual está preocupada pelo vazio e pelo absurdo da vida. Mas como poderemos falar de vazio no caso de jovens tão dados à acção, dispostos a ocupar os seus tempos livres e a gozar os prazeres imediatos da vida? Talvez por isso mesmo. Esta necessidade de imediato, esta incapacidade de esperar, provém de um sentimento de angústia. Afinal, a juventude actual carece sobretudo de esperança.
Esta falta de esperança reduz a juventude ao tempo presente. E o presente da juventude actual não está vinculado ao passado nem ao futuro. É tempo presente que tem, forçosamente, de ser vivido com ansiedade e com a ambição de esgotar no momento em que se vive todas as possibilidades vitais. Nesse tempo presente, que se vive rapidamente, tão rapidamente que a própria pressa se transforma em objectivo essencial, o conteúdo da acção perde a sua natureza.
A renúncia perante o futuro é a renúncia da continuidade. Não há nenhum jogo mais perigoso. A pressa é a evasão. Qual é a falha desta estrutura existencial? Falha a vida como continuidade. Falha por não a viver em todo o momento na sua dimensão profunda. Os momentos da vida são mais ou menos incorporados neles, marcas do passado mas também possibilidades do futuro. O passado é a própria história, é a responsabilidade do que somos, é a expressão da vida, é a nossa própria individualidade. No presente podemo-nos identificar mais ou menos com as circunstâncias ou com os outros. O futuro é a continuidade pessoal e histórica.
Pertence ao estilo das actuais gerações viver com pressa e sem profundidade. Renunciar às responsabilidades do passado e desconfiar do futuro, concentrando a vida no presente, dinamicamente vivido, ou seja, na acção. Esta atitude, provocando o desaparecimento do sentido profundo da vida, dá origem a um deserto de tédio.
Entre o aborrecimento e a pressa existem relações importantes. O facto de não saber o que fazer é muito perigoso. Talvez seja o maior perigo mostrar a sombra da vida, a sua orientação absurda. Deste perigo defende-se a juventude pela sua radical afirmação. A vida é vida porque se afirma perante a morte."

Luís Fernandes
in «Agora», n.º 327, pág. 4, 21.10.1967.

domingo, 19 de junho de 2011

Méridien Zéro e o panorama actual

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Hoje, o programa Méridien Zéro tem o título de «Panorama Actu» e é dedicado à análise da actualidade, contando com a participação dos jornalistas Pierre Le Vigan e Emmanuel Ratier. A emissão tem início às 22 horas portuguesas e pode ser escutada através da Radio Bandiera Nera.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

História e Utopia

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"Desde há milénios que, tendo-se o apetite de poder vindo a repartir em pedaços por múltiplas tiranias, pequenas e grandes, que vingaram aqui e ali, parece chegado o momento de por fim se concentrar, recolher, para culminar numa só, expressão dessa sede que devorou e devora o globo, termo de todos os nossos sonhos de poder, coroamento das nossas expectativas e das nossas aberrações. O rebanho humano disperso será reunido sob a guarda de um pastor implacável, espécie de monstro planetário diante do qual as nações se prostrarão, num pânico vizinho do êxtase. Posto de joelhos o universo, ter-se-á encerrado um capítulo importante da história. Depois, começará a desagregação do novo reino — e o regresso à desordem primitiva, à velha anarquia; os ódios e os vícios asfixiados ressurgirão e, com eles, os tiranos menores dos ciclos que expiraram. Depois da grande escravidão, a escravidão qualquer. Mas, quando saírem de uma servidão monumental, os que lhe tiverem sobrevivido terão orgulho na sua vergonha e no seu medo, e, vítimas fora do comum, celebrar-lhe-ão a memória."

E. M. Cioran
in "História e Utopia", Betrand Editora.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Anarco-capitalismo

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Anarco-capitalismo (também conhecido como "anarquismo de mercado") é uma filosofia política libertária e anarquista que defende a eliminação do Estado em favor da soberania individual num mercado livre. O termo foi criado pelo economista Murray Rothbard. Numa sociedade anarco-capitalista, a aplicação da lei, os tribunais, e todos os outros serviços de segurança seriam prestados por agências de defesa privadas voluntariamente financiadas, e não através da aplicação de taxas e impostos. Segundo os anarco-capitalistas, as actividades pessoais e económicas seriam reguladas pelas leis naturais do mercado e através de leis privadas em vez de políticas.
Os anarco-capitalistas defendem uma sociedade baseada no comércio livre de propriedade privada e serviços (incluindo dinheiro, bens consumíveis, terra e bens capitais) de forma a maximizar a liberdade e a prosperidade individual. No entanto, também reconhecem a caridade e os compromissos comunitários como parte da mesma ética voluntária.
Os anarco-capitalistas vêem o capitalismo de livre mercado como a base para uma sociedade livre e próspera. Murray Rothbard descreve a diferença entre o capitalismo de livre mercado e o "capitalismo de estado" como a diferença entre "a troca pacífica e voluntária" e a parceria entre empresas e governo que subvertem o mercado livre. Assim, rejeitam o Estado, baseados na ideia de que os estados são entidades agressivas que roubam a propriedade (através de impostos e expropriações), representam um monopólio do uso da força, usam os seus poderes coercivos para beneficiar alguns negócios e empresas em detrimento de outros, criam monopólios, restringem o comércio, restringem liberdades pessoais através de leis da droga, escolaridade obrigatória, recrutamento, leis de alimentação e moralidade, etc.

Sessão de Apresentação Pública do M.O.N.

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Realiza-se no próximo sábado, dia 18 de Junho, pelas 15.30 h, a Sessão de Apresentação Pública do Movimento de Oposição Nacional. O encontro terá lugar numa sala do Novotel, na Av. José Malhoa, em Lisboa. Convidado como especialista em Ciência Política e «português livre» de mérito, o Prof. Dr. António Marques Bessa, do ISCSP, fará uma intervenção inicial sobre a situação de Portugal. Em seguida o M.O.N. apresentará o seu Manifesto Essencial, «12 Objectivos para Fazer Renascer Portugal», sob o lema «Tudo Pela Pátria! Por Portugal - E Mais Nada» ao que se sucederá um momento de perguntas e respostas com todos os participantes, incluindo a Comunicação Social.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Reflexão pós-eleitoral

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"Deixei Lisboa, segunda-feira, 30 de Maio, a caminho de Moçambique, com o PS e o PSD em ‘empate técnico’. Nos dias seguintes, da minha janela sobre o Índico, no Polana renovado, fui sabendo que o PSD ‘descolara’.
Quando voltei, no sábado, a ‘descolagem’ fazia a unanimidade das sondagens. E no domingo, antes de partir para o ‘dever cívico’, já me chegara uma sondagem ‘confidencial’ que praticamente reproduzia o resultado que saberia à noite.
Acho tonta a construção rousseauniana da ‘vontade geral’, que leva alguns pivôs e analistas a dizer: «Os portugueses escolheram».
Esta versão do processo democrático, imputando o resultado de milhões de vontades fragmentadas a uma espécie de misterioso poder anímico, colectivo e racional, além de falsa é perigosa. Leva à ‘democracia totalitária’.
Trata-se de uma coisa mais simples. Desde que se deixou de acreditar (como o saudoso Bossuet) que Deus Nosso Senhor intervinha directamente na governança dos povos, ungindo os reis para evitar que tudo acabasse a tiro (ou à paulada, entre os tecnologicamente mais atrasados), criou-se um processo pacífico de selecção dos governantes: ‘os cidadãos’ dispõem de uma fracção de ‘vontade geral’ proporcional ao total; votam em certas condições e, assim, escolhem os políticos.
A singularidade nacional foi estas experiências terem sido palco de manipulações e abusos — quer no constitucionalismo, quer na República democrática, acabando na balbúrdia e na força que era suposto evitarem. E dando cabo, entretanto, da economia e das finanças do país.
A Terceira República evitou este ADN violento do liberalismo (a guerra civil e a instabilidade crónica até 1851) e da Primeira República (a ‘ditadura’ disfarçada do Partido Democrático).
Mas desde o princípio, por reacção ao autoritarismo tardio da direita, sofreu das ideias do antifascismo pobrezinho e aplicado do MFA, com os mitos tardios do socialismo, em vésperas de serem abandonados na China e na URSS.
Pior. Como o Estado Novo fora nacionalista, a nova classe política riscou a nação e o nacionalismo (que catalogou de ‘exacerbado’) do seu léxico. E optou pelo internacionalismo: o ‘proletário’ dos sovietes e o liberal dos eurofílicos.
As ideias têm consequências: começámos no MFA e acabamos no FMI. E a nação — que José Sócrates, curiosamente, descobriu ser antiga e importante no discurso de despedida do Altis — está agora sob tutela dos credores.
Em democracia parece que não nos sabemos governar. Dentro de um clima de cepticismo e desconfiança (mais de 40% dos eleitores, o record nas legislativas, não votaram), o PSD de Passos Coelho e o CDS-PP de Paulo Portas conseguiram a maioria popular e parlamentar para um governo de legislatura. Com um Presidente da República que, à partida, pertence à mesma família política.
Ao mesmo tempo, puniu-se o despesismo crónico deste PS e o bolorento esquerdismo caviar do BE (Trotsky e Maio de 68!!!). Já o PCP, partido idoso e desinternacionalizado pelo fim da URSS, deu provas de saudável resiliência.
É a última oportunidade de, em democracia, tornar o país um lugar normal, decente e vivível para os portugueses. Mas para além das contas e de todo um programa de austeridade financeira e económico-social, que terá custos humanos dolorosos, é bom que não esqueçamos esta comunidade de passado e de destino que é a Nação.
Porque a humanidade é demasiado grande e a família pequena para tratar do que é de todos. E a Europa, pelos vistos, não passa de um banco comercial de toma-lá-dá-cá. Com juros."

Jaime Nogueira Pinto
in "Sol", 9 de Junho de 2011.

If A Tree Falls

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Kawthoolei

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Kawthoolei é o nome dado pelos Karens ao Estado que tentam criar desde a década de 40. O significado preciso é disputado no seio dos próprios Karens. Como interpretações possíveis encontram-se as expressões «País das flores» ou «Terra sem mal». De acordo com Martin Smith na sua obra «Burma: Insurgency and the Politics of Ethnicity», Kawthoolei significa também «A Terra carbonizada», que corresponde à terra pela qual se batem. As fronteiras de Kawthoolei correspondem mais ou menos à actual região administrativa de Kayin cuja capital é Pa-an, à qual se acrescenta a zona do delta do rio Ayeyarwady, habitada por numerosos Karens. O nome de Kawthoolei é de facto relativamente recente, sendo uma criação do líder Karen Ba U Gyi, histórico chefe assassinado durante a independência da Birmânia em 1950.

terça-feira, 14 de junho de 2011

À Direita

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"Disse-se já que as palavras-chave do vocabulário direitista teriam sido desacreditadas pelos fascismos. Diremos, antes, que se esse descrédito foi sabiamente construído e mantido por facções especialistas e especializadas na difusão de mitos incapacitantes e culpabilizantes. É necessário que sejamos muito claros neste caso. Aqui, não nos encontramos em presença de uma análise, mas de uma propaganda. Consiste esta propaganda em assimilar ao «fascismo» toda e qualquer doutrina de direita que se afirme com algum vigor e, como corolário, a definir apenas como «democráticos» os regimes que concebam a liberdade sob a forma de um «deixa andar» de qualquer forma estatutário, como indispensável, aos empreendimentos revolucionários da extrema-esquerda. Por extensão, esta assimilação exerce-se restrospectivamente. É assim que vemos (…) afirmar que a obra de Gobineu está «do lado do crime» — o que é mais ou menos tão inteligente como acusar Jean-Jaques Rousseau de ser totalmente responsável pelo Goulag. A nossa sociedade oferece, assim, o espantoso espectáculo de uma direita que se não pode afirmar como tal sem se ver taxada de «fascismo», e de uma esquerda e de uma extrema-esquerda que a qualquer momento se podem dizer como socialistas, marxistas ou comunistas, afirmando sempre, claro está, que as suas doutrinas nada têm a ver com o estalinismo, nem, aliás, com qualquer forma de socialismo historicamente realizado. Ora, se os seguidores das diversas variedades de socialismo se não sentem comprometidos por qualquer das experiências concretas que os precederam — e nomeadamente pelas mais criminosas de entre elas — não vejo por que razão a direita moderna, que afasta totalmente de si qualquer vocação totalitária, terá de bater com a mão no peito e justificar-se. Frente ao prodigioso descaramento dos partidários de uma doutrina em nome da qual se massacraram já mais de 50 milhões de pessoas e que nem por isso deixam de se apresentar com a mão sobre o coração e rosa em punho como sendo os grandes defensores da liberdade, que a direita responda com uma grande gargalhada libertadora — e que prossiga o seu caminho."

Alain de Benoist
in "Nova Direita Nova Cultura – Antologia crítica das ideias contemporâneas", Lisboa, Fernando Ribeiro de Mello/Edições Afrodite, 1981, pp. xxv-xxvi.

Dia d'O Diabo

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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Pessoa

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Fernando António Nogueira Pessoa
(13 de Junho de 1888 — 30 de Novembro de 1935)

"Viver é pertencer a outrem. Morrer é pertencer a outrem. Viver e morrer são a mesma coisa. Mas viver é pertencer a outrem de fora, e morrer é pertencer a outrem de dentro. As duas coisas assemelham-se, mas a vida é o lado de fora da morte. Por isso a vida é a vida e a morte a morte, pois o lado de fora é sempre mais verdadeiro que o lado de dentro, tanto que é o lado de fora que se vê."

Fernando Pessoa
in «Presença», n.º5, Coimbra, 4 de Junho de 1927.

Conflito Racial durante a Longa Emergência

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"Na pior das hipóteses, os vídeos de rap exibidos na televisão por cabo assemelham-se a cânticos bélicos de um conflito que ainda não se verificou. Só entre um grupo tão narcisicamente perdido e desorientado como a América branca suburbana é que mensagens destas seriam acolhidas como mais um tipo de entretenimento, entre muitos. Durante a Longa Emergência, quando os pobres se tornarem mesmo pobres, pelos padrões mundiais, os guetos urbanos poderão voltar a explodir, e, da próxima vez que suceder, será no contexto de uma sociedade muito mais desesperada do que aquela que assistiu ao incidente de Rodney King, em 1992, e às suas repercussões. É pouco provável que a explosão se confine aos guetos, devendo, antes, evoluir para uma guerra de guerrilha mais generalizada e prolongada do tipo da que existe há décadas nos países do Terceiro Mundo, e irá decorrer num pano de fundo de turbulência geral."

James Howard Kunstler
in "O Fim do Petróleo - O Grande Desafio do Século XXI", Bizâncio, 2006.

domingo, 12 de junho de 2011

Méridien Zéro com Steuckers

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Na emissão de hoje, o programa Méridien Zéro recebe Robert Steuckers. Belga de origem flamenga, Steuckers aderiu ao GRECE com apenas 17 anos, influenciado pelas ideias de Jean Thiriart. Em 1993, abandonou o grupo para formar o colectivo Synergies Européennes, centrado nas teses de um nacionalismo anti-capitalista pan-europeu. Tradutor de profissão, Steuckers é co-autor de diversas obras colectivas e autor, em nome pessoal, de numerosos artigos em revistas. É conhecido pela organização de conferências e mantém o blogue Euro-Synergies. Como sempre, o programa é transmitido pela Radio Bandiera Nera a partir das 22 horas portuguesas.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Dia de Portugal

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Eis aqui, quási cume da cabeça
De Europa toda, o Reino Lusitano,
Onde a terra se acaba e o mar começa
E onde Febo repousa no Oceano.
Este quis o Céu justo que floreça
Nas armas contra o torpe Mauritano,
Deitando-o de si fora; e lá na ardente
África estar quieto o não consente.

Esta é a ditosa pátria minha amada,
À qual se o Céu me dá que eu sem perigo
Torne, com esta empresa já acabada,
Acabe-se esta luz ali comigo.
Esta foi Lusitânia, derivada
De Luso ou Lisa, que de Baco antigo
Filhos foram, parece, ou companheiros,
E nela antão os íncolas primeiros.

Luís de Camões
in "Os Lusíadas", Canto III, estânc. 20, 21.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Anatomia de um crime

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"A Terceira República, iniciada em Abril de 1974, sintetizou os seus objectivos em três Dês: Descolonizar, Democratizar e Desenvolver.
Descolonizar era um propósito comum aos novos políticos e aos capitães do MFA, que representavam os militares descontentes com a corporação e com a guerra de África. Depois da saída de Spínola e da neutralização dos sectores ultramarinistas do Exército, em Setembro de 74, a descolonização passou a ser dominante no poder militar.
Comunistas, socialistas e esquerdistas queriam, por princípio, abandonar ‘as colónias’. Os novos partidos moderados não tinham política para esta área, pelo que seguiram o sofisticado e original princípio de Abril: fazer tudo ao contrário do que fizera o Estado Novo.
Assim, a descolonização tornou-se um objectivo comum e convergente. Já a democratização foi diferente e dividiu a classe política. Uns queriam a democracia liberal, à ocidental. Os outros — o MFA, o PCP, o MDP-CDE e os esquerdistas (chineses, albaneses, cubanos, líbios e exóticos) — queriam uma democracia que não se ficasse pela igualdade e a liberdade políticas, mas que as ‘aprofundasse’. Ou no sentido soviético ou recorrendo a formas primitivas e puras. Os estudantes elegiam os professores, os soldados os oficiais, os trabalhadores os patrões. Mas o sistema só funcionava prendendo, aterrorizando e matando os adversários, que, por senso comum e interesse, eram muitos.
Ora isto não jogava com os brandos costumes da terra e teve a manifesta resistência da massa popular que, no Verão de 1975, começou a queimar sedes do PCP.
Os democratas tout court, com o dr. Soares à frente da ‘Frente Burguesa’ na Fonte Luminosa e os militares anticomunistas (a descolonização acelerada abrira o leque no sector), equilibraram as pressões radicais.
No 25 de Novembro, os Comandos, que pouco tinham que ver com estas discussões, derrotaram os esquerdistas. O dr. Cunhal não foi para a guerra civil porque havia Ialta, os russos não queriam e Angola era independente há duas semanas. E, principalmente, porque sabia que perdia. Por isso, conteve as suas tropas, ajustou contas com os Otelos e companhia e ainda ficou com fama de humanista.
Os ‘Nove’ e o PS ajudaram a poupá-lo. Não queriam um desequilíbrio que trouxesse a direita resistente para a zona do poder ou da alternativa — um cenário tipo Weimar, que todos temiam.
Este Thermidor de 25 de Novembro pôs termo ao PREC. A opção europeia foi a apólice do resseguro democrático contra golpismos de um lado ou doutro. Por isso, a economia nacional também sofreu na pressa da Adesão e a Constituição de 1976 manteve o ‘socialismo’.
E O Desenvolvimento? Não se podia ter tudo. Já no século XV, os iniciadores da Expansão se tinham dado conta de que, além do risco da absorção castelhana, o país não alimentava, nem podia alimentar, a população. Nos séculos XVI, XVII e XVIII fizemos quatro fortunas ultramarinas — especiarias da Índia, açúcar do Brasil, ouro e diamantes outra vez do Brasil — com que nos fomos aguentando. No século XX, foi o café de Angola.
Hoje, estamos sob tutela. As pessoas não são livres se a nação não for livre. Os nossos libertadores — os democratas tout court e os aprofundadores das amplas liberdades democráticas —, no desprezo da independência nacional, conduziram Portugal à degradação económica e à insolvência financeira. Agora, para sobrevivermos materialmente, temos de aceitar uma comissão de tutela dos credores.
Os eleitores têm oportunidade de se pronunciarem sobre responsáveis e reponsabilizáveis, nos limites de uma escolha já muito condicionada pelos acordos com a troika.
Embora, como sempre, tenham de ir pelo mal menor."

Jaime Nogueira Pinto
in "Sol", 3 de Junho de 2011.

10 de Junho com os Combatentes

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Sexta-Feira, 10 de Junho, em Belém, no Monumento aos Combatentes, junto à Torre, o mais tardar pelas 12 h. Como sempre, para o Minuto de Silêncio em honra daqueles que deram Tudo Pela Pátria.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Furax: emissão anti-conformista

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O Homem e a Técnica

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"O homem furta à Natureza o privilégio de criar. O próprio «livre-arbítrio» é uma aberta atitude de rebelião. O homem, como criador, tem ultrapassado os limites da Natureza, cada uma das suas criações mais se distancia e se apresenta hostil para a Natureza. Assim se compõe a sua «História Universal», narrativa de uma cisão fatal, que progressivamente se vai acentuando, entre o Homem e o Universo, narrativa da acção de um rebelde que, liberto dos elos maternais, chega a levantar a mão contra a sua própria Mãe.
Eis como se inicia a tragédia humana, uma vez que a Natureza é indubitavelmente a mais forte. O homem não cessa de estar dependente dela, porque a Natureza, a despeito de todos os esforços do homem continua a tudo englobar no seu seio. Todas as culturas superiores são derrotas. Há raças inteiras que subsistem, totalmente enfraquecidas e aniquiladas, sujeitas à perda do poder espiritual, à esterilidade, semelhantes a cadáveres juncando o campo de batalha. A luta contra a Natureza é uma luta sem esperança; apesar disso, o homem irá prosseguir nela até ao fim."

Oswald Spengler
in "O Homem e a Técnica", Guimarães & C.ª Editores.

Aveiro na vanguarda

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terça-feira, 7 de junho de 2011

O Caldo da Portaria

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"Portugal, não tendo princípios, ou não tendo fé nos seus princípios, não pode propriamente ter costumes. Com uma política de acaso, com uma literatura de retórica e de cópia, com uma legislação desorganizada, não se pode deixar de ter uma moralidade decadente.
Fomos outrora o povo do caldo da portaria, das procissões, da navalha e da taverna. Compreendeu-se que esta situação era um aviltamento da dignidade humana: fizemos muitas revoluções para sair dela. Ficamos exactamente em condições idênticas. O caldo da portaria não acabou. Não é já como outrora uma multidão pitoresca de mendigos, beatos, ciganos, ladrões, caceteiros, carrascos, que o vai buscar alegremente, ao meio-dia, cantando o Bendito; é uma classe média inteira, que vive dele, de chapéu alto e paletó.
Este caldo é o Estado. A classe média vive do Estado. A velhice conta com ele como condição da sua vida. Logo desde os primeiros exames do liceu, a mocidade vê nele o seu repouso e a garantia da sua tranquilidade. (...) A própria indústria faz-se proteccionar pelo Estado e trabalha sobretudo em vista do Estado. A imprensa até certo ponto vive também do Estado. A ciência depende do Estado. O Estado é a esperança das famílias pobres, e das casas arruinadas; é a ocupação natural das medriocridades; é o usufruto da burguesia. Ora como o Estado, pobre, paga tão pobremente que ninguém se pode libertar da sua tutela para ir para a indústria ou para o comércio, esta situação perpetua-se de pais a filhos como uma fatalidade."

Eça de Queiroz
in "As Farpas", Maio de 1871.

Dia d'O Diabo

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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Processo de Banalização em Curso

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"A produção capitalista unificou o espaço, que não é mais limitado pelas sociedades exteriores. Esta unificação é, ao mesmo tempo, um processo extensivo e intensivo de banalização. A acumulação das mercadorias produzidas em série para o espaço abstracto do mercado, do mesmo modo que devia quebrar todas as barreiras regionais e legais, e todas as restrições corporativas da Idade Média que mantinham a qualidade da produção artesanal, devia também dissolver a autonomia e a qualidade dos lugares. Este poder de homogeneização é a artilharia pesada que fez cair todas as muralhas da China."

Guy Debord
in "A Sociedade do Espectáculo" (1967). 

10 de Junho

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No dia 10 de Junho, o PNR volta a promover a celebração do Dia de Portugal, por um Estado Nacional e Social e em defesa da Soberania e Identidade, cada vez ameaçadas pelas políticas anti-nacionais. O desfile terá início na Praça Luís de Camões, e percorrerá as ruas de Lisboa até aos Restauradores.

Novilíngua

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"Como já vimos, no caso da palavra livre, palavras outrora portadoras de um sentido herético mantinham-se por vezes devido a razões de conveniência, só que expurgadas dos sentidos indesejáveis. Inúmeras outras palavras como honra, justiça, moralidade, internacionalismo, democracia, ciência e religião tinham simplesmente sido suprimidas, ao serem abrangidas por algumas palavras mais genéricas que, ao abrangê-las, as aboliam. Todas as palavras que se agrupavam em torno dos conceitos de liberdade e igualdade, por exemplo, foram abarcadas por uma única palavra, crimepensar, enquanto as palavras que giravam em torno dos conceitos de objectividade e racionalismo foram absorvidas pela palavra velhopensar. Precisão maior, seria perigoso. O que se pretendia dos membros do Partido era uma visão do mundo semelhante à dos antigos hebreus, que sabiam, e pouco mais sabendo, que todas as nações à excepção da sua adoravam «falsos deuses». Ao hebreu tanto lhe fazia que esses deuses se chamassem Baal, Osíris, Moloch, Astaroth, e assim por diante; provavelmente, quanto menos soubesse acerca deles, melhor para a sua ortodoxia. Conhecia Jeová e os mandamentos de Jeová: por conseguinte, todos os deuses com nomes diferentes ou outros atributos eram falsos deuses."

George Orwell
in "1984", Antígona.

domingo, 5 de junho de 2011

Méridien Zéro e os touros

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Hoje, a emissão do programa Méridien Zéro tem o título «Olé! Descoberta da Corrida» e é dedicada à Tourada à espanhola. Como é habitual, o programa pode ser escutado a partir das 22 horas portuguesas, na Radio Bandiera Nera.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Incapaz de ser forte

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"Na política interna, a Democracia conduz à fraqueza. Dispersando a Autoridade, destrói-a. Dividindo ao máximo as responsabilidade, suprime-as na prática. Por isso, no momento do perigo, a Autoridade irresponsável da Democracia, sem força nem coerência, é incapaz de se opor à desordem.
Na política externa, a Democracia não se opõe também aos ataques ou ciladas do estrangeiro. Primeiro, porque a sua mitologia da Fraternidade a impede de acudir à defesa militar. Segundo, porque a tendência dos partidos de oposição e a missão dos agentes das sociedades secretas internacionais, são de favorecer às ocultas e até elogiar em público a intervenção estrangeira.
Temos a clara exemplificação destes pontos de vista:
— Quanto à política interna, na Democracia espanhola de 1931, em que os governos se viam reduzidos a assistir passivamente às greves, aos incêndios, aos massacres, às agitações de uma guerra civil cada vez mais feroz;
— Quanto à política externa, na atitude da Democracia francesa durante a Grande Guerra, entregando-se à Ditadura civil de Clémenceau, e às sucessivas ditaduras militares de Joffre, de Gallieni, de Foch — para resistir e vencer.
Logo, a Democracia, negação da Autoridade e da Responsabilidade — é incapaz de ser forte."

João Ameal
in «Integralismo Lusitano — Estudos Portugueses», 1932. 

A Guerra que fez

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"Os primeiros tiros contra o Forte Sumter foram disparados pela artilharia confederada, na madrugada de 12 de Abril de 1861; 33 horas depois, a guarnição unionista, sem baixas, rendeu-se e foi embarcada de volta ao Norte. Os atacantes também não tiveram perdas.
Quatro anos passados, a 9 de Abril de 1865, em Appomattox, na Virgínia, Ulysses S. Grant, pelo Norte, e Robert E. Lee, pelo Sul, assinaram o acordo que pôs fim à Guerra Civil americana.
Entre o derrotado Lee e o vitorioso Grant, as coisas correram com a cordialidade e respeito de camaradas de armas que a política tinha obrigado a enfrentar-se. Agora reconciliavam-se: os vencidos entregavam o armamento, mas os oficiais podiam guardar as armas pessoais e todos os sulistas levar de volta os cavalos, propriedade sua.
Entre estes dois episódios de brandos e correctos costumes, acontecera uma guerra em que tinham morrido 620 mil soldados (360 mil do Norte e 260 mil do Sul), mais 50 mil civis. A Guerra Civil é, ainda hoje, a primeira guerra em termos de baixas dos Estados Unidos.
Havia 30 milhões de norte-americanos em 1860: 20 milhões de brancos e meio milhão de negros no Norte e 5,5 milhões de brancos e 3,5 milhões de negros no Sul. Estes negros do Sul eram escravos, na sua maioria filhos de escravos, já que o tráfico cessara desde o fim do século XVIII.
Abraham Lincoln não acreditava na igualdade de brancos e negros, mas era pela sua igualdade legal, logo pela abolição. A maioria da população do Norte pensava como ele. Por isso quando foi escolhido pelo Partido Republicano e ganhou a presidência, os representantes de sete Estados esclavagistas reuniram-se em Montgomery, Alabama, e prepararam a Secessão, elegendo um Presidente alternativo — Jefferson Davis.
Lincoln procurou o diálogo com os separatistas; havia ainda Estados fronteiriços, oscilantes entre a Confederação e a União, e muitos no Deep South — pensava-se — eram leais à União.
Mas a economia do Sul vivia do algodão e este do trabalho escravo. A questão tornara-se vital e os sulistas temiam não só a abolição como a revolta dos ‘seus’ negros. O ataque ao Forte Sumter arrumou as dúvidas e em Maio de 1861, a divisão Norte- Sul era clara.
Uma guerra desigual: o Sul tinha um exército mais pequeno, de 900 mil homens contra dois milhões do Norte. Plantadores, agricultores e pioneiros, os sulistas estavam mais preparados para a ‘vida militar’. Em inferioridade de homens, território, economia e reconhecimento internacional, tinham de obter uma vantagem estratégica inicial e fixar aí uma negociação. Não conseguiram e no tempo longo foram esmagados.
A guerra civil americana foi a primeira guerra moderna — com espingardas de repetição, metralhadoras, caminhos de ferro e, no mar, os couraçados e o submarino.
Também houve inovação no financiamento: o Norte tinha recursos através das exportações de cereais para a Europa e a correspondente entrada de ouro e recorreu às obrigações do Tesouro e à emissão do papel-moeda.
O Sul era mais pobre, embora ali os ricos fossem mais ricos ou vivessem mais como ricos. A nostalgia de uma civilização rural desaparecida levou Mark Twain, Faulkner, Tennessee Williams, Griffith e Victor Fleming a romantizarem na literatura e no cinema o Sul e a Confederação.
Mas os grandes plantadores eram uma minoria. Embora dominassem o governo e a sociedade, a ideia dos ‘escravos felizes’ não conseguiu aguentar a pressão abolicionista que livros como A Cabana do Pai Tomás despertaram na opinião pública. E foi com base nessa ‘maldade’ dos ‘rebeldes’, que Sherman lançou a sua coluna negra através da Geórgia, queimou Atlanta e chegou a Savannah na véspera do Natal de 1864.
Partira, como Grant fizera antes a Oeste, o Sul a meio, e levara o terror e o medo ao coração da terra rebelde, mas os Estados Unidos iam renascer mais fortes desta guerra de irmãos separados."

Jaime Nogueira Pinto
in "Sol", 25 de Abril de 2011.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Herculano e o regresso à terra

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"Herculano desempenhou igualmente um importante papel nos acontecimentos em curso, mas a dada altura, inesperadamente, retirou-se da vida política, abandonou por completo as preocupações literárias, interrompeu a redacção da grande História de Portugal que tinha iniciado, para se esconder numa quinta, solitário, sem nunca mais tocar numa caneta, dedicando-se exclusivamente à agricultura, durante dez anos, até à data da sua morte. É impressionante e sugestivo este regresso total de Herculano à terra. Podia-se nele desvendar, não apenas o desgosto de uma pessoa honesta para com a detestável vida pública, mas também o melancólico despertar do paraíso artificial das suas teorias políticas. Talvez Herculano tenha percebido que a história de Portugal, como qualquer história de uma nação viva a criadora, é bem diferente do conflito entre abstracções, que a vida e a grandeza das nações têm as suas raízes noutro lugar que não o "Contrato Social" e a moral kantiana. É, em todo o caso, um exemplo rico em significados ocultos a clausura desse grande historiador e político numa quinta onde irá passar o resto da sua vida, dedicando-se às coisas vivas e férteis, esforçando-se por reencontrar-se e reintegrar-se na antiga comunidade portuguesa."

Mircea Eliade
in "Salazar e a Revolução em Portugal", Esfera do Caos.

28 de Maio: Recordemos os Tenentes (2)

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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Alienação

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«A alienação face a um pensamento correcto implica necessariamente a submissão a uma atitude correcta, que na sociedade de consumo compreende a boa vontade face às instituições, o optimismo democrático, a ambição de ser semelhante aos colegas e de aspirar a ser o favorito do chefe, a satisfação de ser um bom cliente e um bom cidadão, empenhado em conseguir dinheiro para comprar cada vez mais coisas que nos são inúteis. Tudo isto a título individual mas cedendo cada vez mais as nossas responsabilidades (políticas, sociais, económicas, ecológicas, familiares, municipais…) a um Estado-Sistema que sofre um acelerado processo de privatização multinacional. A consciência industrial é completada com uma educação industrial que encaminha os seus esforços para fazer de nós uns consumidores teleguiados. A administração e os tecnocratas, menos hipócritas que os académicos, falam de nós como “sujeitos” (no sentido de “sujeitar”, “reprimir”, “dominar”) e classificam-nos como “recursos humanos”, esta é uma sociedade onde não existem virtudes mas antes normas.»

Maurice Bardèche
in "Sparte et les Sudistes", Les sept couleurs, 1969.

Antigas Divindades Lusitanas

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Intitulada Cerimónias matriarcais em nome das mais antigas divindades do Cabeço das Fráguas: Trebopala, Laebo, Trebaruna, a exposição individual de Daniel Gamelas, patente na Galeria de Arte do Teatro Municipal da Guarda, entre 28 de Maio e 24 de Julho, é votada aos antigos cultos Lusitanos, cujos principais registos foram detectados naquela região e posteriormente estudados pelo notável investigador José Leite de Vasconcelos, na sua monumental obra Religiões da Lusitânia.
 
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